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    Empréstimo do Master é investigado em escândalo no futebol argentino

    Empréstimo do Master serviu como garantia para concessão que agora está no centro do escândalo na AFA

    Metrópoles
    10 de agosto de 2026 às 05:00
    Empréstimo do Master é investigado em escândalo no futebol argentino
    Foto: Metrópoles

    O “ caso Master ” chegou à Argentina. Em meio à crise envolvendo os governos Lula (PT) e Javier Milei, o ministério público argentino analisa propor uma cooperação internacional com a Polícia Federal brasileira para investigar a conexão entre alvos da Operação Carbono Oculto e irregularidades na concessão de um estádio na Argentina em que a seleção brasileira jogou três partidas de Copa do Mundo.

    A concessionária é uma dobradinha entre um braço da Reag e uma sociedade anônima argentina ligada a ex-dirigentes do Banfield, com financiamento do Master, e está senda investigada pela Justiça Argentina no âmbito do escândalo “ caso Sur Finanzas “, que trata de supostos crimes de lavagem de dinheiro, desvio de recursos e fraude bancária ligados à Associação de Futebol Argentino (AFA) e a esses dirigentes do Banfield.

    O que leva o Caso Master à Argentina é um empréstimo de R$ 450 milhões do Master à Revee, revelado pela coluna Demétrio Vecchioli no mês passado e investigado pela Polícia Federal em meio a uma lista de transações suspeitas do banco.

    Divulgação/governo de Mar del Plata
    Divulgação/governo de Mar del Plata — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A coluna obteve acesso exclusivo a documentos que mostram que, traduzida para o espanhol, esta cédula de credito bancário (CCB) do Master foi apresentada durante o processo de concessão como prova da capacidade financeira da Revee . A empresa brasileira também anexou declaração juramentada dizendo que US$ 26 milhões (R$ 148 milhões à época) repassados pelo Master já estavam reservados para obras na Argentina.

    Um ano após a Carbono Oculto e treze meses após a assinatura da concessão, a estádio em Mar del Plata, ao sul de Buenos Aires, tem ficado sem luz por falta de pagamento da conta de energia elétrica . As dívidas com fornecedores e trabalhadores já se aproximam da casa de R$ 5 milhões.

    À coluna, a Revee disse ter repassado sua participação a outra empresa há cerca de dois meses, já em meio às investigações no Brasil e na Argentina, e afirmou ter cumprido todas suas obrigações durante o período em que foi concessionária. Leia a nota completa no final da reportagem.

    Empréstimo do Master é investigado em escândalo no futebol argentino
    Empréstimo do Master é investigado em escândalo no futebol argentino — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A concessão do Parque Municipal de los Deportes Teodoro Bronzini é semelhante àquelas que se popularizaram no Brasil na última década para resgatar equipamentos esportivos deteriorados. Em Mar del Plata, na maior concessão já feita na cidade, fazem parte do pacote o Estádio José María Minella , o “ Mondialista “, construído para a Copa do Mundo de 1978 e palco dos três jogos da seleção na primeira fase do Mundial, e o ginásio Islas Malvinas , erguido para os Jogos Pan-Americanos de 1995 e sede da final da Copa Davis de 2008.

    Vencedora de dois processos semelhantes no Brasil e concessionária do ginásio Geraldão no Recife (PE) e da Arena Fonte Luminosa e do ginásio Gingantão em Araraquara (SP), a Revee se interessou pelos equipamentos argentinos, ambos em péssimo estado de conservação. Parte do José Mondialista está interditada desde 2021 sob risco de a cobertura desabar sobre as arquibancadas.

    Para participar da concorrência, a Revee criou uma nova empresa em dezembro de 2024: a Minella Stadium SA , constituída sob as leis argentinas . A companhia brasileira ficou como acionista majoritária, com o compromisso de aporte de capital e titularidade de 87,5% das ações . Os demais 12,5% ficaram com uma sociedade anônima, a Sociedad Expansiva S.A, detida por outras duas empresas de donos desconhecidos: a Pro Merchandising S.A. e Pro Entertainment S.A.

    Única a apresentar proposta, a Minella incluiu no envelope uma carta compromisso tanto do fundo Iduna, que financia a Revee, quanto da própria empresa, se comprometendo em aportar US$ 40 milhões no projeto. A promessa era transformar o estádio em uma arena “padrão Fifa” para 35 mil pessoas e deixar o ginásio em condições para ser casa de equipes profissionais de basquete.

    A comissão de licitação não achou suficiente e pediu mais documentos. A Revee então anexou a carta de crédito do Master, que foi emitida sob a promessa de que o dinheiro seria investido em dois projetos da empresa em São Paulo : a construção de uma arena multiuso no Anhembi e a reforma/ampliação do Estádio do Canindé, obras que a própria empresa dizia que custariam R$ 1 bilhão – os dois projetos foram abandonados.

    A concessão em Mar del Plata foi assinada em 24 de julho, mas a Revee só fez uma pequena intervenção no estádio: a instalação de alguns metros de grades. Em agosto, estourou a Carbono Oculto, que teve com um dos principais alvos o empresário João Carlos Mansur, presidente do conselho de administração da Revee. A Reag foi liquidada pelo Banco Central em janeiro.

    Já na Argentina, em dezembro, estourou o caso Sur Finanzas, operação que cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Associação Argentina de Futebol (AFA) e do vários clubes do futebol argentino . O principal alvo das investigações é Eduardo Spinosa, ex-presidente do Banfield.

    Spinosa também também era, até o mês passado, o presidente da Minella Stadium SA, empresa que virou concessionária em Mar del Plata graças ao dinheiro do Master. Por isso, a operação policial também cumpriu mandados de busca e apreensão em prédios públicos da cidade, atrás de documentos da concessão do Mondialista.

    Como uma cadeia de sociedades anônimas, o braço argentino da concessionária não tem seus donos conhecidos e a ligação com Spinosa só era sabida por ele ter representado a Minella em reuniões – a comprovação da ligação só foi comprovada com a publicação, no diário oficial argentino, da substituição dele no comando da empresa .

    Além dele, a Minella também era dirigida por Javier Schmidt e Diego Ávila, dois antigos executivos da Torneos (antiga TyC), pivô do Fifagate, e Jorge Di Prinzio, que foi tesoureiro do Banfield, e chegou a se apresentar à imprensa como “CEO” do Minella, posto que não ocupou oficialmente .

    Representantes da Mirada Ciudadana Asociación Civil, autora de uma ação que na justiça federal argentina, têm relatos de que a concessão envolve ainda Pablo Toviggino, tesoureiro da AFA e também alvo de investigações por lavagem de dinheiro e fraude bancária . O cartola teria sido um dos alvos de uma operação do FBI antes da viagem de volta da seleção argentina para casa após a Copa do Mundo .

    Na ação, apresentada por Cesar Adolfo, a Mirada acusa funcionários públicos de Mar del Plata a e administradores da Minella Stadium por administração fraudulenta e descumprimento dos deveres de funcionário público. No fim de julho, a entidade levou à levou à “fiscalia” (o equivalente ao nosso Ministério Público) de delitos econômicos de Mar del Plata um pedido para um pedido de cooperação judicial com o Brasil, já que as investigações se cruzam. Os procuradores ainda não responderam.

    A coluna procurou Eduardo Spinosa a partir de e-mails enviados ao escritório de advocacia que o defende, mas não recebeu resposta. Já a Revee informou ter vendido sua parte na concessionária:

    “ A REVEE informa que venceu a licitação em agosto de 2025, após comprovar sua capacidade econômico-financeira e atender integralmente aos requisitos estabelecidos no edital.

    Em relação ao projeto de Mar del Plata, a Companhia esclarece que cumpriu as obrigações que lhe cabiam durante o período em que esteve à frente da operação. O ativo deixou de integrar o portfólio da REVEE há aproximadamente dois meses e, portanto, a Companhia não responde por sua gestão atual.

    A REVEE esclarece ainda que não integra o Grupo Sur Finanzas nem mantém qualquer vínculo societário ou operacional com o grupo. A Companhia adota procedimentos de governança, compliance e diligência na avaliação de suas relações comerciais, com o apoio de assessores jurídicos especializados, incluindo a análise de sócios, fornecedores, parceiros e clientes “.

    Sobre não ter informado o mercado sobre a venda da participação na concessão em Mar del Plata, disse que “ a operação não representou uma venda de valor relevante, uma vez que foi realizada a custo, com a recuperação dos gastos incorridos no projeto, a ser efetivada em até três anos “.

    Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles .

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/demetrio-vecchioli/emprestimo-do-master-e-investigado-em-escandalo-no-futebol-argentino.

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