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    Entenda como a PF ligou mensagens de Vorcaro no WhatsApp a Moraes, mesmo com visualização única

    Antes de cada mensagem que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o dono do Banco Master sempre abria o bloco de notas, fazia um printscreen e salvava a imagem, de acordo com a Polícia Federal. Esse padrão foi o elo usado para reconstruir o diálogo na investigação que veio a público nesta terça-feira (1º). Leia mais (09/01/2026 - 18h25)

    Folha de S.Paulo
    1 de setembro de 2026 às 21:25
    Entenda como a PF ligou mensagens de Vorcaro no WhatsApp a Moraes, mesmo com visualização única
    Homem calvo veste terno cinza, camisa branca e gravata azul, sentado em cadeira vermelha em ambiente escuro, com expressão neutra. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Antes de cada mensagem que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o dono do Banco Master sempre abria o bloco de notas, fazia um printscreen e salvava a imagem, de acordo com a Polícia Federal. Esse padrão foi o elo usado para reconstruir o diálogo na investigação que veio a público nesta terça-feira (1º).

    O ministro do STF Alexandre de Moraes, durante sessão da primeira turma do STF em junho - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress
    O ministro do STF Alexandre de Moraes, durante sessão da primeira turma do STF em junho - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Vorcaro teria perguntado, por exemplo, se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal no fim de novembro. Capturas de tela, arquivos PDFs temporários e o histórico de atividades no sistema do celular do ex-banqueiro permitiram que a PF chegasse a essa conclusão, embora as mensagens de visualização única do WhatsApp usadas na ocasião não deixem vestígios no próprio aplicativo.

    Os novos trechos da apuração contra o Banco Master vieram a público por decisão do também ministro do STF André Mendonça. A Folha procurou Moraes nesta terça, e ele ainda não se manifestou.

    A identificação das mensagens de Vorcaro a Moraes começou com a apreensão de um iPhone 17 Pro, durante a primeira prisão do então dono do Banco Master, em 18 de novembro de 2025.

    Infográfico da Polícia Federal mostra como foi feita a perícia do iPhone de Daniel Vorcaro - Reprodução/STF · Reprodução/STF
    Infográfico da Polícia Federal mostra como foi feita a perícia do iPhone de Daniel Vorcaro - Reprodução/STF · Reprodução/STF — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A criptografia do aparelho, que tem acesso protegido por senha ou biometria facial, foi quebrada com o uso de um software israelense chamado Cellebrite. A ferramenta, de uso restrito às forças policiais quando há decisão judicial, dá acesso a dados ocultos do sistema de iPhones —e também de smartphones Android.

    Mesmo que as mensagens de visualização única não fiquem no aplicativo, as autoridades conseguem saber quando o ex-banqueiro abriu um aplicativo como o bloco de notas, quando fez capturas de tela, quando enviou a mensagem e quem era o destinatário.

    Esses foram os "elementos de prova" empregados para embasar a "hipótese criminal", segundo os autos.

    Visual diferente, nova cela e transferência para Brasília: veja fotos de Daniel Vorcaro
    Visual diferente, nova cela e transferência para Brasília: veja fotos de Daniel Vorcaro — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com acesso aos arquivos, a PF recorre a um software próprio, chamado Iped, que organiza todos os arquivos de acordo com informações dos aplicativos para gerar relatórios. Desse modo, as autoridades conseguem inferir quais foram as mensagens enviadas no modo de visualização única.

    De acordo com a investigação, as autoridades listaram os logs, registros das atividades realizadas no aparelho (como o envio de uma mensagem no WhatsApp), e o histórico de uso de aplicativos, que aponta quando o usuário abriu o bloco de notas ou fez uma captura de tela.

    "Verificou-se um padrão de comunicação consistente no compartilhamento de mensagens no aplicativo WhatsApp, mediante capturas de tela de textos redigidos no aplicativo de notas do celular do remetente", diz a PF em relatório.

    Linha do tempo mostra sequência de eventos entre 16h28 e 16h33, incluindo início e fim do aplicativo de notas, captura de screenshot, criação de arquivo PDF, envio de mensagem para número de WhatsApp e fechamento do WhatsApp.
    Linha do tempo mostra sequência de eventos entre 16h28 e 16h33, incluindo início e fim do aplicativo de notas, captura de screenshot, criação de arquivo PDF, envio de mensagem para número de WhatsApp e fechamento do WhatsApp. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Foram analisados 31.975 logs e 43.298 usos de aplicativos, segundo a PF.

    Segundo o relatório, a análise cronológica demonstrou que o ex-banqueiro adotou, em diversas ocasiões, os seguintes passos em rápida sucessão: "A abertura do aplicativo Bloco de Notas, modificação do arquivo de notas, realização da captura de tela e concomitante geração de um arquivo PDF de idêntico teor na pasta temporária, fechamento do Bloco de Notas, abertura do aplicativo WhatsApp, envio de mensagem e, por fim, fechamento do WhatsApp."

    "Essa sequência ininterrupta de ações estabelece correlação entre a geração da imagem e o seu posterior envio a interlocutor específico", afirma o relatório da PF.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além dos prints, os agentes encontraram arquivos PDFs, que Vorcaro também gravou ao fazer a captura de tela. De acordo com as autoridades, esses documentos foram gerados de maneira involuntária e ficaram salvos temporariamente.

    "A presença de arquivos PDF com conteúdo idêntico ao dos blocos de notas capturados demonstra que tais textos foram efetivamente exibidos e manipulados no aparelho examinado, funcionando como registro involuntário deixado pelo próprio sistema e corroborando a dinâmica descrita", diz o relatório.

    Os prints do bloco de notas do então dono do Banco Master permitiram que as autoridades periciassem as mensagens de visualização única , segundo funcionários de WhatsApp e Signal (um concorrente que fornece tecnologia ao WhatsApp) ouvidos pela Folha sob condição de anonimato.

    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe
    (FILES) An illustration photograph taken on February 20, 2025 shows ChatGPT app and website are displayed on a phone and laptop screens, in a residential property in Guildford, south of London. The American company OpenAI announced on Septe — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A captura de tela deixa vestígios no aparelho em várias etapas: quando é tirada, quando é copiada e quando é colada em uma conversa.

    Caso Vorcaro tivesse tirado uma foto de uma anotação ou gravado um áudio usando as ferramentas do próprio app, o conteúdo não ficaria salvo no aparelho e teria sido criptografado de ponta a ponta —isto é, dependeria de uma chave para ser visualizado.

    O diretor-executivo do ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro), Fabro Steibel, afirma que o envio de uma mensagem única torna bastante difícil, senão impossível, apontar qual foi a mensagem já visualizada de maneira categórica —o que serviria de prova material.

    "Se, para além do WhatsApp, o usuário usou outros programas, é possível encontrar evidências circunstanciais", diz Steibel.

    Além de dar acesso aos dados de comunicação, a ferramenta permite que a PF saiba se a mensagem foi visualizada, além de dados como a rede wi-fi de acesso e a localização. Cada informação pode ser útil no reforço da tese das autoridades.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/09/entenda-como-a-pf-ligou-mensagens-de-vorcaro-no-whatsapp-a-moraes-mesmo-com-visualizacao-unica.shtml.

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    O ministro do STF Alexandre de Moraes, durante sessão da primeira turma do STF em junho - Pedro Ladeira/Folhapress · Pedro Ladeira/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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