Empresário suspeito de agredir mulher é de família com negócios nos setores imobiliário e financeiro
O empresário Ivo Vel Kos, que foi preso no sábado (15) sob suspeita de agredir a mulher , teve o nome ligado a participação de festas durante a pandemia e também é investigado em um processo administrativo pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Leia mais (08/19/2026 - 04h00)

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O empresário Ivo Vel Kos, que foi preso no sábado (15) sob suspeita de agredir a mulher , teve o nome ligado a participação de festas durante a pandemia e também é investigado em um processo administrativo pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O caso de agressão contra a dentista Giulia Melo Falcão Vel Kos , 27, aconteceu na calçada da casa do empresário, que fica perto da avenida Faria Lima, na zona oeste de São Paulo. Ele atua há décadas no mercado financeiro, mas não é visto pelo empresariado como um profissional de destaque no setor.
A reportagem tentou contato com a defesa dele por email e mensagem de WhatsApp na manhã desta terça (18), mas não teve resposta.
Ivo Kos, 48, é herdeiro de uma família da classe alta paulistana, com negócios nos setores imobiliário e financeiro.

Seus pais, Olga e Wolf Vel Kos Trambuch, presidem o Instituto Olga, entidade que atua na inclusão de pessoas com deficiência para a elaboração de políticas públicas por meio de projetos nas áreas de esporte, artes e pesquisas aprovados em leis de incentivo fiscal.
O instituto divulgou comunicado em seu site dizendo que sua atuação "não se confunde com a vida privada ou com eventuais condutas individuais de pessoas ligadas, direta ou indiretamente, à sua diretoria".
"Preservar essa distinção não significa minimizar nenhuma situação, tampouco antecipar qualquer julgamento sobre os fatos. Significa reconhecer um princípio essencial de justiça: cada pessoa deve responder por seus próprios atos, e cada instituição deve ser avaliada por suas próprias práticas, valores, governança e resultados", afirma a nota.

Wolf Kos foi também um dos cerca de 250 nomes escolhidos pelo governo para fazer parte do chamado Conselhão de Lula no início do atual mandato do petista —um grupo de empresários, advogados, acadêmicos e sindicalistas criado para participar da interlocução entre governo e sociedade civil.
Já o nome do filho foi mais comentado quando participou de aglomerações na pandemia. No Réveillon de 2021, divulgou foto abraçado aos amigos sem máscara num restaurante em Trancoso, litoral da Bahia. Na mesma época, na capital paulista, a Polícia Civil abriu inquérito após uma denúncia da associação de moradores Ame Jardins, que afirmava haver barulho de festas na casa dele. O caso foi arquivado anos depois.
Em 2025, o nome do empresário teve nova repercussão quando a CVM abriu um processo para investigar irregularidades na aplicação de recursos de fundos de CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRAs (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) emitidos por uma de suas empresas, a securitizadora Virgo. Ivo Kos está na lista de acusados no processo.

No fim do ano, ele saiu da companhia, que passou a se chamar Riza Securitizadora.
Em junho deste ano, apresentou proposta para pagar multa de R$ 700 mil e deixar de exercer cargos de direção por alguns anos, mas acordo foi rejeitado. Com isso, o processo administrativo segue aberto.
Securitização é um processo que reúne créditos para transformá-los em títulos que podem ser negociados no mercado. Na prática, uma empresa que tem dívidas a receber pode antecipar esses recebimentos por meio de uma securitizadora ao transformá-las em um produto financeiro.
Os papéis gerados a partir desse mecanismo podem ser vendidos para investidores, que recebem o pagamento no futuro, com os juros embutidos, quando a dívida for quitada. Exemplo disso são os CRIs e os CRAs, títulos emitidos por securitizadoras, ligados a recebíveis do setor imobiliário e do agro, respectivamente. Ivo Kos tem participação em outras empresas, parte delas foi encerrada nos últimos anos. Entre as que estão ativas no cadastro da Receita Federal, é sócio da ER18 Consultoria Imobiliária, de compra e venda de imóveis, que tem como sócio David Leon Rubinsohn.
Há cerca de dois meses, Rubinsohn acusou Kos de agredi-lo dentro de uma sinagoga , puxando seus cabelos e mostrando uma faca, segundo boletim de ocorrência.
Ainda de acordo com relato, David auxiliou financeiramente Kos, que enfrentava uma crise financeira. Os repasses teriam ultrapassado R$ 1 milhão, com a promessa do sócio de quitar o valor posteriormente, o que não teria ocorrido.
Hoje, uma das empresas de Kos, a Felk Soluções Financeiras, tem dívida em torno de R$ 640 mil com a União.
A reportagem encontrou dois imóveis no nome do empresário, ambos em situação de alienação fiduciária com bancos, incluindo a casa onde mora na rua em que ele foi filmado agredindo a mulher .
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/empresario-suspeito-de-agredir-mulher-e-de-familia-com-negocios-nos-setores-imobiliario-e-financeiro.shtml.

Ivo Kos, empresário do setor financeiro, preso sob suspeita de agredir a esposa - Ivo Kos no Instagram · Ivo Kos no Instagram — Foto: Folha de S.Paulo
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