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    Emissão de precatório dispara e vai de 'meteoro' a problema fiscal estrutural

    O valor dos precatórios federais expedidos pela Justiça cresceu 36% no período de 2022 a 2026 em relação aos cinco anos anteriores, o que representou uma despesa adicional de R$ 20 bilhões a mais por ano para o governo.

    UOL
    30 de setembro de 2026 às 03:00
    Emissão de precatório dispara e vai de 'meteoro' a problema fiscal estrutural
    Foto: UOL

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    O valor dos precatórios federais expedidos pela Justiça cresceu 36% no período de 2022 a 2026 em relação aos cinco anos anteriores, o que representou uma despesa adicional de R$ 20 bilhões a mais por ano para o governo.

    Sede do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) - Gil Ferreira-13.set.22/Agência CNJ · Gil Ferreira-13.set.22/Agência CNJ
    Sede do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) - Gil Ferreira-13.set.22/Agência CNJ · Gil Ferreira-13.set.22/Agência CNJ — Foto: UOL · Fonte: UOL

    É que mostra um relatório divulgado pela IFI (Instituição Fiscal Independente), que aponta 2022 como o ano de aceleração dessas obrigações para um novo patamar.

    Não foi identificada até o momento uma explicação para o aumento dessa despesa, que em 2021 foi classificada pelo então ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro (PL), Paulo Guedes , como um " meteoro " contra as contas públicas.

    Nesta semana, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes pediu uma inspeção extraordinária nos tribunais regionais federais para rastrear possíveis irregularidades em precatórios. Após o pedido, o presidente do STF e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Edson Fachin, determinou medidas de aperto no controle e na fiscalização que devem ser adotadas por todos os tribunais do país.

    Entenda os precatórios
    Entenda os precatórios — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Os dados apresentados pela IFI mostram que o volume de precatórios federais expedidos pela Justiça cresceu mais de 300% nos últimos 16 anos, desde o final do governo Lula 2. Em termos de valores, houve crescimento de 50%, já descontada a inflação do período.

    "Nos últimos anos, as despesas de Precatórios e de Requisições de Pequeno Valor passaram a ocupar um espaço importante nas despesas públicas federais", diz o relatório assinado pelos analistas da IFI Dalmo Palmeira, Gustavo Queiroz e Tallita Andrade.

    "Observa-se uma mudança estrutural de patamar dessa despesa a partir de 2022, tanto do lado dos pagamentos, quanto do estoque, bem como da expedição de novos precatórios."

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    Precatórios são requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário para cobrar de municípios, estados ou da União, assim como de autarquias e fundações, valores devidos após condenação judicial definitiva.

    As RPVs (Requisições de Pequeno Valor) são aquelas de até 60 salários mínimos (R$ 97.260), que a União deve pagar em até 60 dias da data da decisão judicial.

    Para a IFI, entidade ligada ao Senado, o aumento não reflete uma oscilação conjuntural, mas um novo nível de despesa a ser considerado no planejamento orçamentário dos próximos anos.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O valor de precatórios a ser pago é estimado pelo governo em R$ 122,3 bilhões em 2026 —valor que supera o recorde de R$ 78,5 bilhões do ano passado— e R$ 97,7 bilhões em 2027.

    O crescimento do estoque de precatórios não quitados, que chegou a R$ 350 bilhões em 2025, não decorre de represamento nos pagamentos, mas da aceleração da emissão de novos papéis, tanto em valor, quanto em quantidade, segundo a instituição.

    A entidade diz que essa tendência de crescimento não se explica por um único tipo de precatório, embora se destaque o aumento daqueles ligados a benefícios da Previdência Social, que respondem por mais da metade dos valores expedidos anualmente pelo Judiciário contra a União.

    Em 2022, boa parte do aumento nos precatórios expedidos estava ligada ao Fundef (antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério). Na época, essas dívidas responderam por 30% do total. Nos últimos dois anos, tiveram participação pouco acima de 15%. Para a IFI, essas ações não explicam integralmente a mudança de patamar ocorrida desde 2022.

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    Em 2021, Paulo Guedes disse que a despesa com precatório havia se tornado um "meteoro" que poderia "atingir a terra", e que era preciso "disparar um míssil" para evitar a colisão.

    O resultado foi a aprovação da chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do Calote , que criou um valor máximo para pagamento no ano.

    O objetivo na época era abrir espaço no Orçamento para novas despesas no ano eleitoral de 2022, no governo Jair Bolsonaro (PL).

    O governo atual quitou os valores de 2021 e 2022, depois que o STF considerou inconstitucional o teto imposto aos precatórios pela gestão anterior e autorizou o pagamento do estoque acumulado por fora das regras do arcabouço fiscal.

    A IFI alerta ainda para o problema dos precatórios emitidos contra estados e municípios. Dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) mostram que 79% dos valores não pagos no final de 2025 eram dívidas estaduais e municipais.

    As três maiores dívidas na época, segundo o Mapa dos Precatórios do CNJ, eram do Município de São Paulo (R$ 71,7 bilhões), da União (R$ 68,8 bilhões) e do estado de São Paulo (R$ 40,7 bilhões).

    Para a entidade, o principal ponto de atenção para a política fiscal está na necessidade de compreender e tentar "mitigar os fatores que vêm acelerando a expedição de novos precatórios desde 2022 —sob pena de que novas regras constitucionais de contenção venham a produzir, mais uma vez, apenas um alívio temporário sobre um problema estrutural".

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/emissao-de-precatorio-dispara-e-vai-de-meteoro-a-problema-fiscal-estrutural.shtml.

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