Ensino técnico ajuda estudantes a escolher carreira profissional
A busca por colocação no mercado de trabalho e o desejo de formação prática atraem estudantes para a ensino técnico . Dados do Censo Escolar de 2025 mostram um avanço expressivo da modalidade -o país registrou 3.187.976 alunos, um salto de 24% em comparação a 2024. Desse total, a maioria - 2.188.893 estudantes- frequenta escolas públicas. Leia mais (08/25/2026 - 09h00)

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A busca por colocação no mercado de trabalho e o desejo de formação prática atraem estudantes para a ensino técnico . Dados do Censo Escolar de 2025 mostram um avanço expressivo da modalidade —o país registrou 3.187.976 alunos, um salto de 24% em comparação a 2024. Desse total, a maioria — 2.188.893 estudantes— frequenta escolas públicas.

A convivência com os pais, que atuam na indústria , influenciou a escolha de Kaique Medeiros, 17, por uma formação técnica. O estudante optou pelo curso de biotecnologia no Senai, conciliando os estudos técnicos com o ensino médio no Sesi.
Segundo o estudante, a experiência ampliou suas perspectivas profissionais e acadêmicas. "O ensino técnico foi um divisor de águas na minha trajetória."
Diferentemente de cursos livres de qualificação rápida, o ensino técnico é uma formação regulamentada pelo MEC (Ministério da Educação ) e obrigatoriamente atrelada ao catálogo nacional de cursos técnicos.

A legislação brasileira estabelece três caminhos para o funcionamento desses cursos. O estudante pode cursar a modalidade integrada (em que a formação geral e a técnica ocorrem na mesma escola e matrícula), a concomitante (duas matrículas diferentes no mesmo período escolar) ou a subsequente (voltada para quem já concluiu o ensino médio tradicional e busca especialização).
A maior parcela das matrículas da educação profissional está vinculada ao ensino médio, somando 1,2 milhão de registros. Essa classificação, incluída no Censo de 2025, representa uma mudança —nas redes públicas , as matrículas do ensino médio regular dedicadas a cursos técnicos articulados já representam 20% do total.
No caso de Kaique, o formato exige o cumprimento das disciplinas do ensino médio da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e das unidades específicas da profissão.

De dois a três dias por semana, Kaique divide sua carga horária entre as aulas do ensino médio no Sesi Tatuapé, na zona leste de São Paulo , e as práticas do curso de biotecnologia no Senai Bom Retiro, região central.
Cássia Cruz, gerente de educação do Senai-SP, explica que a obtenção do diploma técnico está vinculada à conclusão do ensino médio. "O nível de formação por curso técnico é equivalente ao nível de conhecimento que se tem que ter para conseguir desenvolver as competências previstas."
Os componentes de ciências e linguagens não atuam de forma isolada, mas sim aplicados à profissão, afirma. Além das aulas de gramática ou matemática , a educação técnica ensina também a comunicação, o desenho de projetos e o cálculo de medidas e outros pontos exigidos pelo mercado.

A introdução a esse ambiente corporativo costuma ser gradual. Roberto Xavier, gerente executivo de educação do Sesi-SP, ressalta que, na rede Sesi-Senai, o primeiro ano funciona como uma ambientação.
Antes de irem para os laboratórios, os estudantes passam por um módulo de base, em que aprendem a estruturar planos de negócios, simulam entrevistas de emprego e se habituam ao vocabulário do mundo do trabalho. A partir do segundo ano, a rotina vai para a parte prática.
O professor Hugo Ribeiro, coordenador de formulação e análise curriculares do Centro Paula Souza —instituição responsável pelas Etecs (Escolas Técnicas Estaduais) e Fatecs (Faculdades de Tecnologia ) em São Paulo—, defende essa metodologia baseada na resolução de problemas reais.

"A aprendizagem [no ensino técnico] fica mais significativa porque o aluno consegue aplicar o conhecimento e entende onde aquilo conversa com o ambiente profissional", afirma Ribeiro.
Uma das principais dúvidas em relação ao ensino técnico é se a modalidade limita o futuro acadêmico do estudante . Na prática, de acordo com Ribeiro, acontece o contrário: o índice de ingresso na faculdade entre alunos que fizeram o ensino técnico integrado é quase o dobro em comparação aos que cursaram o modelo tradicional.
"O ensino técnico ajuda a tomar decisões mais acertadas em relação ao ensino superior, porque o aluno já sabe as áreas em que quer se aprofundar ou não", afirma Ribeiro.

A experiência de Kaique confirma. Inicialmente, ele pretendia usar a biotecnologia como porta de entrada para a área de perícia criminal . Porém, a vivência o fez descobrir maior afinidade com a área de exatas.
"Fui descobrindo que tenho preferência e facilidade maior com o conteúdo de química, e foi para onde decidi seguir depois."
O estudante pretende ingressar na indústria química e dar continuidade aos estudos superiores. Para Kaique, a rotina dupla exige sacrifícios, mas o esforço antecipado é o que ajudará no caminho para a frente.
"É sobre se preparar para o vestibular enquanto faz o técnico. É um pequeno esforço agora para que no futuro você não tenha que se esforçar tanto."
Em São Paulo, escolas e faculdades de tecnologia do estado estão com processos abertos para pedidos de isenção.
Candidatos ao vestibular das Fatecs (faculdades de tecnologia) para o primeiro semestre de 2027 podem solicitar até 11 de setembro a isenção total ou parcial da taxa de inscrição.
Segundo o Centro Paula Souza, responsável pela administração das faculdades, o valor da taxa de inscrição para o processo seletivo é de R$ 90. Para realizar a inscrição, os interessados devem acessar o site do vestibular de 14 de setembro a 6 de novembro.
Podem pedir isenção candidatos que tenham concluído ou vão concluir o ensino médio em 2026, incluindo estudantes do EJA (Educação de Jovens e Adultos) e do CEEJA (Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos). Além disso, é necessário ter renda familiar bruta mensal de até dois salários mínimos (R$ 3.242).
Já a redução de 50% da taxa é destinada a estudantes matriculados no ensino fundamental, ensino médio, cursinho pré-vestibular, ensino superior ou pós-graduação. Para isso, o candidato deve ter renda mensal inferior a dois salários mínimos ou estar desempregado.
No caso das Etecs (Escolas Técnicas Estaduais), as inscrições para solicitar a redução da taxa de inscrição terminarão no dia 1º de setembro. O valor integral da taxa é de R$ 50.
Para solicitar a redução da taxa, o estudante deve acessar o site da Etec . Além disso, é necessário estar matriculado no ensino fundamental ou médio, em curso pré-vestibular ou curso superior, além de receber renda mensal inferior a dois salários mínimos ou estar desempregado.
A aprovação do benefício será divulgada em 15 de setembro. Por isso, os candidatos deverão aguardar o resultado da redução da taxa e, somente após isso, deverão se inscrever no vestibulinho. As inscrições para o processo seletivo vão até 3 de novembro.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/08/ensino-tecnico-ajuda-estudantes-a-escolher-carreira-profissional.shtml.

Kaique Medeiros, 17, que está no 3º ano do ensino médio no Sesi e faz o curso técnico de biotecnologia no Senai - Lucas Seixas/Folhapress · Lucas Seixas/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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