Empresário diz que 'Times Square' de SP ficará para 2027 e que críticas são 'cultura contra o lucro'
Álvaro Aoas afirmou que telões importados de R$ 42 milhões já estão na cidade e chamou suspensão judicial de

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Um dos idealizadores da "Times Square" de São Paulo , o empresário Álvaro Aoas chamou de "decepcionante" a decisão judicial que manteve a suspensão temporária da implantação de telões na esquina das avenidas Ipiranga e São João , no centro. "São Paulo fica fadada ao atraso", disse.

Segundo ele, a judicialização tornou inviável a inauguração do projeto em 2026. Isso porque a implantação dos painéis exige de três a quatro meses até o início da operação.
O empresário conversou com a Folha na saída do julgamento do recurso pela 7ª Câmara de Direito Público, no Palácio da Justiça. Ele aponta prejuízo com a situação, em razão do gasto de R$ 42 milhões com a compra e a importação dos painéis, guardados há meses em São Paulo.
Aoas destacou que o termo de cooperação é de três anos por ser um padrão para esse tipo de acordo, mas que a vontade é que dure muito mais. "Queria que fosse 50 [anos]", disse. Também rebateu críticas sobre o objetivo da proposta, chamando de "cultura contra o lucro".

Oficialmente, a iniciativa é chamada de "Boulevard São Paulo" ou "Boulevard São João" . A referência à Times Square de Nova York tem sido feita tanto pelos apoiadores quanto pelos críticos à proposta.
A iniciativa prevê a instalação de quatro painéis de LED , de até 1.000 m², na fachada dos edifícios Cine Paris República, Herculano de Almeida, Galeria Sampa e New York. A principal polêmica é o aval à veiculação de marcas, diante dos 20 anos de restrições impostas pela Lei Cidade Limpa .
A proposta foi apresentada pela FDB Digital Participações em 2025. A empresa é dos sócios da Fábrica de Bares, que tem diversos estabelecimentos no centro expandido, como o Bar Brahma, localizado na esquina do projeto.

A previsão era que a iniciativa fosse inaugurada em outubro, com programação temática no Natal —com feirinha, Papai Noel e árvore natalina no largo do Paissandu— e contagem regressiva nos telões durante o Réveillon. Inicialmente, havia planos de programação ainda na Copa do Mundo, frustrados pelo tempo de tramitação do pedido no âmbito municipal.
O empresário disse, ainda, que empresas demonstraram interesse em patrocinar o projeto. Ele defendeu que o tempo de 30% da projeção para exibição de marcas não seria para anúncios comuns, mas para o que chama de "arte digital patrocinada".
Além disso, refutou o questionamento judicial sobre a proporcionalidade do retorno financeiro para a empresa em comparação às contrapartidas, estimadas em R$ 7,6 milhões (como o restauro da fachada externa da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e de monumentos, entre outras intervenções). Nesse ponto, avaliou que críticos tratam o tema como se lucro fosse "pecado".
"Queria que tivessem 2.000 empresários buscando ter lucro no centro de São Paulo", defendeu. "É cada pensamento absurdo. É a cultura contra o lucro."
Álvaro Aoas também criticou o ex-subprefeito da Sé Andrea Matarazzo, um dos autores da ação que resultou na suspensão. "Não mora [no centro], não frequenta", disse. Também questionou o motivo de Matarazzo não criticar o painel de LED da sede da Fiesp, entidade em que é diretor. "Estranho, né?", disse. "Não quero deslegitimar o painel da Fiesp, quero deslegitimar o proponente da ação."
Procurado pela reportagem, Matarazzo afirmou que conhece o centro "sem explorá-lo comercialmente, e sim pelo patrimônio que lá existe". Destacou que tem empresa sediada no edifício Conde Luís Eduardo Matarazzo, na Sé, que visita diariamente.
"A história da minha família é ligada ao centro da cidade desde 1900", declarou. Ele destacou ter sido subprefeito da Sé e, também, secretário de Subprefeituras durante a implantação da Lei Cidade Limpa, na gestão Gilberto Kassab (então PFL, hoje PSD), há 20 anos.
"Continuo apenas a preservar os avanços importantes que a sociedade de São Paulo conseguiu", prosseguiu. Sobre os painéis da Fiesp, respondeu que exibem apenas conteúdo de utilidade pública e cultural, "jamais publicidade".
O acordo é para a instalação de quatro painéis eletrônicos, de 10 a 25 metros de altura. Foram fixadas condicionantes, entre elas:
Além dos telões em si, o projeto prevê a realização de eventos culturais ao ar livre. Isso inclui planos para restrição de tráfego previamente autorizada em fins de semana, como para apresentações musicais gratuitas abertas ao público em geral.
O prefeito Ricardo Nunes ( MDB ) defendeu a expansão do horário de funcionamento dos telões, assim como chamou anteriormente a decisão judicial de "canetada de uma pessoa só".
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/empresario-diz-que-times-square-de-sp-ficara-para-2027-e-que-criticas-sao-cultura-contra-o-lucro.shtml.

Montagem com possível resultado de instalação de parte dos painéis eletrônicos no projeto apelidado de "Times Square' paulistana - Instituto Sarasá · Instituto Sarasá — Foto: UOL
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