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    Em reação dupla, Fifa ataca Uefa e diz que aceita usar parte de fundo bilionário

    A crise gerada pela fracassada tentativa da Fifa (Federação Internacional de Futebol) de abertura ao capital privado teve novos episódios relevantes no início desta semana. A entidade que rege o futebol agiu em duas frentes: enviou carta diplomática às confederações continentais e respondeu agressivamente ao processo movido por uma delas , a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), nos Estados Unidos. Leia mais (09/29/2026 - 17h07)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 20:07
    Em reação dupla, Fifa ataca Uefa e diz que aceita usar parte de fundo bilionário
    Homem careca de terno escuro e gravata levanta as duas mãos em gesto de parada ou saudação dentro de estádio com arquibancadas vazias ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A crise gerada pela fracassada tentativa da Fifa (Federação Internacional de Futebol) de abertura ao capital privado teve novos episódios relevantes no início desta semana. A entidade que rege o futebol agiu em duas frentes: enviou carta diplomática às confederações continentais e respondeu agressivamente ao processo movido por uma delas , a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol), nos Estados Unidos.

    O presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante a final da Copa do Mundo feminina sub-20, em Lodz, na Polônia - Kacper Pempel - 27.set.26/Reuters · Kacper Pempel - 27.set.26/Reuters
    O presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante a final da Copa do Mundo feminina sub-20, em Lodz, na Polônia - Kacper Pempel - 27.set.26/Reuters · Kacper Pempel - 27.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na segunda parte, o presidente Gianni Infantino não chegou a surpreender: apontou que a confederação europeia, comandada por Aleksander Ceferin, está empenhada em uma "campanha de desinformação" e adotou medidas judiciais "de má-fé e com o objetivo de assediar". Na primeira, uma novidade mais concreta, mostrou-se aberto a usar parte do polpudo fundo da Fifa para irrigar as 211 federações nacionais.

    A disposição foi anunciada em uma mensagem na qual tratou pelo primeiro nome os seis presidentes das confederações. "Caro Salman, caro Alejandro, caro Vittorio, caro Aleksander, caro Lambert e caro Patrice", diz inicialmente Infantino, que lhes agradece pelas sugestões recebidas e sugere colocá-las em prática, submetendo-as ao Conselho da Fifa, com 37 membros.

    O movimento foi uma resposta especialmente a Ceferin e a Victor Montagliani, presidente da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, da América Central e do Caribe). Eles coassinaram pedido para que a Fifa usasse cerca de US$ 2,1 milhões (R$ 10,96 bilhões) de suas reservas de aproximadamente US$ 6 bilhões (R$ 31,32 bilhões).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Gianni não se comprometeu com um valor específico. Afirmou que instruiu o secretário-geral da entidade, Mattias Grafström, a compilar as propostas para que elas sejam deliberadas na reunião do Conselho, em 15 de outubro. A data é relevante sobretudo pela proximidade das eleições presidenciais da própria Fifa: estão marcadas para 18 de março, mas o prazo para inscrições se encerra em 18 de novembro.

    O cálculo de Infantino foi: oferecer parte do fundo da Fifa neste momento poderia soar como compra de votos, mas, como a sugestão partiu justamente de dois presidentes de confederação que manifestaram sua oposição a ele, a ação está bem justificada.

    Não que o cartola dependa necessariamente dessa nova distribuição de dinheiro para buscar a reeleição. De acordo com levantamentos de agências internacionais, como a Reuters, ele conta com os votos necessários para permanecer na cadeira que ocupa desde 2016. E, até agora, nenhuma outra candidatura foi anunciada.

    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026
    Ilustração para Comparador de Jogadores da Copa do Mundo 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O suíço, porém, ainda enfrenta grande turbulência por causa da proposta de criação da FFE (Fifa Football Enterprise), uma empresa que administraria os direitos comerciais de competições como a Copa do Mundo e teria participação minoritária de capital privado. A projeção da Fifa era que essa empresa seria avaliada em US$ 20 bilhões (R$ 104,4 bilhões), com a venda de 20% a investidores.

    Anunciado em uma terça, 28 de julho, o plano teve que ser oficialmente abortado na sexta daquela semana. A reação ao que se chamou de "venda da Copa do Mundo" foi amplamente negativa e levou Infantino à sua maior crise. Diversas federações relevantes (como a da Inglaterra e a da França) retiraram seu apoio, e três confederações (a da Ásia, AFC, seguiu o caminho da Uefa e da Concacaf) manifestaram forte oposição.

    No modelo de escolha do presidente da Fifa, no entanto, cada uma das 211 associações nacionais de futebol tem o mesmo peso. O voto de San Marino, último colocado do ranking masculino, vale tanto quanto o da líder Espanha. E Infantino faz jorrar dinheiro nas associações menores, assegurando seu apoio.

    Ceferin, nesse cenário, consolidou-se como o grande opositor, mas não nas urnas. O presidente da Uefa já avisou que não concorrerá à presidência da Fifa, porém ingressou com uma ação judicial nos Estados Unidos . Em sua resposta, a Fifa apontou que a petição da Uefa "contém inúmeras declarações falsas ou enganosas".

    "Sem qualquer fundamento, a Uefa sugere que o sr. Infantino buscou obter benefício pessoal com a proposta da FFE. Como explicado, o plano da FFE estava sujeito à aprovação tanto das associações-membro da Fifa quanto do Conselho da Fifa, e a FFE estaria sujeita à supervisão de ambos os grupos dentro da Fifa. As alegações da Uefa de que o sr. Infantino violou qualquer lei ou princípio ético são categoricamente desprovidas de fundamento", diz o documento.

    Nesta terça (29), em novo ataque, Ceferin afirmou que "o rei está nu". Em apresentação na Assembleia Geral de Clubes Europeus, fez longa citação à obra "A Nova Roupa do Rei", tradicional conto de fadas de Hans Christian Andersen, para descrever a situação de Infantino.

    "Talvez a moral da história seja que palavras convenientes não podem mudar realidades incômodas. Recentemente, o futebol mundial tem ouvido algumas palavras muito convenientes: desenvolvimento, democratização, consulta. São palavras usadas, na verdade, para descrever o oposto", declarou o presidente da Uefa. "Vender parte do futuro do futebol não se transforma em desenvolvimento só porque você diz que é desenvolvimento."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/09/em-reacao-dupla-fifa-ataca-uefa-e-diz-que-aceita-usar-parte-de-fundo-bilionario.shtml.

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    O presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante a final da Copa do Mundo feminina sub-20, em Lodz, na Polônia - Kacper Pempel - 27.set.26/Reuters · Kacper Pempel - 27.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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