Empresários dizem esperar que STF solucione crise
A expectativa do empresariado sobre a crise do STF (Supremo Tribunal Federal) é a de que a corte encontre uma solução mais cedo ou mais tarde. Mas o conflito atual deixou a percepção de que os critérios de seleção dos ministros precisam ser revistos. Leia mais (09/15/2026 - 12h23)

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São Paulo A expectativa do empresariado sobre a crise do STF (Supremo Tribunal Federal) é a de que a corte encontre uma solução mais cedo ou mais tarde. Mas o conflito atual deixou a percepção de que os critérios de seleção dos ministros precisam ser revistos.

Nesta terça-feira (15), o colegiado analisa o relatório da PF (Polícia Federal) que aponta o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro .
Na opinião de Candido Bracher, membro independente do Conselho de Administração do Itaú e colunista da Folha , haverá pacificação. "Acho impossível que a crise não seja solucionada, pois isso implicaria uma total desmoralização do tribunal e a manutenção de um ambiente conflagrado que impede, na prática, o desempenho de suas funções", diz.
Assim também avalia Diego Barreto, CEO do iFood. Ele diz ver no ministro Edson Fachin , presidente do tribunal, a capacidade necessária para liderar as discussões. Para o executivo, o Supremo deverá ser recolocado no "lugar que é o dele, como grande referência da Justiça brasileira".

Barreto diz acreditar no poder das instituições no Brasil. "Nós já passamos crises no Executivo, no Congresso e fomos capazes de sair delas. É complexo, é difícil, gera muitos sentimentos em todo mundo. Mas acima de tudo, a gente precisa reconhecer que o Brasil, nesses últimos 30 anos foi capaz, ainda que com defeitos, ainda que com espaço para melhorar, de construir instituições fortes, poderosas", afirma.
A turbulência que se instalou dentro do STF na esteira do escândalo do Master é vista por representantes do setor privado como ameaça à segurança jurídica, podendo prejudicar os negócios e a atração de investimentos no país.
Sergio Zimerman, fundador da rede de varejo Petz, diz que aguarda ver a Suprema Corte agindo como se espera da instância máxima da Justiça, com imparcialidade, isenção, apuração sem favorecimentos, capaz de investigar o que for preciso e de punir na forma da lei quando necessário.

Empresários ouvidos pela reportagem veem necessidade de mudança no modelo de escolha dos ocupantes para as vagas que serão abertas no STF após a crise atual.
Para Zimerman, é ruim deixar a escolha restrita ao chefe do Executivo. "Acho que deveria ter uma lista tríplice, formada por OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] e talvez mais dois outros órgãos da sociedade, para encaminhar ao presidente que estiver no cargo. Ele teria essa lista tríplice e escolheria um dos nomes, não da forma como é hoje, que é muito aberta e sujeita a algum enviesamento", afirma.
Bracher diz esperar que o STF desempenhe seu papel constitucional com correção, eficiência e imparcialidade. "Que volte a ser a instituição exemplar que foi há não tantos anos atrás."

Na opinião dele, o ideal é que os próximos ministros sejam selecionados com base em seu saber jurídico e reputação ilibada e não em função de sua proximidade ou dever de lealdade ao presidente que os tenha indicado.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, também estima solução. Diz ver bons sinais nos gestos mais recentes de Fachin.
Sobre suas estimativas para o futuro da Corte, Salto pondera que depende que de quem vai ser o presidente eleito. "Como vai ter algumas trocas de ministros por aposentadorias, acho que as indicações serão relevantes. Mas eu sou otimista, acho que o Brasil tem instituições fortes, temos Constituição que deu grande papel para o Judiciário, o Ministério Público e órgãos de controle. Isso tem prós e contras", afirma.
"Às vezes, a gente vê um certo apagão de canetas no Executivo, mas temos segurança de que essas crises podem ser saneadas dentro do próprio jogo democrático."
Lawrence Pih, que comandou no passado um dos maiores processadores de trigo do Brasil, vê Fachin diante de um grande desafio. "O que está claro é a forma pouco republicana no modo de agir de alguns dos ministros", diz o empresário.
Pih avalia que Fachin esteve perplexo no início da crise e que tempestivamente chamou para si a pacificação da instituição. Mas pondera que é importante ter regras claras que estabeleçam limites de atuação dos ministros, desembargadores, juízes e seus familiares no âmbito jurídico para o bom andamento do Judiciário.
"Há quatro vagas a serem preenchidas no STF nos próximos anos. Dependendo de quem ganhe as eleições no mês que vem, a orientação do STF pode mudar. O embate ideológico no STF não vai arrefecer. Como instituição, o STF sofreu abalo significativo, mas isso não se restringe ao Judiciário. Comparado com Legislativo, seria a Branca de Neve", diz Pih.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/09/empresarios-dizem-esperar-que-stf-solucione-crise.shtml.

Sede do Master em São Paulo; escândalo de corrupção do banco desencadeou crise entre ministros do STF - Rafaela Araújo - 29.dez.25/Folhapress · Rafaela Araújo - 29.dez.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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