Entenda a importância do estreito de Bab el-Mandeb na guerra do Irã
Os rebeldes houthis pró-Irã do Iêmen lançaram um ataque que ameaça o tráfego marítimo pelo estratégico estreito de Bab el-Mandeb, crucial para a Arábia Saudita desde o bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra no Irã. Leia mais (09/10/2026 - 12h16)

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Os rebeldes houthis pró-Irã do Iêmen lançaram um ataque que ameaça o tráfego marítimo pelo estratégico estreito de Bab el-Mandeb, crucial para a Arábia Saudita desde o bloqueio do estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra no Irã.

A passagem é uma das mais movimentadas do mundo e virou centro das atenções nas ofensivas dos houthis em um momento em que os combates se intensificaram no Iêmen, com centenas de mortos em ataques e represálias entre os insurgentes houthis e a Arábia Saudita.
Nesta quinta-feira (10), os houthis divulgaram que estenderam o domínio no estreito de Bab el-Mandeb, que liga ao Mar Vermelho ao Oceano Índico e era usado como alternativa para navios da Arábia Saudita transportarem petróleo. A situação causou uma disparada no preço do petróleo, que superou US$ 105 .
Conheça a importância do estreito de Bab el-Mandeb

Este estreito, cujo nome em árabe significa "Porta dos Lamentos", separa o Iêmen, na Península Arábica, do Chifre da África, e liga a Europa à Ásia através do Canal de Suez.
Tem aproximadamente 100 quilômetros de comprimento e 30 quilômetros de largura, estendendo-se entre a cidade de Ras Menheli, na costa iemenita, e Ras Siyyan, no Djibuti. Estes dois cabos marcam a fronteira entre o Mar Vermelho e o Golfo de Aden.
Petroleiros e navios mercantes procedentes da Ásia atravessam o estreito de Bab el-Mandeb para chegar ao Mar Vermelho e, em seguida, ao Canal de Suez e ao Mediterrâneo, e vice-versa.

Desde o início da guerra no Oriente Médio, a Arábia Saudita aumentou suas exportações de petróleo pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para contornar o bloqueio iraniano do estreito de Hormuz.
O tráfego pelo Canal de Suez caiu drasticamente em 2024, após os ataques dos houthis a navios que consideravam ligados a Israel.
Ainda não se recuperou. Entre janeiro e agosto de 2026, o tráfego representou pouco mais da metade do nível pré-crise, segundo dados do PortWatch do FMI analisados pela agência de notícias AFP.
Os houthis ainda não controlam diretamente o litoral que margeia o estreito de Bab el-Mandeb, mas na quarta-feira (9) tomaram Mocha, cerca de 70 quilômetros ao norte do estreito, e controlam o porto de Hodeida, mais ao norte.
Desde julho, impuseram um bloqueio marítimo à Arábia Saudita e atacaram vários de seus navios, mas negam a intenção de fechar o estreito de Bab el-Mandeb ou impor direitos de trânsito.
Segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, os houthis buscam aumentar o custo econômico e político da guerra para Riade, a fim de forçar a monarquia rica em petróleo a encerrar suas operações militares.
Antes da guerra no Oriente Médio, o estreito de Bab el-Mandeb já era uma importante artéria para o petróleo, responsável por 12% do fluxo global em 2023, segundo a EIA (Administração de Informação Energética dos EUA).
Os ataques dos houthis durante a guerra em Gaza reduziram drasticamente o tráfego marítimo na região, mas o fechamento do estreito de Hormuz pelo Irã tornou Bab el-Mandeb uma rota vital para a Arábia Saudita.
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As exportações de petróleo do porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, atingiram uma média de 3,8 milhões de barris por dia entre março e julho, aproximadamente cinco vezes o nível pré-guerra, de acordo com a empresa de dados marítimos Kpler.
Mas despencaram para 1,5 milhão de barris por dia em agosto, após os houthis retomarem seus ataques a navios sauditas.
Segundo Andreas Krieg, especialista em segurança do King's College London, "o maior perigo não é necessariamente o fechamento físico de Bab el-Mandeb, mas a incerteza persistente".
A guerra no Oriente Médio eclodiu em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, seguidos por ataques de represália de Teerã na região.
Inicialmente, os houthis permaneceram neutros, mas em julho permitiram que uma aeronave iraniana pousasse no Iêmen, apesar do controle saudita do espaço aéreo.
A resposta do governo apoiado pela Arábia Saudita rompeu o cessar-fogo acordado em 2022.
Desde então, os rebeldes impuseram um bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e intensificaram seus ataques contra seus navios e território.
O avanço em direção ao estreito de Bab el-Mandeb intensifica a ameaça às exportações de petróleo do Golfo.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/entenda-a-importancia-do-estreito-de-bab-el-mandeb-na-guerra-do-ira.shtml.

Imagem de satélite mostra o estreito de Bab el-Mandeb - Nasa Worldview/via Reuters · Nasa Worldview/via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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