Em novo registro de Marte, rover da Nasa fotografa primeiras luzes do amanhecer
A Nasa divulgou, nesta terça-feira (6), uma imagem do amanhecer na superfície marciana, registrada pelo rover Curiosity, que mostra a luz do Sol banhando escarpas irregulares formadas há bilhões de anos. A cena foi captada pela câmera Mastcam do veículo cerca de uma hora depois de o Sol nascer sobre uma paisagem com penhascos esculpidos pelo vento ao longe. Leia mais (10/07/2026 - 07h10)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A Nasa divulgou, nesta terça-feira (6), uma imagem do amanhecer na superfície marciana, registrada pelo rover Curiosity, que mostra a luz do Sol banhando escarpas irregulares formadas há bilhões de anos. A cena foi captada pela câmera Mastcam do veículo cerca de uma hora depois de o Sol nascer sobre uma paisagem com penhascos esculpidos pelo vento ao longe.

O Curiosity pousou em 2012 na cratera Gale, perto do equador marciano, e, desde 2014, vem subindo o Monte Sharp, uma montanha de cinco quilômetros de altura que se eleva do fundo da cratera.
"Os picos escarpados e claros ao longe fazem parte de uma camada rochosa cuja aparência é bastante diferente da de todas as camadas que o rover atravessou até agora", afirmou Ashwin Vasavada, cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia (EUA), e cientista do projeto Curiosity.
"Acreditamos que ela tenha sido, no passado, formada por sedimentos transportados pelo vento, talvez areia ou até mesmo cinzas levadas para dentro da cratera por atividades vulcânicas nas proximidades. Depois que os sedimentos se consolidaram e viraram rocha, eras de ação dos ventos esculpiram essa camada rochosa, formando cristas chamadas yardangs."

Segundo Vasavada, a camada de yardangs provavelmente se formou há 3 bilhões de anos, aproximadamente na mesma época que o restante da montanha. Essa camada se estende por 16 quilômetros na região noroeste do Monte Sharp.
"Contudo, a camada de yardangs não parece fazer parte da sequência contínua de estratos que compõem as camadas sobrepostas do Monte Sharp. Ela foi acrescentada um pouco mais tarde. Está acima do que os geólogos chamam de discordância: um intervalo temporal em que camadas anteriores foram erodidas antes que novas camadas se depositassem sobre elas", disse Vasavada.
Em sua subida gradual pela montanha, o rover já alcançou mais de um quilômetro de elevação, a maior subida já realizada em Marte , de acordo com a agência espacial americana.

O Monte Sharp é formado por camadas, cada uma delas registrando um período do passado geológico do planeta. Ao estudar essas camadas, os cientistas descobriram mais sobre os corpos d’água —lagos e riachos— que há muito tempo cobriam essa região, em uma época em que o planeta vermelho era mais úmido e mais quente do que o lugar frio e desolado que é hoje.
Vasavada afirmou que a Nasa espera que o Curiosity alcance a camada de yardangs em 2027 ou 2028, quando usará seus instrumentos para examinar minuciosamente a geologia do local.
O Curiosity vem estudando a geologia e o clima de Marte e investigando se o planeta já apresentou condições propícias para abrigar vida microbiana. Ele é 1 dos 2 rovers da Nasa em operação no planeta. Atualmente, o rover Perseverance percorre as bordas da cratera Jezero, no hemisfério norte.

A nova imagem do amanhecer marciano registrada pelo Curiosity é certamente de outro mundo. "Essa paisagem tem um aspecto selvagem que me lembra uma viagem de carro pelo Monument Valley, no Arizona. É quase possível sentir o silêncio e a imensidão do espaço aberto sob o céu. Mas, por mais familiar que isso pareça, o céu é alaranjado e o nascer do sol tem tons de azul. É como a Terra, mas é definitivamente Marte", disse Vasavada.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/10/rover-da-nasa-fotografa-as-primeiras-luzes-do-amanhecer-em-marte.shtml.

A superfície marciana registrada pelo rover Curiosity, da Nasa, em 11 de agosto deste ano, com penhascos esculpidos pelo vento, conhecidos como yardangs, no Monte Sharp, que se ergue na cratera Gale, perto do equador do planeta - Nasa/JPL-C — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

