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    Em meio a crise com Brasil, Senado dos EUA confirma Daniel Perez como embaixador

    O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a nomeação de Daniel Perez para se tornar o novo embaixador americano no Brasil. Em votação apertada, por 51 votos favoráveis e 47 contra, o cubano-americano foi confirmado pelo plenário da Casa dentro de um pacote que reuniu outras 73 indicações para cargos diplomáticos e no governo. Leia mais (08/07/2026 - 15h20)

    Folha de S.Paulo
    7 de agosto de 2026 às 18:20
    Em meio a crise com Brasil, Senado dos EUA confirma Daniel Perez como embaixador
    Homem de terno azul e gravata clara sorri enquanto está em púlpito de madeira escura. Fundo inclui painel de madeira e parede clara com janela refletindo outra pessoa. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a nomeação de Daniel Perez para se tornar o novo embaixador americano no Brasil. Em votação apertada, por 51 votos favoráveis e 47 contra, o cubano-americano foi confirmado pelo plenário da Casa dentro de um pacote que reuniu outras 73 indicações para cargos diplomáticos e no governo.

    Indicado do governo Trump para se tornar o novo embaixador do Brasil, Daniel Perez em sessão da Câmara da Flórida em janeiro de 2026 - Meredith Geddings - 13.jan.26/Câmara dos Representantes da Flórida · Meredith Geddings - 13.jan.26/Câmara
    Indicado do governo Trump para se tornar o novo embaixador do Brasil, Daniel Perez em sessão da Câmara da Flórida em janeiro de 2026 - Meredith Geddings - 13.jan.26/Câmara dos Representantes da Flórida · Meredith Geddings - 13.jan.26/Câmara — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com a aprovação, que aconteceu horas antes do recesso parlamentar de cinco semanas, Perez conclui a etapa legislativa de sua indicação e está apto a assumir o posto. Antes, porém, ainda depende da concessão do agrément pelo governo brasileiro —a autorização diplomática por meio da qual um país aceita formalmente o chefe de missão indicado por outro Estado.

    Caso receba o aval de Brasília, Perez passará a ocupar um cargo que está vago desde janeiro do ano passado, quando Donald Trump iniciou seu segundo mandato. Nesse ínterim, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil é comandada pelo encarregado de negócios . Integrantes do governo Lula , porém, já indicaram que não pretendem conceder o agrément a novos embaixadores antes do fim das eleições presidenciais de outubro.

    A indicação de Perez se transformou no principal foco da mais recente crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano acusa o Brasil de atrasar deliberadamente a concessão do agrément e afirma que deu a Brasília "todas as oportunidades para fazer a coisa certa", mas que encontrou sucessivos adiamentos e obstáculos.

    Lula e Trump na Casa Branca
    Lula e Trump na Casa Branca — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Como resposta, Washington anunciou nesta semana a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. O Departamento de Estado classificou a decisão como uma medida recíproca e afirmou que a diplomata continuará reconhecida como representante oficial do Brasil . Na prática, Viotti poderá permanecer em Washington e seguir exercendo normalmente suas funções, mas, caso deixe o território americano, precisará solicitar um novo visto para retornar.

    Políticos americanos criticaram a medida. A senadora democrata Jeanne Shaheen , vice-líder do comitê de Relações Exteriores do Senado, escreveu em publicação das redes sociais que a medida contraria os interesses dos EUA e prejudica a relação bilateral.

    "Nada representa melhor o avanço dos interesses dos EUA do que revogar o visto da principal diplomata de um de nossos parceiros", publicou, de maneira irônica. "Mais uma vez, este governo desperdiçou a diplomacia, em prejuízo dos povos americano e brasileiro."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apesar da critica, Shaheen e Tim Kaine, também senador democrata, votaram para aprovar Perez. A justificativa por parte de Kaine, em entrevista à Folha , é decorrente do longo tempo que a vaga de embaixador está vazia no Brasil. Para ele, é melhor que o país tenha um representante, mesmo que seja um indicado do partido opositor, que não tenha.

    A justificativa do lado brasileiro para a não concessão do aval está relacionada ao fato do pedido ter rompido com o rito diplomático tradicional. Em geral, o nome de um embaixador só é anunciado ao público depois que o país anfitrião concede o agrément , rito sigiloso. No caso de Perez, o governo Trump anunciou publicamente a indicação antes de receber a autorização brasileira , tornando o processo um elemento adicional da tensão entre os dois países.

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Reservadamente, interlocutores do governo brasileiro afirmam que havia preocupação de que a indicação de Perez pudesse ser utilizada para ampliar a pressão americana sobre o processo eleitoral brasileiro. Por esse motivo, segundo esses relatos, Brasília já indicava que não analisaria o pedido no ritmo esperado por Washington.

    Os mesmos interlocutores afirmam que a embaixadora Maria Luiza Viotti foi alertada por integrantes do Departamento de Estado de que alguma forma de retaliação poderia ser adotada caso o impasse persistisse.

    Apesar da medida anunciada pelos Estados Unidos, a avaliação no Palácio do Planalto é de que não há, neste momento, motivo para retirar Viotti de Washington ou responder imediatamente com novas ações diplomáticas. Integrantes do governo defendem que a embaixadora permaneça no cargo e avaliam que uma reação precipitada poderia ampliar a crise ou oferecer novos argumentos ao governo Trump.

    Nesta quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a decisão americana durante entrevista aos canais do YouTube Meteoro Brasil e Os Três Elementos. O petista lembrou que Trump permaneceu mais de um ano sem indicar um embaixador para o Brasil e afirmou que, posteriormente, passou a pressionar Brasília para aceitar rapidamente o nome escolhido por sua administração.

    Lula classificou a restrição ao visto da embaixadora brasileira como uma "atitude irresponsável" e "impensada". Também afirmou que pretende deixar a análise de novos embaixadores estrangeiros para depois das eleições presidenciais de outubro, posição que, na prática, mantém indefinido o futuro de Daniel Perez.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/em-meio-a-crise-com-brasil-senado-dos-eua-confirma-daniel-perez-como-embaixador.shtml.

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    Indicado do governo Trump para se tornar o novo embaixador do Brasil, Daniel Perez em sessão da Câmara da Flórida em janeiro de 2026 - Meredith Geddings - 13.jan.26/Câmara dos Representantes da Flórida · Meredith Geddings - 13.jan.26/Câmara — Foto: Folha de S.Paulo

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