Empresas e moradores ocupam áreas públicas à venda às margens da Linha 17
Terrenos públicos ocupados por empresas e moradia particular estão à venda em plataforma do governo de SP e ganham potencial especulativo

A casa de um taxista que também funciona como pátio de guincho, uma oficina mecânica, um estacionamento e até uma loja de barcos de alto padrão ficam em endereços na zona sul da capital paulista que estão à venda na plataforma do Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo (FIISP) . Os terrenos são propriedades públicas e estão classificados pela plataforma como ocupações irregulares.
À venda desde 2013 e 2016, quando tiveram a alienação aprovada em lei, essas áreas ganharam um potencial especulativo no mercado imobiliário neste ano. Os terrenos ficam nos arredores da Linha 17-Ouro do Metrô , novo monotrilho que liga o Aeroporto de Congonhas à rede ferroviária, inaugurado em março de 2026.
Promessa para a Copa do Mundo de 2014, a obra do monotrilho foi destravada na gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) , e é usada como uma bandeira do mandato em peças de publicidade eleitoral. No domingo (4/10), Tarcísio disputa a reeleição e é favorito nas eleições, na qual tem como principal adversário o ex- ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) .

Os três imóveis — uma loja de barcos, um estacionamento com oficina e uma casa — estão em um raio de 700 metros de estações. A essa distância de pontos de metrô, os terrenos têm a capacidade construtiva quatro vezes maior do que a área total do imóvel, ou seja, uma grande possibilidade de verticalização, de acordo com a Lei de Zoneamento do município paulistano.
Barcos expostos em terreno público na Zona Sul de São Paulo
Loja funciona desde 2008 e autorização de terreno é de 2013

Terreno público funciona como estacionamento
Oficina é sediada em área pública à frente da Linha 17-Ouro
Casa de taxista próxima à Linha 17-Ouro do Metrô

Todos os ocupantes dos imóveis disseram à coluna que não são donos dos imóveis e que não saberiam como seria o futuro caso o Estado vendesse os terrenos. Em nota, o governo disse que uma venda eventual não implica desocupação imediata.
“A situação de cada ocupante é analisada individualmente, considerando existência de contratos, permissões, direitos de preferência ou demais relações jurídicas. Não existe previsão geral e automática de indenização ou reassentamento”, disse o governo em nota.
O governo também explica que não divulga valores de avaliação e laudos sobre os imóveis durante processos de alienação para garantir a competitividade ao processo e a oferta do melhor valor possível.





Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/ramiro-brites/empresas-areas-linha-17.

William Cardoso/Metrópoles — Foto: Metrópoles
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