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    Encontro entre Trump e Xi afeta pouco o agronegócio do Brasil

    O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nesta quinta-feira (24) não muda muita coisa para o agronegócio brasileiro. Os Estados Unidos vêm perdendo mercado na China nos anos recentes. Embora Trump seja um dos responsáveis por isso, o setor produtivo americano está ficando para trás em relação ao brasileiro. Leia mais (09/23/2026 - 17h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 20:00
    Encontro entre Trump e Xi afeta pouco o agronegócio do Brasil
    Trump e Xi Jinping se cumprimentam encontro nesta quarta-feira (23) — Foto: Folha de S.Paulo

    A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

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    Trump e Xi Jinping se cumprimentam nesta quarta-feira (23) - Kenny Holston/Reuters · Kenny Holston/Reuters
    Trump e Xi Jinping se cumprimentam nesta quarta-feira (23) - Kenny Holston/Reuters · Kenny Holston/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nesta quinta-feira (24) não muda muita coisa para o agronegócio brasileiro. Os Estados Unidos vêm perdendo mercado na China nos anos recentes. Embora Trump seja um dos responsáveis por isso, o setor produtivo americano está ficando para trás em relação ao brasileiro.

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    Os Estados Unidos estacionaram na produção agropecuária na última década, e o Brasil avançou rapidamente. Mesmo que o representante chinês retire as taxas colocadas sobre os produtos agropecuários dos americanos, o Brasil vai continuar sendo o principal fornecedor da China.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Brasileiros e americanos concorrem basicamente com dois produtos no mercado chinês: soja e carnes. Se a China retirar a taxa de 10% sobre a soja dos Estados Unidos, o Brasil poderá perder espaço neste momento em que os americanos estão próximos da colheita, mas o volume importado pela China aumentou muito nos últimos anos, e tem de ser abastecido em grande parte pelo Brasil.

    Os americanos continuam estacionados na produção de 120 milhões de toneladas de soja por safra, e o Brasil já chega aos 180 milhões. A China aumenta as compras e as importações deverão atingir 115 milhões de toneladas neste ano. Uma recomposição de compra de soja americana pelos chineses elevaria os preços em Chicago, influenciando também o mercado brasileiro, que perderia, no entanto, a pressão dos prêmios nos portos.

    No setor de carnes, a liberação de mais frigoríficos dos Estados Unidos pela China aumenta o potencial de vendas dos americanos. A capacidade de exportação deles, no entanto, é limitada nesse setor. A produção de carne bovina cai, uma vez que os Estados Unidos estão com o menor rebanho desde a década de 1950. Se houver uma expansão das vendas externas dessa proteína pelos americanos, eles vão ter de buscar mais carne bovina no Brasil.

    As exportações de carne de frango dos Estados Unidos para a China também sofrem restrições. Só estão liberados os estados sem gripe aviária, uma doença que o país tem muita dificuldade em controlar. Só neste mês já são 16 novos casos em 4 estados, e as exportações só podem ocorrer 90 dias após a desinfecção dos locais afetados. Todo o território americano já foi afetado pela doença e desde a nova chegada dela ao país, em 2022, já foram sacrificadas 209 milhões de aves.

    O espaço para a colocação de carne de frango na China diminuiu, uma vez que o país reestruturou sua produção após a ocorrência da influenza aviária de 2017. De grande importador, o país vem elevando as exportações ano a ano.

    No setor de suínos, assim como já ocorre com o Brasil, as exportações americanas vão encontrar dificuldades. Os chineses refizeram seu potencial de produção depois da peste suína africana e, agora, estão abatendo matrizes para diminuir o excesso de oferta interna.

    Brasil e Estados Unidos disputam também o mercado chinês de algodão , setor que os brasileiros assumiram a liderança mundial de exportação, desbancando os americanos. A retirada da taxa pelos chineses pode tornar o produto americano mais competitivo, mas a regularidade de entrega e os preços da fibra brasileira ainda garantem mercado.

    Os chineses abriram mercado para os brasileiros no milho e no sorgo, outros dois produtos também disputados pelos americanos, mas as importações chinesas de cereais, principalmente as de milho, têm diminuído. Além de soja, carnes e algodão, os chineses são dependentes de celulose e açúcar —o Brasil é líder mundial na produção desses produtos, e os americanos têm presença menor no mercado externo.

    O governo Trump tem se mostrado altamente desfavorável para os produtores americanos e bastante favorável aos brasileiros. Em 2017, quando assumiu o primeiro mandato, as exportações americanas para os chineses no setor de agronegócio eram de US$ 20 bilhões; caíram para US$ 9,2 bilhões no ano seguinte e voltaram a se recuperar no governo de Joe Biden, atingindo US$ 38 bilhões em 2022. No ano passado, recuaram para US$ 8,3 bilhões.

    As exportações chinesas para os americanos neste setor, praticamente voltadas para produtos hortícolas, frutas processadas e chá, estão estáveis em US$ 4,5 bilhões nos últimos anos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2026/09/encontro-entre-trump-e-xi-afeta-pouco-o-agronegocio-do-brasil.shtml.

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