Embraer (EMBJ3) dá pequeno passo, mas com potencial gigante na Índia; entenda
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Um avião adorna o telhado da sede e fábrica de aeronaves da Embraer em São José dos Campos, Brasil, 16 de julho de 2025. REUTERS/Roosevelt Cassio/Foto de arquivo
A Embraer ( EMBJ3 ) deu mais um passo em sua estratégia para ampliar presença no mercado de defesa da Índia ao adquirir 51% da recém-criada Novavayu Aerospace, empresa formada em parceria com a Mahindra & Mahindra. Embora o valor da transação seja simbolicamente pequeno, analistas veem o movimento como potencialmente relevante para uma oportunidade muito maior: a disputa pelo programa de aeronaves de transporte militar da Força Aérea Indiana.
Segundo comunicado regulatório da Mahindra, a Embraer pagará aproximadamente US$ 5,7 mil pela participação de controle da companhia, criada recentemente e ainda sem receitas. Para o Bradesco BBI, a operação representa mais um marco da cooperação entre Embraer e Mahindra em torno da campanha do cargueiro militar C-390 Millennium.

O movimento acontece poucos dias após Embraer e Mahindra anunciarem a cidade de Nagpur, no estado de Maharashtra, como local escolhido para a instalação de uma linha de montagem final do C-390 no país, caso a aeronave seja selecionada no programa indiano de aeronaves de transporte médio (MTA, na sigla em inglês).
Para o JPMorgan, o valor financeiro da aquisição é imaterial, mas o significado estratégico é muito maior.
O banco afirma que a criação da estrutura societária pode ser um passo necessário para permitir que a Embraer participe de uma grande concorrência militar dentro da política indiana de produção local.

“One small check for the company, one (potentially) giant step for its India ambitions”, destaca o relatório.
A leitura do JPMorgan é que a Novavayu pode se transformar no veículo corporativo necessário para atender as exigências do programa “Made in India”, condição relevante para contratos de defesa de grande porte no país.
O principal prêmio em disputa é o programa de aeronaves de transporte médio da Força Aérea Indiana.

Segundo o JPMorgan, um eventual contrato para 60 aeronaves C-390 teria valor estimado em aproximadamente US$ 10 bilhões e representaria um aumento de cerca de 160% na atual carteira da divisão de Defesa & Segurança da Embraer. No consolidado da companhia, equivaleria a uma expansão próxima de 30% do backlog total.
O modelo discutido prevê inicialmente a importação de 12 aeronaves e, posteriormente, a fabricação e montagem local de outras 48 unidades. O conteúdo nacional seria de pelo menos 40%, aumentando gradualmente para 60%.
A instalação proposta em Nagpur seria responsável pela montagem final, integração de sistemas, desenvolvimento da cadeia de fornecedores e atividades de manutenção e suporte, alinhadas à estratégia de produção local exigida pelo governo indiano.
O JPMorgan destaca que a oportunidade indiana não se limita ao segmento de defesa, citando ainda as discussões entre a Embraer e a companhia aérea regional do grupo IndiGo sobre uma possível aquisição de dezenas de jatos da família E2 para substituir parte de sua frota turboélice e expandir capacidade. Segundo o banco, uma eventual encomenda poderia superar US$ 1 bilhão a preços de lista.
Além disso, a Embraer também negocia com o grupo Adani oportunidades relacionadas à montagem local de aeronaves e um possível pedido potencial de até 200 jatos, dependendo da configuração da demanda e do modelo escolhido. Pelas estimativas do JPMorgan, um contrato dessa magnitude poderia representar até US$ 8,5 bilhões em encomendas.
Embora o contrato indiano ainda esteja em disputa, o JPMorgan destaca que o potencial de expansão do C-390 já é expressivo.
O banco calcula que o cargueiro possui atualmente backlog estimado de aproximadamente US$ 4,6 bilhões, considerando pedidos firmes remanescentes. Além disso, negociações e seleções já anunciadas por diferentes países poderiam elevar esse número substancialmente.
Na tabela elaborada pela instituição, o programa indiano aparece como a maior oportunidade isolada em negociação, à frente de discussões em países como Arábia Saudita, Polônia, Chile, África do Sul, Marrocos e Angola.
O Bradesco BBI também avaliou o anúncio como positivo. Na visão da casa, a aquisição reforça a parceria entre Embraer e Mahindra justamente no momento em que as empresas ampliam esforços para vencer a concorrência do programa MTA com o C-390. O banco vê a operação como mais uma evidência da construção gradual da presença industrial da fabricante brasileira no país.
O JPMorgan manteve recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para Embraer mesmo após a fabricante não participar plenamente do rali eleitoral observado em diversas ações brasileiras. A instituição afirma que o papel continua apoiado por uma carteira de pedidos recorde de US$ 34,5 bilhões ao fim do segundo trimestre de 2026, além de forte execução operacional.
Na avaliação do banco americano, a ação negocia a aproximadamente 8,7 vezes EV/Ebitda (valor da firma/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) estimado para 2027, abaixo de múltiplos observados em diversos pares internacionais do setor aeroespacial e de defesa.
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Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/embraer-embj3-da-pequeno-passo-mas-com-potencial-gigante-apos-acordo-na-india-entenda/.

Foto: InfoMoney
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