Empresa é condenada por trabalho clandestino em porões de navios em Santos
Mundial Marítima Serviços e responsável terão de pagar R$ 150 mil por dano moral coletivo após investigação do MPT (Ministério Público do Trabalho)

A Justiça do Trabalho condenou a Mundial Marítima Serviços e seu responsável ao pagamento de R$ 150 mil por dano moral coletivo após uma investigação do MPT (Ministério Público do Trabalho) apontar irregularidades na contratação de trabalhadores para a limpeza de porões de embarcações no Porto de Santos, no litoral de São Paulo.
A decisão foi proferida pela 2ª Vara do Trabalho de Santos em uma Ação Civil Pública ajuizada pelo MPT. Segundo o órgão, a investigação identificou trabalhadores atuando sem registro em carteira, sem recolhimentos trabalhistas e previdenciários e sem garantias básicas de saúde e segurança.
De acordo com o MPT, a empresa utilizava um modelo de contratação baseado em trabalhadores classificados como “ eventuais ” ou “ freelancers ”.

Autos de infração lavrados por auditores do trabalho identificaram dezenas de pessoas que atuaram na limpeza de porões entre outubro de 2023 e janeiro de 2025 sem registro formal.
A investigação reuniu fiscalizações da Gerência Regional do Trabalho e Emprego, documentos da Autoridade Portuária de Santos , registros de acesso ao porto, contratos comerciais, relatórios produzidos pela própria empresa e depoimentos colhidos durante o processo.
O MPT também identificou situações em que trabalhadores da Mundial Marítima, que não possuía autorização para realizar a limpeza de porões , acessavam embarcações e áreas portuárias por meio de mecanismos considerados irregulares.

Segundo a investigação, eram utilizadas credenciais vinculadas a outras empresas credenciadas para a atividade, que subcontratavam os trabalhadores.
Documentos produzidos pela própria Mundial Marítima registraram a realização de serviços para diferentes embarcações e contratantes entre 2022 e 2024.
As normas da Autoridade Portuária de Santos determinam que a lavagem de porões de navios graneleiros deve ser realizada por empresas credenciadas ou pela tripulação da embarcação.

Durante depoimento judicial, Charly Gueiros Pereira admitiu não possuir o credenciamento e afirmou que organizava diretamente as equipes de trabalhadores e encaminhava os nomes às empresas contratantes.
Segundo o MPT, a atividade de limpeza de porões é considerada de elevado risco por envolver operações em espaços confinados, frequentemente realizadas em altura e com exposição a produtos químicos e outros agentes potencialmente nocivos.
A investigação apontou ainda ausência de exames médicos admissionais, falta de comprovação de treinamentos obrigatórios e fornecimento inadequado de EPIs (equipamentos de proteção individual).

Também foram identificados descumprimentos de normas regulamentadoras relacionadas ao trabalho em altura e em espaços confinados.
Para o MPT, as condições encontradas expunham os trabalhadores a riscos de acidentes , adoecimentos ocupacionais e morte.
Além dos riscos aos trabalhadores, o Ministério Público do Trabalho afirmou que a atuação irregular poderia gerar concorrência desleal no setor .

Segundo o órgão, empresas que deixam de registrar empregados, oferecer treinamentos, fornecer equipamentos de proteção e cumprir exigências de segurança podem reduzir seus custos e obter vantagem econômica em relação a concorrentes que seguem as obrigações legais.
Ao julgar a Ação Civil Pública, a Justiça do Trabalho reconheceu a ilicitude das condutas apontadas no processo, incluindo a prestação de serviços sem o credenciamento da Autoridade Portuária e o descumprimento de normas trabalhistas e de saúde e segurança.
Além da indenização de R$ 150 mil por dano moral coletivo, a sentença determinou que a Mundial Marítima Serviços Ltda. e Charly Gueiros Pereira não prestem, intermedeiem ou subcontratem serviços de limpeza de porões sem autorização e sem o cumprimento das exigências legais.

Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 5 mil por infração comprovada. Os valores da indenização serão destinados ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
A CNN Brasil não encontrou a defesa dos citados.
CNN Talks: Gesner Oliveira, professor da FGV, avalia a capacidade do Porto de Santos


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/empresa-e-condenada-por-trabalho-clandestino-em-poroes-de-navios-em-santos/.

A empresa utilizava um modelo de contratação baseado em trabalhadores classificados como “eventuais” ou “freelancers”. • 06/08/2025 - REUTERS/Jorge Silva · • 06/08/2025 - REUTERS/Jorge Silva — Foto: CNN Brasil
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