Empresa que financiou filme de Bolsonaro recebia dinheiro do crime organizado, segundo ministro
O ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou nesta quinta-feira (24) que a empresa Entre Investimentos, responsável por enviar ao exterior recursos ao filme " Dark Horse ", lavou dinheiro e ocultou patrimônio do crime organizado. Leia mais (09/24/2026 - 10h34)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Brasília O ministro da Fazenda, Dario Durigan , afirmou nesta quinta-feira (24) que a empresa Entre Investimentos, responsável por enviar ao exterior recursos ao filme " Dark Horse ", lavou dinheiro e ocultou patrimônio do crime organizado.

O grupo, que pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, foi alvo de operação da Receita Federal e do Ministério Público nesta quinta.
"Essa empresa recebe dinheiro do crime organizado, ajuda na estruturação e ocultação de patrimônio", afirmou o ministro, descrevendo a Entre como "entidade-chave na lavanderia do sistema financeiro nacional".
Segundo investigação da Receita, a Entre ajudou a dissimular a compra da usina de cana Itajobi, no interior de São Paulo, pela organização criminosa chefiada por Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.

Durigan também afirmou que os recursos enviados pela Entre ao exterior para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro podem ser oriundos de lavagem de dinheiro.
"Tudo indica que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade, vem de um mesmo bolso", respondeu, ao ser questionado se a verba enviada ao exterior para o filme poderia ser fruto de lavagem.
"Aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa [...]. É um trabalho de investigação identificar o que saiu desse fundo, seja para as delações que estão sendo feitas aqui em Brasília, seja para as apurações do Supremo, seja para as apurações em São Paulo [...], mas tudo indica que sim", completou.

O empresário Antônio Carlos Feixo Júnior, conhecido como Mineiro, assinou delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PRG) . Na delação, já homologada pelo ministro André Mendonça, do STF, ele contou que fazia remessas financeiras e consegua dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, do Banco Master .
Os recursos enviados ao exterior para bancar "Dark Horse" iriam para o fundo Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado de Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal suspeita que o dinheiro tenha custeado não apenas o filme, mas também as atividades do filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, que vive em autoexílio nos EUA.
Como mostrou a Folha , a investigação da PF aponta que a Entre Investimentos e Participações, de Mineiro, funcionava como um braço operacional de Vorcaro , ajudando no repasse de recursos definidos pelo banqueiro.

Na entrevista coletiva desta quinta-feira, o ministro Dario Durigan disse que o esquema criminoso investigado na terceira fase da Operação Carbono Oculto movimentou R$ 11,6 bilhões. Questionado outra vez sobre os recursos enviados ao filme "Dark Horse", Durigan disse que a Fazenda não está tratando especificamente desse tema, e que caberá às autoridades competentes esclarecer o caso.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://c-level.folha.uol.com.br/financas/2026/09/empresa-que-financiou-filme-de-bolsonaro-recebia-dinheiro-do-crime-organizado-segundo-ministro.shtml.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em reunião no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 5.ago.26/Folhapress · Pedro Ladeira - 5.ago.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

