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    Entenda como a tentativa dos EUA de estrangular a economia do Irã depende da cooperação da China

    Ao declarar um "Dia D econômico" para o Irã , o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, recorrem a mais uma estratégia para tentar encontrar uma saída a uma aventura militar que deu errado. No processo, eles estão invertendo a abordagem habitual para pressionar adversários a se submeterem à vontade de Washington. Leia mais (08/26/2026 - 06h00)

    Folha de S.Paulo
    26 de agosto de 2026 às 09:00
    Entenda como a tentativa dos EUA de estrangular a economia do Irã depende da cooperação da China
    Homem de terno azul escuro e óculos está de perfil, olhando para baixo, ao lado da bandeira dos Estados Unidos em ambiente interno com parede de mármore ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos

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    O secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, após uma conversa com jornalistas em Washington - Evelyn Hockstein - 24.ago.26/Reuters · Evelyn Hockstein - 24.ago.26/Reuters
    O secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, após uma conversa com jornalistas em Washington - Evelyn Hockstein - 24.ago.26/Reuters · Evelyn Hockstein - 24.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ao declarar um "Dia D econômico" para o Irã , o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, recorrem a mais uma estratégia para tentar encontrar uma saída a uma aventura militar que deu errado. No processo, eles estão invertendo a abordagem habitual para pressionar adversários a se submeterem à vontade de Washington.

    Normalmente, a Casa Branca aborda um problema como o desmantelamento do programa nuclear iraniano com diplomacia direta. Se isso não leva a lugar algum, as autoridades acrescentam sanções econômicas, introduzindo um elemento de coerção. A ação militar é o último recurso, e somente se o presidente determinar que vale a pena arriscar vidas americanas.

    Mas Trump saltou de uma breve rodada de diplomacia para a etapa dos bombardeios com o objetivo de forçar o Irã a abrir mão de seus estoques de 11 toneladas de urânio enriquecido e, talvez, provocar o colapso do regime.

    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo
    EUA e Irã retomam ataques após fim de cessar-fogo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os ataques fracassaram em ambos os objetivos, ao custo de 18 vidas americanas, centenas ou milhares de iranianos mortos e uma conta que analistas independentes estimam em mais de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 515 bilhões), embora as estimativas do Pentágono sejam menores.

    E somente agora Trump e Bessent tentam mais um grande experimento, batizado de Operação Pária Econômico, que a Casa Branca descreveu como "uma campanha sem precedentes para cortar todos os meios de sobrevivência econômica restantes que sustentam a República Islâmica do Irã ".

    O plano não é implausível. Segundo a descrição de Bessent feita em entrevista coletiva na segunda (24), a iniciativa envolve bloquear toda e qualquer transação que canalize dinheiro para Teerã, sejam elas digitais e disfarçadas, transferências de petróleo de navio para navio ou a movimentação de ouro pelo mundo.

    Irã usa inteligência artificial e memes em guerra de propaganda contra os EUA
    Irã usa inteligência artificial e memes em guerra de propaganda contra os EUA — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mas a medida levanta uma série de questões que a Casa Branca não respondeu. A primeira delas é: se sanções tão herméticas quanto essas são possíveis, por que elas não foram empregadas antes de Trump ordenar que os militares americanos entrassem em combate, expondo a escassez de munições e os limites do poderio militar americano?

    E agora que os militares, nas palavras de Bessent, "lançaram as bases" para o sucesso, o que fazer com a China, que comprou mais de 80% das exportações de petróleo do Irã em 2025?

    O governo americano está disposto a correr o risco de outro confronto direto com Pequim, com quem já está em desacordo por questões sobre inteligência artificial, Taiwan, uma rápida expansão nuclear e um enorme excesso de capacidade produtiva que ameaça a economia global?

    Iranianos comemoram acordo nuclear em 2015
    Iranianos comemoram acordo nuclear em 2015 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Dia D original, nas praias da Normandia, não exigiu a participação da China. Esse Dia D econômico exige, e até agora não há indicação de que Pequim esteja disposta a participar.

    "Isso será complicado", disse na segunda Peter Harrell, pesquisador visitante da Georgetown Law School que escreveu sobre os limites das sanções econômicas.

    No início deste ano, ao avaliar como poderia colocar o Irã de joelhos, Trump "tinha a opção de realmente pressionar os chineses, algo que ele não queria fazer por causa de sua própria agenda econômica com Xi, ou impor o bloqueio naval aos petroleiros iranianos", afirmou Harrell.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Acontece que foi politicamente mais fácil bloquear todos os petroleiros iranianos do que dizer aos chineses: ‘Vamos sancionar suas grandes empresas’ caso elas continuem negociando com o Irã."

    Ainda é uma questão delicada. Bessent ameaçou impor o que é chamado de "sanções secundárias" a todos os países que continuem fazendo negócios com o Irã.

    Mas, em um artigo de opinião publicado no Financial Times durante o fim de semana e em sua entrevista na segunda, Bessent não pronunciou a palavra China. Ele estava fazendo o possível para evitar irritar a segunda maior economia do mundo —e a única nação que pode determinar se essa nova estratégia da Casa Branca terá alguma chance de sucesso.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    É claro que não há nada de novo na tentativa de transformar o Irã em um pária econômico. Os primeiros esforços sérios para impor sanções a Teerã devido ao seu programa nuclear remontam ao governo de George W. Bush. Quando a gestão Obama tentava levar o Irã às negociações em 2009, a então secretária de Estado, Hillary Clinton, prometeu "sanções devastadoras" caso o país não entrasse em negociações.

    Foram necessários anos para produzir resultados, mas especialistas dizem que as sanções mais duras que se seguiram ajudaram a convencer o Irã a aceitar o acordo nuclear de 2015, que limitou suas atividades nucleares em troca da suspensão das sanções financeiras e petrolíferas. Trump rompeu com esse acordo em 2018 , declarando que ele era falho.

    Naquele momento, começou a restabelecer as sanções, e ele e seu secretário de Estado, Mike Pompeo, previram que a pressão econômica seria pesada demais para os líderes iranianos suportarem.

    Pompeo, agora afastado de Trump, ecoou muitos dos argumentos repetidos por Bessent na segunda. A exceção é que os EUA agora estão comprometidos com uma presença militar na costa do Irã por um período indeterminado, certamente enquanto o Irã ameaça a navegação pelo estreito de Hormuz .

    O histórico dessas sanções não é impressionante: o Irã continuou exportando de dois a três milhões de barris de petróleo por dia apesar delas. Esses números agora caíram graças ao bloqueio naval atualmente em vigor.

    Mas o material nuclear não saiu de seus locais de armazenamento cobertos de escombros desde que os EUA bombardearam essas áreas em junho de 2025, segundo indicam imagens de satélite. E o regime sobrevive, embora sob uma administração diferente depois que o aiatolá Ali Khamenei foi morto nos ataques iniciais da guerra, em fevereiro.

    Como resultado, um dos elementos mais curiosos do discurso de Bessent na segunda surgiu quando ele voltou a uma promessa feita por Trump quase seis meses atrás: a de criar as condições para uma mudança de regime.

    Na época, Trump acreditava que a batalha militar duraria alguns dias ou semanas. Ele instou o povo iraniano a se levantar e assumir o controle do país depois que a fumaça dos bombardeios americanos se dissipasse.

    Trump logo abandonou esse esforço, reconhecendo em entrevista ao The New York Times, em junho, que o povo iraniano não tinha as armas nem a organização necessárias para fazer isso acontecer.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/entenda-como-a-tentativa-dos-eua-de-estrangular-a-economia-do-ira-depende-da-cooperacao-da-china.shtml.

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    O secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, após uma conversa com jornalistas em Washington - Evelyn Hockstein - 24.ago.26/Reuters · Evelyn Hockstein - 24.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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