Empresa cobrada por assédio eleitoral responde ao MP: "Deixa o pau torar"
Segundo a denúncia, um comunicado nas redes sociais da empresa prometia folga aos trabalhadores caso um candidato ganhasse em 1º turno

Belo Horizonte – A Justiça do Trabalho determinou uma série de medidas para proteger a liberdade de voto dos empregados da empresa CP Locações & Transportes, sediada na capital mineira. A decisão vem após a empresa responder a uma cobrança do Ministério Público do Trabalho pela suspeita de assédio eleitoral dizendo: “Blz. Obrigado. Deixa o pau torar. O crime compensa.”
O Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais entrou com uma ação civil pública após receber denúncias de assédio eleitoral , com promessas de vantagem aos trabalhadores relacionada ao resultado do primeiro turno das eleições para a Presidência. Em resposta ao e-mail do MPT-MG, os responsáveis responderam com a frase que surpreendeu os servidores.
Segundo a denúncia, um comunicado nas redes sociais da empresa prometia folga aos trabalhadores na segunda-feira (5/10), após a eleição, caso determinado candidato fosse eleito em primeiro turno . A denúncia foi recebido no domingo (4/10).

O MPT expediu uma recomendação para que a empresa garantisse a liberdade de orientação política dos trabalhadores e recomendou que a empresa não praticasse qualquer ação que pudesse influenciar o voto “por meio de promessas de benefícios, pressão ou constrangimento”.
O MPT enviou a recomendação para a empresa, mas a surpresa veio com a resposta dos responsáveis que se limitaram a responder de forma desrespeitosa: “Blz. Obrigado. Deixa o pau torar. O crime compensa.”
Após a respostam e diante da recusa dos investigados em mudar a conduta, o procurador do Trabalho acionou o Poder Judiciário.

“Não houve alternativa para o MPT senão recorrer imediatamente à Justiça para proteger a liberdade de voto dos trabalhadores”, explica o procurador do Trabalho Rafael Albernaz Carvalho.
A medida de urgência foi decidida com base nas análises feitas no pedido do MPT. A juíza Mariana Carvalho de Resende Cota destacou que “a promessa de folga condicionada ao resultado da eleição é incompatível com a liberdade de convicção política e de voto dos trabalhadores” , cita nota.
A decisão também levou em consideração a resposta recebida “em tom de deboche” , o que reforçou a necessidade de intervenção imediata da Justiça, com o objetivo de impedir que a empresa continue ou repita a conduta .
A juíza considera que há indícios de assédio eleitoral no caso.
“O voto, garantido pela democracia, é um direito do trabalhador. Não cabe ao empregador influenciar essa escolha nem utilizar a relação de trabalho para pressionar trabalhadores a votar em determinado candidato”, alerta o procurador.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/empresa-cobrada-por-assedio-eleitoral-responde-ao-mp-deixa-o-pau-torar.

Arte/Metrópoles — Foto: Metrópoles
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