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    Embrapa pede a presidenciáveis mais recursos e estabilidade para ciência

    Agenda da estatal para o próximo governo reúne seis prioridades, entre elas pesquisa, adaptação climática, abertura de mercados, inclusão produtiva, integração entre ministérios e digitalização do campo

    CNN Brasil
    19 de agosto de 2026 às 20:56
    Embrapa pede a presidenciáveis mais recursos e estabilidade para ciência
    Foto: CNN Brasil

    A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) quer que os candidatos à Presidência da República assumam o compromisso de ampliar e dar estabilidade aos investimentos em ciência, tecnologia e inovação para o agro brasileiro . A recomendação faz parte de uma agenda estratégica elaborada pela estatal para os futuros ocupantes dos Poderes Executivo e Legislativo.

    O documento, divulgado nesta terça-feira (18), não estabelece um valor para o próximo governo, mas a defesa por mais previsibilidade ocorre após anos de restrição dos recursos discricionários da empresa.

    Em 2023, a Embrapa afirmava precisar recompor o orçamento discricionário para R$ 320 milhões , mas operou o ano com R$ 170,3 milhões . Em 2026, os recursos discricionários de custeio para projetos de pesquisa e manutenção chegaram a R$ 371,5 milhões , segundo a Carta Anual da empresa.

    Documento cita seis pontos prioritário para a pesquisa agropecuária • Divulgação · • Divulgação
    Documento cita seis pontos prioritário para a pesquisa agropecuária • Divulgação · • Divulgação — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Embrapa também destaca o peso econômico da pesquisa. O agronegócio brasileiro movimentou R$ 3,20 trilhões em 2025, equivalente a 25,1% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto o PIB agropecuário, dentro da porteira, alcançou R$ 775,3 bilhões . Segundo a estatal, cada R$ 1 investido na Embrapa retorna R$ 27,12 à sociedade brasileira.

    A empresa destaca ainda que a continuidade dos investimentos é necessária porque os resultados da pesquisa agropecuária são construídos no longo prazo.

    O documento cita tanto o desenvolvimento de novas tecnologias quanto a chamada pesquisa de manutenção, necessária para enfrentar a evolução de pragas e doenças, as mudanças climáticas e a obsolescência tecnológica.

    Brasil pode deixar reciprocidade contra EUA para 2027, diz Márcio Rosa
    Brasil pode deixar reciprocidade contra EUA para 2027, diz Márcio Rosa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Embrapa ressalta que os pontos apresentados não têm caráter prescritivo ou operacional . A intenção, segundo a empresa, é subsidiar a construção de uma agenda de Estado para a agricultura brasileira, com políticas de longo prazo e baseadas em ciência e inovação.

    Conheça os seis pleitos listados no documento:

    A primeira prioridade da Embrapa é fortalecer a governança interministerial das políticas agroambientais. A proposta é integrar áreas como segurança alimentar, clima, energia e comércio exterior, reduzindo a fragmentação entre as políticas públicas.

    Congresso da Abag discute integração de agro e indústria
    Congresso da Abag discute integração de agro e indústria — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Na avaliação da empresa, os desafios da agricultura estão cada vez mais conectados. A produção precisa responder ao mesmo tempo às mudanças climáticas, às demandas por energia, à segurança alimentar e às exigências dos mercados internacionais.

    A segunda frente é justamente a ampliação e estabilidade dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação agropecuária. A Embrapa cita como áreas prioritárias a biotecnologia, agricultura de precisão, sistemas digitais, melhoramento genético e soluções baseadas na natureza.

    A empresa não estabelece, na agenda aos presidenciáveis, uma cifra para o orçamento futuro. O argumento é de previsibilidade: a pesquisa agropecuária depende de continuidade para gerar ganhos de produtividade e reduzir impactos ambientais ao longo do tempo.

    Agro ganha espaço na transição energética
    Agro ganha espaço na transição energética — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Embrapa também defende uma estratégia nacional de adaptação e mitigação das mudanças climáticas na agricultura . Entre as prioridades estão gestão de riscos climáticos, seguros agrícolas, recuperação de áreas degradadas, intensificação sustentável e captura de carbono no solo.

    A empresa afirma que a ciência deve antecipar os possíveis efeitos do clima sobre a produção. O documento cita o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) e a FBN (Fixação Biológica de Nitrogênio) como exemplos de tecnologias que ajudam a aumentar a resiliência da agropecuária.

    Entre as tecnologias apresentadas está a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), além da recuperação de pastagens, bioinsumos e cultivares adaptadas à seca e ao calor.

    Congresso da Abag discute integração de agro e indústria
    Congresso da Abag discute integração de agro e indústria — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Agro preparado para mercados internacionais

    Outro ponto é o fortalecimento da inserção internacional da agricultura brasileira . A Embrapa chama atenção para exigências crescentes de sustentabilidade, rastreabilidade e descarbonização.

    A avaliação é que o Brasil precisa desenvolver tecnologias e sistemas capazes de comprovar a origem e os atributos ambientais dos produtos para manter a competitividade em mercados cada vez mais regulados.

    Brasil pode deixar reciprocidade contra EUA para 2027, diz Márcio Rosa
    Brasil pode deixar reciprocidade contra EUA para 2027, diz Márcio Rosa — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A agenda também relaciona pesquisa, rastreabilidade e certificação à abertura de mercados e ao acesso a investimentos. Na bioeconomia, a empresa defende sistemas capazes de comprovar origem, conformidade socioambiental e sustentabilidade dos produtos.

    Inclusão produtiva no meio rural e povos originários

    A Embrapa defende ainda a expansão de políticas de inclusão produtiva e desenvolvimento territorial . A proposta inclui fortalecer a assistência técnica e a extensão rural e ampliar o acesso à tecnologia, infraestrutura e serviços.

    Agro ganha espaço na transição energética
    Agro ganha espaço na transição energética — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O documento cita dificuldades enfrentadas por agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas, pescadores, ribeirinhos e extrativistas no acesso a tecnologia, crédito, assistência técnica e oportunidades de geração de renda.

    Conectividade e inteligência artificial no campo

    A sexta prioridade é transformar a digitalização rural em uma política estruturante . A Embrapa defende expansão da conectividade, interoperabilidade de dados agropecuários e uso de inteligência artificial para a gestão da produção e dos riscos.

    O documento aponta que ainda há um gargalo de infraestrutura. Em março de 2025, apenas 33,9% da área agricultável brasileira contava com cobertura 4G, enquanto 48,1% dos imóveis rurais tinham toda a área agricultável conectada.

    https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/gabriella-weiss/agro/por-que-o-brasil-precisa-importar-fertilizantes/

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/agro/embrapa-pede-a-presidenciaveis-mais-recursos-e-estabilidade-para-ciencia/.

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