Emagrecer não deveria ser uma batalha contra o próprio corpo
Vivemos em uma sociedade que ainda insiste em simplificar a obesidade como uma questão de força de vontade. Durante anos, ouvimos frases como: “basta fechar a boca”, “é só ter disciplina” ou “quem quer, consegue”. Mas a ciência já demonstrou que o excesso de peso é muito mais complexo do que uma simples escolha alimentar.A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e progressiva. Ela envolve fatores genéticos, hormonais, emocionais, ambientais, comportamentais e sociais. Isso significa que duas pessoas podem seguir a mesma dieta e obter resultados completamente diferentes.O

Obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e progressiva
Vivemos em uma sociedade que ainda insiste em simplificar a obesidade como uma questão de força de vontade. Durante anos, ouvimos frases como: “basta fechar a boca”, “é só ter disciplina” ou “quem quer, consegue”. Mas a ciência já demonstrou que o excesso de peso é muito mais complexo do que uma simples escolha alimentar.
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A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial e progressiva. Ela envolve fatores genéticos, hormonais, emocionais, ambientais, comportamentais e sociais. Isso significa que duas pessoas podem seguir a mesma dieta e obter resultados completamente diferentes.
O problema é que, enquanto a medicina e a ciência evoluíram, grande parte da sociedade continua presa a julgamentos que apenas aumentam a culpa e o sofrimento de quem enfrenta essa condição.
Muitas pessoas passam anos alternando entre períodos de extrema restrição alimentar e momentos de descontrole. Fazem dietas radicais, eliminam grupos alimentares, seguem promessas milagrosas e, quando não conseguem sustentar aquele padrão, acreditam que falharam.

Na realidade, o que falhou foi o método.
O corpo humano não foi criado para viver em estado constante de privação. Quando submetido a restrições severas, ele desenvolve mecanismos de defesa para preservar energia, aumentar a fome e reduzir o gasto energético.
É por isso que tantas pessoas emagrecem rapidamente e recuperam o peso pouco tempo depois.

O chamado “efeito sanfona” não acontece porque falta caráter. Na maioria das vezes, ele acontece porque o processo utilizado foi incompatível com a vida real.
Outro erro comum é acreditar que emagrecimento significa apenas perder peso.
Na prática clínica, observo frequentemente pacientes que melhoram exames laboratoriais, reduzem processos inflamatórios, recuperam energia, regulam o sono, aumentam massa muscular e desenvolvem uma relação mais saudável com a comida antes mesmo de grandes mudanças aparecerem na balança.

A saúde não pode ser resumida a um número.
Quando focamos apenas no peso, ignoramos conquistas importantes que realmente transformam a qualidade de vida.
O papel das novas estratégias no tratamento

Nos últimos anos, novas abordagens terapêuticas surgiram para auxiliar no tratamento da obesidade. Medicamentos modernos passaram a fazer parte da realidade de muitos pacientes, sempre sob acompanhamento profissional.
No entanto, é importante compreender que nenhuma medicação substitui hábitos saudáveis.
Não existe caneta, cápsula ou fórmula capaz de ensinar alguém a lidar com a fome emocional, organizar uma rotina alimentar ou construir hábitos sustentáveis.

A ferramenta pode ajudar. A transformação acontece através da mudança de comportamento.
Depois de anos acompanhando pacientes, uma verdade permanece constante: os melhores resultados não são os mais rápidos.
São aqueles construídos de forma consistente.

Pessoas que aprendem a se alimentar sem culpa, que entendem seus gatilhos, que respeitam seus limites e que desenvolvem uma rotina possível costumam manter os resultados por muito mais tempo.
Em vez de buscar a dieta perfeita, talvez a pergunta mais importante seja:
“Eu conseguiria viver assim pelos próximos cinco anos?”

Se a resposta for não, provavelmente não é uma estratégia sustentável.
Precisamos parar de tratar a obesidade como uma falha moral e começar a enxergá-la como uma condição que merece acolhimento, conhecimento científico e acompanhamento adequado.
O emagrecimento não deveria ser uma guerra contra o próprio corpo.

Deveria ser um processo de reconexão com a saúde, com a autoestima e com a qualidade de vida.
Quando a busca deixa de ser apenas pela balança e passa a ser pela construção de uma identidade saudável, os resultados se tornam mais duradouros e significativos.
Maiara Figueiredo é nutricionista, pós-graduada em Obesidade e Emagrecimento, com atuação voltada ao emagrecimento, mudança de hábitos e promoção da saúde. Acredita que a nutrição deve ser acessível, sustentável e livre de terrorismo nutricional. Atendimento presencial e online. Instagram: @maiarafigueiredo_nutri.
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.
Publicado originalmente por Gazeta de Alagoas. Leia a matéria completa em https://www.gazetaweb.com/noticias/artigos/emagrecer-nao-deveria-ser-uma-batalha-contra-o-proprio-corpo-938657.

Foto: Gazeta de Alagoas
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