Empresários e banqueiros pedem estabilidade a Lula e se queixam de juros altos
Convidados para um jantar no Palácio do Alvorada , empresários e banqueiros defenderam a necessidade de estabilidade econômica e institucional em jantar oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite de segunda-feira (31) em Brasília. Leia mais (09/01/2026 - 23h00)

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Convidados para um jantar no Palácio do Alvorada , empresários e banqueiros defenderam a necessidade de estabilidade econômica e institucional em jantar oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite de segunda-feira (31) em Brasília.

Ao ouvir queixas de seus convidados sobre taxa de juros , inadimplência e o loteamento político de agências reguladoras, Lula acenou com a promessa de corte de despesas, comprometendo-se a perseguir a meta de superávit apresentada pela equipe econômica para 2027.
O governo estima um superávit primário de R$ 18,6 bilhões em 2027, equivalente a 0,13% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo a proposta de Orçamento para 2027 apresentada nesta segunda-feira (31). Para honrar a promessa, o governo vai precisar entregar uma melhora nas contas de R$ 70,6 bilhões na comparação com este ano, quando há um déficit efetivo previsto de R$ 52 bilhões.
Também para afastar qualquer ameaça à autonomia do Banco Central , Lula afirmou que buscará garantir condições para a queda sustentada dos juros sob condução do BC (Banco Central).

O presidente tomou a iniciativa de negar rumores recorrentes nos bastidores de Brasília de que o chefe do BC, Gabriel Galipolo, estava sendo considerado um traidor no governo . Segundo relatos, Lula admitiu frustração com o ritmo de queda dos juros, mas disse contar com Galípolo.
Ainda segundo participantes, Lula pregou a necessidade de um compromisso dos outros poderes para o corte de despesas, para eliminar pautas-bomba e outras medidas de impacto fiscal. Ao lembrar que boa parte das despesas é engessada, Lula defendeu o crescimento da economia, chegando a propor que os comensais confiassem no consumo das classes C e D.
Convidados mais alinhados ao governo manifestaram preocupação com uma ameaça de instabilidade institucional no Brasil, o que permitiu que Lula apresentasse sua chapa como a garantia de crescimento com estabilidade.

O presidente disse que se sente incomodado ao ser questionado sobre seu compromisso com responsabilidade fiscal. Após ouvir a intervenção do vice-presidente Geraldo Alckmin em favor de um ajuste mais rigoroso, Lula sugeriu que as comparações começassem pelo perfil dos vices.
Ao reafirmar compromisso com responsabilidade fiscal, Lula mencionou os números do governo de Jair Bolsonaro ( PL ) como prova de seus esforços.
Afinado ao governo, um dos convidados apontou a composição da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e a atuação das milícias no Rio como uma demonstração do que poderá acontecer em caso de derrota.

Apesar das manifestações de apoio dos presentes, em uníssono, os convidados criticaram a taxa de juros e pediram ao presidente uma maior estabilidade para investir em projetos de desenvolvimento como a exploração de terras raras, do petróleo na Margem Equatorial, além de projetos relativos à transição energética e à reindustrialização.
Entre os banqueiros estavam Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco, Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco, e André Esteves, dono do BTG Pactual.
Ao citar o Congresso, Lula criticou emendas impositivas, usando como exemplo o caso de um senador abocanhar emendas num total de R$ 70 milhões.
Lula também ouviu críticas ao loteamento de agências reguladoras e de órgãos, como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Os empresários falaram de entraves burocráticos enfrentados nas agências. Em resposta, o presidente lembrou que o governo depende do Senado para a composição de diretorias, reconhecendo que isso dificulta muito uma gestão integrada entre os ministérios e agências.
Empresários relataram ao presidente elevado nível de inadimplência em seus setores. Lula disse que tem consciência e que vai fazer corte de despesas.
Um dos empresários chegou a afirmar que gostaria de andar nas ruas com tranquilidade, e Lula voltou a prometer a criação do Ministério da Segurança Pública. Fora do tema econômico, André Esteves defendeu a segurança das urnas e a lisura nas eleições .
Originalmente, o jantar desta segunda-feira não contaria com a participação de representantes do setor financeiro. Mas a lista de presenças teria sido ampliada após jantar oferecido por Marcelo Kayath , sócio da gestora QMS Capital e ex-diretor do banco de investimentos do Credit Suisse no Brasil, com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/empresarios-e-banqueiros-pedem-estabilidade-a-lula-e-se-queixam-de-juros-altos.shtml.

O presidente Lula (ao centro, de chapéu) conversa com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, entre outros auxiliares do governo, após participar de jantar com empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada nesta segunda (31) - Pedro Ladeira — Foto: Folha de S.Paulo
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