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    Empreiteiras entram na terceira onda da construção industrial

    A forma de erguer prédios está mudando e há um choque de tendências entre sistemas construtivos, bem exemplificado no mercado imobiliário de São Paulo . De um lado vigora o método artesanal, com uso abundante de concreto e alvenaria. De outro, o industrial, no qual imperam as paredes de drywall -feitas com placas de gesso, às vezes recheadas de lã de rocha- que servem para isolar os apartamentos e delimitar seus espaços internos. Leia mais (09/28/2026 - 17h05)

    Folha de S.Paulo
    28 de setembro de 2026 às 20:05
    Empreiteiras entram na terceira onda da construção industrial
    Vista ampla da cidade de São Paulo com diversos prédios altos residenciais e comerciais sob céu parcialmente nublado. Ruas e árvores aparecem entre os edifícios, mostrando área urbana densa. — Foto: Folha de S.Paulo

    As camadas de história encobertas em construções, ruínas e paisagens, por Vicente Vilardaga

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    Skyline de prédios na Vila Mariana, zona sul de SP, mais um bairro onde tecnologias concorrem - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress
    Skyline de prédios na Vila Mariana, zona sul de SP, mais um bairro onde tecnologias concorrem - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A forma de erguer prédios está mudando e há um choque de tendências entre sistemas construtivos, bem exemplificado no mercado imobiliário de São Paulo . De um lado vigora o método artesanal, com uso abundante de concreto e alvenaria. De outro, o industrial, no qual imperam as paredes de drywall —feitas com placas de gesso, às vezes recheadas de lã de rocha— que servem para isolar os apartamentos e delimitar seus espaços internos.

    Há outras tecnologias construtivas industriais com demanda crescente. Existem os pilares, vigas e lajes pré-fabricados e pré-moldados de concreto, montados no canteiro de obras. Outro exemplo é o chamado steel frame, que substitui os tijolos e blocos por uma estrutura de aço galvanizado e suporta casas e prédios de poucos andares.

    "Há falta de mão de obra em todos os níveis e as construtoras estão procurando técnicas de montagem mais secas e limpas", diz o arquiteto e urbanista Gustavo Garrido, presidente da Asbea-SP (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – São Paulo). "O que se busca é sustentabilidade." Existe uma reflexão entre os empreiteiros sobre qual método é mais vantajoso em termos de eficiência, custos e retorno sobre o investimento.

    Sala de casa em Santana do Parnaíba que utiliza as tecnologias steel framing e drywall - Mateus Bruxel/Folhapress · Mateus Bruxel/Folhapress
    Sala de casa em Santana do Parnaíba que utiliza as tecnologias steel framing e drywall - Mateus Bruxel/Folhapress · Mateus Bruxel/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na estimativa de Garrido, considerando os prédios em construção na cidade hoje, a proporção de uso entre as soluções artesanais e industriais é de seis para quatro.

    Existem entraves de custo para o método industrial, mais caro do que o tradicional. Outro problema é o tempo que leva o projeto, considerado longo. Há também o preconceito de muitos consumidores —que não querem morar em um apartamento com paredes de drywall— e críticas à padronização dos edifícios.

    Segundo o arquiteto, esse preconceito está diminuindo em função de benefícios práticos. "A construção industrial é mais leve, alivia o custo da estrutura, sem contar que é limpa porque produz poucos resíduos", afirma. "Além disso, tem mais resistência térmica e acústica."

    Sala de estar com sofá cinza claro de frente para lareira revestida em pedra escura com TV acima. Escada branca com corrimão de metal ao fundo, mesa redonda com cadeiras brancas ao lado. Grandes janelas permitem entrada de luz natural, piso
    Sala de estar com sofá cinza claro de frente para lareira revestida em pedra escura com TV acima. Escada branca com corrimão de metal ao fundo, mesa redonda com cadeiras brancas ao lado. Grandes janelas permitem entrada de luz natural, piso — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nessas novas construções , o banheiro chega semipronto, como um módulo. Basta instalá-lo e conectá-lo. Janelas e portas estão pré-montadas e exigem o mínimo de mão de obra para fazer os ajustes. É preciso apenas encaixá-las. Os defensores do novo sistema dizem que o tempo prolongado do projeto é compensado com folga pelo ganho de racionalidade na execução.

    Garrido afirma que o prazo de desenvolvimento do plano industrial de obra é de 20% a 30% mais longo do que o tradicional. Em compensação, a construção chega ao fim em pelo menos um terço do tempo.

    O drywall é uma tecnologia que chegou ao Brasil no final dos anos 1980 para ser usada em escritórios e prédios comerciais e há pouco mais de uma década começou a aparecer em edifícios residenciais na cidade. Costuma ser muito utilizada nos retrofits , por exemplo.

    Garrido afirma que as construções industriais estão na sua terceira onda, vão bem além do drywall e incluem o banheiro pronto, estruturas pré-fabricadas e componentes produzidos fora do canteiro de obra. Ele calcula que para erguer um edifício de 24 andares pelo sistema tradicional seriam necessárias de 100 a 200 pessoas no processo. Com as novas tecnologias esse número pode ser reduzido a um terço.

    Também mudam os perfis dos trabalhadores: a mão de obra mais especializada substitui a comum. Segundo o arquiteto, o setor sofre com escassez de funcionários , desde o nível mais baixo, do pedreiro, passando pelo intermediário, do mestre de obras, e chegando aos gerentes e aos escritórios de arquitetura. Acontece um crescimento robusto do mercado imobiliário na cidade e a maioria dos profissionais dessa área está empregada.

    Além disso, há uma rejeição à profissão de pedreiro nas novas gerações, em parte porque o profissional é exposto a um ambiente insalubre e aos piores efeitos das ondas de calor e das mudanças climáticas. A Asbea realiza, entre os dias 31 de setembro e 1º de outubro, das 9h às 18h, no Distrito Anhembi, a 2ª edição de seu seminário anual, cujo tema é a sustentabilidade.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/andancas-na-metropole/2026/09/empreiteiras-entram-na-terceira-onda-da-construcao-industrial.shtml.

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    Skyline de prédios na Vila Mariana, zona sul de SP, mais um bairro onde tecnologias concorrem - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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