Política

    Entenda como a IA entrou na rotina de deputados e senadores

    Ferramenta é usada para mapeamento de propostas e produção de conteúdo, mas congressistas mantêm cautela com dados falsos

    Poder360
    29 de agosto de 2026 às 10:00
    Entenda como a IA entrou na rotina de deputados e senadores
    Foto: Poder360

    Ferramenta é usada para mapeamento de propostas e produção de conteúdo, mas congressistas mantêm cautela com dados falsos

    A inteligência artificial virou uma espécie de “assessor invisível” no Congresso. Nos gabinetes, a ferramenta tem sido usada para pesquisar temas, resumir projetos, transcrever entrevistas, cruzar dados, preparar reuniões e até ajudar a produzir vídeos. O Poder360 ouviu congressistas para entender o que eles já entregam à IA –e o que preferem manter com a equipe.

    A equipe do senador Sérgio Moro (PL-PR) afirmou usar a IA só para produção e edição de imagens de apoio. A ferramenta não é usada para produzir textos para as redes sociais nem para automatizar comentários e respostas.

    Na imagem, ilustração do Congresso Nacional produzida com ajuda de IA
    Na imagem, ilustração do Congresso Nacional produzida com ajuda de IA — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O time da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) recorre à tecnologia principalmente para otimizar tarefas e produzir resumos. “É uma ferramenta que hoje faz parte do nosso dia a dia, mas que não substitui o cuidado que temos com a revisão dos textos na íntegra” , afirmou.

    O líder do Missão na Câmara, o deputado Kim Kataguiri (SP) disse que sua equipe usa IA para acompanhar a tramitação de projetos, levantar dados e desenvolver sistemas internos. Um aplicativo criado com vibe coding , por exemplo, permite identificar em qual comissão está uma proposta, quem é o relator e o presidente do colegiado e em que etapa de tramitação se encontra. A tecnologia também é usada na produção de conteúdo, edição de vídeos e criação de animações.

    Segundo Kataguiri, tarefas que antes levavam semanas podem ser feitas em cerca de 30 minutos. O deputado, porém, disse evitar usar IA para jurisprudência e elaboração de projetos de lei, por considerar que as ferramentas ainda não são confiáveis nesses campos.

    Há também quem tenha optado por não usar a tecnologia. O time de comunicação da deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) não usa IA e define o trabalho como “100% artesanal”. Segundo um assessor, a decisão é política e busca valorizar a criação profissional.

    Embora a tecnologia esteja presente em diversas etapas do trabalho parlamentar, a elaboração de projetos de lei continua dependendo majoritariamente de análise humana.

    A IA é usada principalmente como ferramenta de apoio à leitura e à organização de informações.

    A liderança do União Brasil no Senado utiliza a ferramenta para resumir projetos e textos extensos, analisar pontos positivos e negativos de propostas consideradas polêmicas e aprimorar conteúdos antes da publicação.

    A assessoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) recorre à IA principalmente para analisar proposições legislativas extensas e notas técnicas sobre temas muito específicos, que ultrapassam o conhecimento jurídico e de processo legislativo da equipe.

    O uso é concentrado no tratamento de documentos longos, na organização de informações e na análise inicial de matérias de maior complexidade técnica. A avaliação é que a ferramenta pode acelerar o trabalho das equipes e facilitar o acesso a informações relevantes para a atividade parlamentar.

    A liderança do MDB na Câmara, do deputado Isnaldo Bulhões (AL), utiliza IA para organização e checagem de informações. Segundo a equipe, a tecnologia traz mais agilidade para tarefas do dia a dia.

    A liderança do PL também usa a ferramenta como apoio para compilar e resumir informações, comparar projetos de lei e substitutivos, preparar reuniões e apresentações e analisar dados.

    O Podemos utiliza IA para pesquisas de temas específicos e para elaborar planilhas e tabelas a partir de dados compilados.

    O Republicanos na Câmara utiliza IA para:

    Na comunicação, porém, a preocupação é preservar a identidade dos políticos.

    A equipe do Republicanos desenvolveu o chamado “Método Voz Única”, criado pelo coordenador de comunicação. A ideia é produzir textos e conteúdos com características próprias de cada político e sem aparentar terem sido produzidos com ajuda de IA.

    Os partidos e gabinetes consultados afirmam que a IA é tratada como ferramenta de apoio, e não como substituta da análise política ou da decisão dos congressistas.

    Entre os principais riscos apontados estão informações incorretas ou desatualizadas, erros em pesquisas, tom de voz inadequado em roteiros e uma linguagem considerada excessivamente artificial ou engessada. As “alucinações” –quando a ferramenta apresenta informações falsas como se fossem verdadeiras– também são uma preocupação.

    A liderança do Republicanos alerta ainda que a facilidade de produzir textos pode provocar uma “enxurrada de propostas” sem densidade técnica ou personalidade.

    Por isso, o partido disse que nenhum documento produzido com auxílio de IA é publicado ou protocolado sem passar pela análise de 2 a 3 assessores. A equipe também diz não inserir dados pessoais ou sensíveis nas plataformas e realizar checagem em fontes oficiais para reduzir erros e vieses.

    Com a expansão do uso da tecnologia, os partidos também passaram a oferecer capacitação para assessores e políticos:

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-congresso/entenda-como-a-ia-entrou-na-rotina-de-deputados-e-senadores/.

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    Na imagem, ilustração do Congresso Nacional produzida com ajuda de IA — Foto: Poder360

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