Entenda a operação secreta que tirou Trump da Turquia após ameaça iraniana
O presidente Donald Trump embarcou no Air Force One, o avião presidencial, em 8 de julho como parte de um plano secreto. Leia mais (08/12/2026 - 16h11)

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O presidente Donald Trump embarcou no Air Force One, o avião presidencial, em 8 de julho como parte de um plano secreto.

No último dia da cúpula da Otan na Turquia , Trump subiu a escada da aeronave que deveria levá-lo no primeiro trecho de sua viagem de volta para casa. Acenou para as câmeras e desapareceu dentro de um dos icônicos 747 azul-claro que servem como Air Force One há décadas. Em seguida, saiu secretamente da aeronave , escondido dentro de um carrinho do serviço de bordo.
Trump foi, então, levado a um jato militar para um voo que o levou para fora da Turquia . O Air Force One com jornalistas, autoridades da Casa Branca, assessores e outras pessoas a bordo decolou apesar do que foi considerado uma ameaça plausível do Irã contra a aeronave .
Foi uma manobra destinada a proteger o presidente americano que está na mira do Irã há anos.

A ameaça mais recente surgiu quando Trump começava seu último dia na Turquia. Segundo duas autoridades a par do assunto, os serviços de inteligência dos Estados Unidos captaram, durante a noite, múltiplas informações: os iranianos sabiam exatamente onde o republicano estava hospedado, inclusive em qual andar, e alguém nas proximidades da cúpula da Otan havia sido visto com um míssil.
As autoridades americanas começaram a elaborar um plano. O general Dan Caine , chefe do Estado-Maior Conjunto, teve papel fundamental na avaliação da ameaça e na decisão sobre como reagir.
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Caine conhece bem esse tipo de tática: seu cargo anterior era o de representante do Pentágono junto à CIA. Ele ajudou a elaborar as táticas de despiste durante a Operação Midnight Hammer, quando forças americanas atacaram instalações nucleares iranianas em junho de 2025 .
Nem todos os que estavam no avião sem Trump desconheciam a situação. O secretário de Estado, Marco Rubio , sabia da ameaça e viajou na aeronave depois de ajudar a planejar a operação para retirar o presidente do solo turco, segundo duas autoridades americanas. Elas falaram sob a condição de anonimato para tratar de um assunto delicado.
Entre as outras autoridades de alto escalão estavam o secretário do Tesouro, Scott Bessent ; Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca; e Stephen Miller , vice-chefe de gabinete de Trump; além de vários outros funcionários da Casa Branca. Não ficou claro se todos sabiam da ameaça.

A elaborada farsa —noticiada primeiro pelo The Washington Post e que terminou sem que o Air Force One e o jato militar que transportava Trump sofressem qualquer dano— levantou questionamentos sobre os riscos assumidos para proteger o comandante em chefe.
Independentemente de os passageiros do avião deixado para trás por Trump saberem ou não da ameaça, eles foram expostos a riscos que o Serviço Secreto considerou grandes demais para o presidente.
Na noite de terça (11), em seus primeiros comentários sobre a operação, Trump disse que a decisão não havia sido dele. "Na verdade, isso cabe ao Serviço Secreto", afirmou a jornalistas após retornar de Ohio. "Eu apenas sigo o que eles preferem fazer. Eles queriam que eu viajasse em outro voo, em outro avião, por segurança."

Antes de deixar a cúpula, Trump escreveu em suas redes sociais que, "pelos velhos tempos", partiria a bordo do antigo Air Force One em vez do luxuoso 747-8 doado pelo Qatar .
Mais tarde, ele disse a jornalistas que enviaria o avião doado à Europa, para "duas ou três das grandes bases", a fim de exibi-lo aos militares que estavam lá.
Trump, então, embarcou pela parte dianteira da aeronave mais antiga, diante das câmeras e dos veículos de imprensa. Os jornalistas que viajavam com ele, entre eles o fotógrafo do New York Times Doug Mills, embarcaram pela parte traseira e receberam instruções para manter as janelas fechadas.

O que não se sabia naquele momento é que Trump aparentemente foi retirado daquele avião em um carrinho do serviço de bordo pelo lado oposto da aeronave.
Em seguida, foi levado a um terceiro avião, no qual voou de forma secreta para o Reino Unido. Essa terceira aeronave parece ter sido uma versão militar do Boeing 757 conhecida como C-32A, que estava estacionada ao lado do 747 Air Force One na Turquia.
Um vídeo do processo de partida mostra um carrinho do serviço de bordo sobre um caminhão afastando-se do antigo Air Force One e, em seguida, ao lado do C-32A.

As imagens analisadas pelo New York Times não mostram o carrinho de forma clara e ininterrupta, mas, aparentemente, ele é transportado de caminhão da parte dianteira do antigo Air Force One até a parte traseira do C-32A.
O novo Air Force One de Trump, a aeronave doada pelo Qatar , chegou horas antes dos outros dois aviões à base militar de Mildenhall, na Inglaterra . Segundo transmissões ao vivo e fotografias daquela noite feitas por entusiastas da aviação e analisadas pelo New York Times, ele chegou às 18h26, no horário local. O C-32A chegou às 22h20, e o antigo Air Force One chegou nove minutos depois, às 22h29.
Não há dados de voo registrados do C-32A, pois seus transmissores não estavam enviando sua rota e suas coordenadas.

Harry Moulton, fotógrafo de aviação que estava em Mildenhall e ouvia as transmissões do controle de tráfego aéreo em 8 de julho, disse ao New York Times que o Air Force One instruiu os controladores para que o C-32A pousasse primeiro.
Ao chegar a Mildenhall, Trump foi, então, levado também de forma secreta de volta ao antigo Air Force One. Segundo uma autoridade americana, o presidente foi transportado de carro do avião em que havia chegado até o antigo avião presidencial. Depois, embarcou por uma entrada diferente e desembarcou diante dos jornalistas, como normalmente faria.
Ele foi visto atravessando a pista, onde embarcou no avião doado pelo Qatar e voou de volta para Washington.

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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/entenda-a-operacao-secreta-que-tirou-trump-da-turquia-apos-ameaca-iraniana.shtml.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma entrevista coletiva após desembarcar do Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland - Kylie Cooper - 11.ago.26/Reuters · Kylie Cooper - 11.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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