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    'Emergência 53' leva drama hospitalar às ruas e sacode limites do gênero

    Drama de hospital é quase um gênero em si, e um bem prolífico. A diferença de "Emergência 53" , que estreou no Globoplay no fim de agosto e agora está com todos os dez episódios no ar, é tirar a ação dos corredores hospitalares e levá-la às ruas do Rio de Janeiro , onde atende a equipe que dá nome à série. Leia mais (09/03/2026 - 23h03)

    Folha de S.Paulo
    4 de setembro de 2026 às 02:03
    'Emergência 53' leva drama hospitalar às ruas e sacode limites do gênero
    Foto: Folha de S.Paulo

    Secretária-assistente de Redação, foi editora do Núcleo de Cidades, correspondente em Nova York, Genebra e Washington e editora de Mundo

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    Veja cenas da série 'Emergência 53', com Fernanda Montenegro e Yara de Novaes
    Veja cenas da série 'Emergência 53', com Fernanda Montenegro e Yara de Novaes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Drama de hospital é quase um gênero em si, e um bem prolífico. A diferença de "Emergência 53" , que estreou no Globoplay no fim de agosto e agora está com todos os dez episódios no ar, é tirar a ação dos corredores hospitalares e levá-la às ruas do Rio de Janeiro , onde atende a equipe que dá nome à série.

    De resto, a produção da Conspiração não procura invencionices. Ampara-se em um elenco bem escolhido que dá vida a personagens densos e nuançados, frutos de um texto inteligente e uma direção precisa. O resultado é um drama intenso, que acelera os batimentos de quem vê, mas econômico em sentimentalismo e muito atual, assinado por Márcio Maranhão —o consultor médico por trás de "Sob Pressão" —, Cláudio Torres e Andrucha Waddington.

    Direção, dividida entre os dois últimos com Pedro Waddington e Rebeca Diniz, e edição fogem do aspecto novelesco do gênero mesmo ao lidar com morte, crime (não se pode falar do Rio sem isso), desigualdade e dilemas pessoais tão variados quanto verossímeis.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com duas protagonistas, a obra tem nas personagens femininas seu motor principal —aos masculinos, coube uma ou duas doses de clichês.

    Irene, uma médica experiente à frente da unidade de emergência, está às voltas com as doenças da mãe idosa e com a precariedade das condições de trabalho da equipe de desgarrados que escolheu. Entre colegas e pacientes, ela lida com gente ferrada, basicamente. Gente com transtornos, com processos e passado no crime.

    No papel, Yara de Novaes , atriz mais vista nos palcos do que nas telas, está imensa. Sem escorregar nos maneirismos em que tantos recaem ao retratar mulheres em posição de comando, ela traz o comedimento e o calor humano ao papel que funcionam como condutor elétrico das cenas.

    A coprotagonista é Manu, uma novata de família rica posta na unidade pelos pais, que a obrigam a encarar as desgraças da vida a fim de demovê-la de virar enfermeira de guerra. Valentina Herzage , de "Ainda Estou Aqui" , condensa bem esse choque de mundos.

    O resto da trupe é igualmente disfuncional, a começar por Pedro ( Emílio Dantas ), o médico bipolar assombrado pelo suicídio da mãe, e Glória ( Heloísa Jorge ), a médica que emergiu da Maré com o sonho de ajudar gente pobre, embora negligencie o próprio filho. Os dois se escondem na hipercompetência.

    Contam com Átila (William Nascimento), enfermeiro militar evangélico com problemas para conter seus ímpetos de violência; Vanessa (Raquel Villar), enfermeira que serve de arrimo emocional a Pedro e almeja ser médica; e os motoristas Vandam ( Jaffar Bambirra ) e Duda ( Ana Hikari ), ele filho de um assaltante de bancos, ela com histórico de prostituição.

    Cada um deles tem a vida desdobrada em um dos episódios desta primeira temporada, o que permite ao roteiro extravasar os enredos hospitalares e se embrenhar por temas como violência doméstica, crime organizado, corrupção e outros traumas nacionais.

    As participações especiais são um deleite: Fernanda Montenegro (como a mãe de Irene, uma senhora cuja idade não inibe os vícios ), Júlia Lemmertz, Stepan Nercessian, Antônio Grassi, Evandro Mesquita. A produção nacional mantém-se em alto nível há anos, mas desde a estreia de "Justiça" , em 2016, não aparecia uma série com tamanha força por aqui.

    Voltei à resenha de "Fúria" após o episódio final e coloquei a quinta estrela.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lucianacoelho/2026/09/emergencia-53-leva-drama-hospitalar-as-ruas-e-sacode-limites-do-genero.shtml.

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