Emagrecer não é o mesmo que transformar o corpo
Luciana Leme. Por muitos anos, o emagrecimento foi tratado como uma questão simples: subir na balança, acompanhar os números e comemorar cada quilo perdido. Mas será que pesar menos significa, necessariamente, ter um corpo mais saudável e transformado?A resposta é Não.Emagrecer e transformar o corpo são processos relacionados, mas não significam exatamente a mesma coisa. Uma pessoa pode perder peso e, ainda assim, não apresentar a composição corporal que gostaria. Da mesma forma, pode acontecer de a balança mudar pouco enquanto o corpo passa por transformações importantes.Isso acontece porque

Emagrecer e transformar o corpo são processos relacionados, mas não significam exatamente a mesma coisa
Por muitos anos, o emagrecimento foi tratado como uma questão simples: subir na balança, acompanhar os números e comemorar cada quilo perdido. Mas será que pesar menos significa, necessariamente, ter um corpo mais saudável e transformado?
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Emagrecer e transformar o corpo são processos relacionados, mas não significam exatamente a mesma coisa. Uma pessoa pode perder peso e, ainda assim, não apresentar a composição corporal que gostaria. Da mesma forma, pode acontecer de a balança mudar pouco enquanto o corpo passa por transformações importantes.
Isso acontece porque o peso corporal é resultado de diferentes componentes, como gordura, massa muscular e água. Quando observamos apenas o número da balança, não conseguimos saber exatamente o que está sendo perdido ou preservado.
Imagine, por exemplo, duas mulheres que perdem cinco quilos. Uma delas reduz principalmente gordura corporal, preservando sua massa muscular. A outra perde gordura, mas também uma quantidade significativa de músculo. As duas terão o mesmo resultado na balança, mas não necessariamente terão a mesma composição corporal, força, metabolismo ou aparência.

É por isso que, principalmente depois dos 35 ou 40 anos, a discussão sobre emagrecimento precisa ir além do “quanto eu peso?”.
Ao longo da vida, o organismo passa por mudanças que podem influenciar a composição corporal. A massa muscular tende a diminuir quando não há estímulo adequado, a rotina pode se tornar mais sedentária, o sono pode ser prejudicado e alterações hormonais também podem fazer parte dessa fase.
Na mulher madura, essas mudanças podem ser percebidas na prática: mais dificuldade para perder gordura, redução de massa muscular, aumento da gordura abdominal, menor disposição e a sensação de que estratégias que funcionavam aos 25 ou 30 anos já não apresentam o mesmo resultado.

Diante disso, muitas mulheres fazem o que aprenderam a fazer: comem cada vez menos, cortam grupos alimentares, aumentam a restrição e passam a perseguir números menores na balança.
Mas reduzir o peso a qualquer custo não deveria ser o objetivo.
Transformar o corpo exige outra perspectiva

Transformação corporal envolve olhar para a composição do corpo e para a saúde como um todo. Significa buscar redução de gordura corporal, mas também preservar ou aumentar massa muscular. Significa alimentar-se adequadamente, praticar exercícios de força, dormir melhor, cuidar da hidratação e observar os sinais de fome e saciedade.
Também significa entender que o resultado não precisa aparecer imediatamente na balança.
Uma mulher pode perceber redução de medidas, melhora na disposição, aumento da força, roupas vestindo melhor e mudanças na composição corporal mesmo quando o peso permanece relativamente estável.

Por isso, acompanhar apenas o peso faz com que muitas mulheres abandonem um processo que está funcionando, mas não reflete diretamente na balança.
Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes para quem deseja emagrecer.
O objetivo é simplesmente ocupar um número menor na balança ou construir um corpo mais saudável, forte e funcional?

Não se trata de dizer que emagrecer não é importante. Para muitas pessoas, a redução da gordura corporal faz parte de uma estratégia de saúde. O ponto é compreender que emagrecer não deveria significar simplesmente perder peso, mas melhorar a composição corporal e a relação com o próprio corpo.
Essa mudança de perspectiva também ajuda a abandonar o pensamento de tudo ou nada. Afinal, se o único indicador de sucesso for a balança, qualquer semana sem redução de peso pode parecer um fracasso.
Quando o olhar é ampliado, outros sinais passam a ser valorizados.

O corpo está preservando massa muscular? A alimentação está adequada? A fome está mais equilibrada? A rotina está mais consistente? A força está melhorando? As medidas estão mudando? O sono e a disposição evoluíram?
Essas perguntas ajudam a construir um processo mais realista e sustentável.
O corpo que você tem hoje precisa de uma estratégia para hoje

Talvez um dos maiores erros seja tentar transformar o corpo atual utilizando exatamente as mesmas estratégias que funcionaram no passado.
O corpo muda. A rotina muda. As necessidades nutricionais mudam. E a estratégia também precisa mudar.
Por isso, antes de perguntar apenas “quantos quilos eu preciso perder?”, pode ser mais interessante perguntar: “Que corpo eu quero construir e o que preciso fazer para chegar lá de forma saudável?”

Essa mudança parece pequena, mas representa uma nova maneira de enxergar o emagrecimento.
Porque o verdadeiro resultado não está apenas em pesar menos. Está em perder gordura preservando músculos, melhorar a composição corporal, fortalecer o organismo e construir hábitos que possam acompanhar a mulher nas diferentes fases da vida.
Transformar o corpo é aprender a cuidar dele de uma maneira diferente.
Luciana Leme | Nutricionista – CRN3: 29.513
Nutricionista com atuação em saúde da mulher, emagrecimento e mudanças hormonais femininas, atendendo mulheres que buscam recuperar energia, qualidade de vida e equilíbrio metabólico.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
Publicado originalmente por Gazeta de Alagoas. Leia a matéria completa em https://www.gazetaweb.com/noticias/artigos/emagrecer-nao-e-o-mesmo-que-transformar-o-corpo-935754.

Luciana Leme. — Foto: Gazeta de Alagoas
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