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    Em Veneza, filme com Javier Bardem e Penélope Cruz expõe as fraquezas de casais

    Festival de cinema exibiu ‘Bunker’, do cineasta de ‘Meu Pai’

    UOL
    8 de setembro de 2026 às 20:00
    Em Veneza, filme com Javier Bardem e Penélope Cruz expõe as fraquezas de casais
    Homem de camiseta preta encostado em parede vermelha à direita da imagem, olhando para a esquerda. Mulher vestida de preto caminha de costas por corredor iluminado, com móveis ao fundo. — Foto: UOL

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    No início de "Bunker", a editora Sofía e o arquiteto Miguel, vividos pelo casal da vida real Penélope Cruz e Javier Bardem , falam em um jantar sobre a primeira vez em que conversaram. Ele diz que, enquanto a escutava falar, ficou tão apaixonado que se comoveu e acabou chorando.

    Javier Bardem em cena do filme 'Bunker', de Florian Zeller - Tamara Arranz/Divulgação · Tamara Arranz/Divulgação
    Javier Bardem em cena do filme 'Bunker', de Florian Zeller - Tamara Arranz/Divulgação · Tamara Arranz/Divulgação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Depois, ele revela a verdade —um gato passou perto, e os pelos do bichano irritaram seus olhos. Todos na mesa riem, e alguém diz: "Até as maiores histórias de amor já começam com alguma mentira".

    Essa frase com ares de maldição é uma espécie de tese sobre a qual se ergue o longa de Florian Zeller, exibido em competição no Festival de Veneza nesta terça.

    Desde o começo, Sofía dá a entender que alguma coisa não vai bem no casamento, que já dura quase 20 anos. Eles são bem-sucedidos em suas profissões, têm filhas saudáveis e moram em uma linda casa, mas falta alguma coisa ali.

    Veja imagens de filmes que competem no Festival de Veneza de 2026
    Veja imagens de filmes que competem no Festival de Veneza de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Tudo vira motivo de confronto. Um vizinho abre um buraco no muro que divide as casas, o que enfurece Miguel, mas Sofía acha que ele exagera. Quando um milionário convida o arquiteto para construir um bunker particular, onde ele possa se esconder quando os miseráveis do mundo se rebelarem contra os ricos, é a vez de Sofía se irritar.

    Afinal, ela acha que o marido estará colaborando com um homem que contribui para a disparidade. A crise entre eles fica ainda pior depois que um escritor mais jovem sai para jantar com Sofía, desencadeando uma forte reação de ciúme em seu marido.

    Por grande parte do filme o dilema é se Miguel aceita ou não ganhar milhões para construir o tal bunker, embora as subtramas da presença do escritor mais jovem na vida da editora e do vizinho cara-de-pau sua oficina também tenham destaque. O centro é mesmo uma radiografia de um casamento que tinha tudo para ser feliz, mas que emperra.

    Relembre o filme 'Meu Pai`
    Relembre o filme 'Meu Pai` — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Não é que o filme diga que casamentos nascem para dar errado, mas chama atenção para o fato de que o amor sozinho não é capaz de segurar um relacionamento. Principalmente se a pessoa enfrenta algum tipo de insatisfação pessoal ou que, como Sofía, precisou abrir mão de muitas coisas pela união.

    E não adianta os cônjuges acharem que um casamento "perfeito" servirá de bunker para se proteger —alguma fissura surgirá. E só com trabalho a dois poderá ser coberta.

    Zeller é conhecido por seus trabalhos no palco que depois viraram filme, sobretudo "Meu Pai", de 2020. "Bunker" ele escreveu para o cinema , e embora exista um resquício de teatralidade em algumas cenas, a obra é muito bem resolvida.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A beleza de Cruz está radiante, embora de uma maneira menos carnal. E sua performance é mais uma vez notável, assim como a de Bardem —a dupla, que já é excelente trabalhando separada, tem ainda mais eficiência quando divide a cena. Sem a cumplicidade de um casal real, talvez "Bunker" não tivesse tanta força.

    Também na competição, Casey Affleck apresentou "Company", uma trama confusa, em três tempos históricos. Começa com uma mulher chegando a uma casa estranha, em uma noite de chuva, em pleno Natal. Ela é convidada a entrar e logo começa a contar histórias a alguns convidados, que, diante do tédio da festa, prestam atenção ao que ela afirma.

    Sua narrativa envolve um ermitão da década de 1950, que acode uma mulher desconhecida, encontrada a céu aberto, desmaiada, durante uma forte nevasca.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A moça acorda e começa a contar ao eremita uma outra história, sobre um casal camponês no começo do século 20, que também ajudou um jovem rapaz encontrado na rua em meio à neve. E, nessa história dentro da história, vemos que o jovem é um poço de ressentimentos, que está atrás de vingança de quem o violentou quando ele era criança.

    Mais adiante, o espectador até vai entender a relação entre as tramas, mas o filme é disperso, e as histórias nunca são suficientemente atrativas. Affleck opta por uma direção de fotografia em geral muito escura e dá tempo de tela demais ao personagem vivido pelo filho na vida real, Atticus Affleck, uma espécie de Timothée Chalamet ainda mais genérico.

    É o terceiro longa do cineasta, cuja carreira de ator foi chamuscada quando duas mulheres o acusaram de assédio sexual —caso depois resolvido com um acordo.

    Como diretor, ele fez um trabalho eficiente em "Luz da Minha Vida", de 2019, que ele também protagonizava. Apenas dirigindo, ele demonstra menos habilidade. Sua trama parece uma das histórias que as personagens contam, cansativo e sem chegar a lugar algum.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/em-veneza-filme-com-javier-bardem-e-penelope-cruz-expoe-as-fraquezas-de-casais.shtml.

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    Javier Bardem em cena do filme 'Bunker', de Florian Zeller - Tamara Arranz/Divulgação · Tamara Arranz/Divulgação — Foto: UOL

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