Brasil

    Em meio a ameaças de interferência, Lula vai à ONU com foco em soberania

    Petista fará breve pausa na agenda eleitoral para participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, a última deste mandato

    Metrópoles
    21 de setembro de 2026 às 07:30
    Em meio a ameaças de interferência, Lula vai à ONU com foco em soberania
    Foto: Metrópoles

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou nesse domingo (20/9) para Nova York, nos Estados Unidos (EUA) , para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a última do terceiro mandato. No discurso que abre o evento, o petista deve abordar a defesa do multilateralismo, da democracia e da soberania , no contexto em que a eleição brasileira é alvo de tentativas de interferência estrangeira.

    Na 81ª edição, o encontro global tem como tema: “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”. A reunião ocorre em meio ao acirramento de conflitos globais que deixou em evidência a discussão sobre a reforma do Conselho de Segurança , hoje visto como incapaz de frear as tensões ao redor do mundo.

    Também neste ano o órgão elege um novo secretário-geral para suceder o atual titular, António Guterres, após 10 anos de mandato.

    Ricardo Stuckert/PR
    Ricardo Stuckert/PR — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Cumprindo a tradição, o presidente brasileiro é o primeiro chefe de Estado a discursar na abertura da reunião, marcada para a manhã de terça-feira (22/9). Em seguida, se manifesta o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A sequência de discursos é vista como o ponto alto do evento por representar visões antagônicas sobre os principais temas da agenda global.

    Segundo fontes do governo brasileiro, o discurso de Lula está sendo preparado para marcar posição sobre os grandes assuntos da atualidade , a exemplo dos conflitos globais e os desafios do multilateralismo — o que engloba questões relacionadas ao meio ambiente, mudanças climáticas, direitos humanos e comércio.

    Na última quarta-feira (16/9), em reunião com pastores evangélicos no Palácio do Planalto, o petista deu sinais sobre o tom da declaração. Ele afirmou que vai chamar a atenção dos membros do Conselho de Segurança sobre a necessidade de se reunirem para discutir uma solução aos conflitos em curso, como a guerra na Ucrânia e no Oriente Médio.

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Vocês estão desrespeitando a razão pela qual foi criado o Conselho de Segurança da ONU. Foi criado para fazer paz, para fazer harmonia, e não para fazer guerra. Se vocês se abstêm quando tem que tomar decisão, vocês são covardes”, disse o presidente. A expectativa é que o discurso do chefe do Executivo brasileiro dure em torno de 20 minutos, ligeiramente maior do que ano passado, quando ele falou por 18 minutos.

    Há também a expectativa de que o presidente faça a defesa da soberania, da democracia e do processo eleitoral brasileiro diante das crescentes “ameaças” de ingerência externa a duas semanas do primeiro turno das eleições.

    Na última semana, veio a público a informação de que o governo de Donald Trump apresentou um documento a negociadores brasileiros no qual pedia que “dissidentes políticos” do Brasil não sejam presos, detidos ou impedidos de participar do pleito deste ano . A proposta foi feita durante as conversas sobre o tarifaço e imediatamente rejeitada.

    Imagem colorida do presidente Lula em discurso na ONU - Metrópoles
    Imagem colorida do presidente Lula em discurso na ONU - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Além disso, a Casa Branca divulgou, na quarta-feira, um outro documento que acusa o Brasil de falhar em combater as facções criminosas PCC e Comando Vermelho. Para o governo brasileiro, a medida foi vista como mais uma tentativa de politizar o debate sobre combate ao crime organizado.

    As ações se somam a uma sequência de episódios que acenderam um alerta no Palácio do Planalto sobre a tentativa de interferência nas eleições brasileiras. Apesar desse cenário, a aposta é que Lula não deve fazer menções diretas aos Estados Unidos ou a qualquer chefe de Estado ao tratar do tema na ONU. A avaliação é que o presidente passará o recado de maneira polida, mas firme, em linha semelhante do que foi o discurso no ano passado. Na ocasião, o petista pontuou: “Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”.

    Espera-se também que esse não seja o tema central do discurso. Auxiliares avaliam que o presidente não vai usar o palco da ONU para tratar de questões internas. Porém, a defesa da soberania e da integridade do processo eleitoral brasileiro é vista como necessária diante dos crescentes “ataques” à democracia ao redor do mundo.

    Em meio a ameaças de interferência, Lula vai à ONU com foco em soberania - destaque galeria
    Em meio a ameaças de interferência, Lula vai à ONU com foco em soberania - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Na linha de não levar temas internos para o palanque, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) não deve ser abordada, segundo fontes palacianas. A questão do crime organizado, hoje visto como um tema que ultrapassa fronteiras, pode entrar na pauta.

    Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU em Nova York

    O governo brasileiro descarta, por hora, uma reunião bilateral entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Não está fora da mesa, no entanto, que os líderes conversem de maneira informal, como ocorreu na última Assembleia Geral.

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    Em meio a ameaças de interferência, Lula vai à ONU com foco em soberania - imagem 2 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em 2025, os chefes de Estado tiveram um breve encontro nos bastidores do evento, ocasião em que o republicano declarou que teve “excelente química” com o brasileiro. Depois disso, os líderes tiveram uma série de reuniões e telefonemas que ajudaram a azeitar a relação.

    Segundo fontes do Palácio do Planalto, até o momento não houve solicitação de reunião formal entre os líderes, nem pela parte brasileira, nem americana.

    Por outro lado, Lula tem no radar outras reuniões bilaterais. Uma delas, será com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani , opositor do governo Trump.

    Lula na ONU
    Lula na ONU — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Presidente Lula (PT)
    Presidente Lula (PT) — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Em meio a ameaças de interferência, Lula vai à ONU com foco em soberania - imagem 5
    Em meio a ameaças de interferência, Lula vai à ONU com foco em soberania - imagem 5 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU em Nova York
    Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU em Nova York — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/em-meio-a-ameacas-de-interferencia-lula-vai-a-onu-com-foco-em-soberania.

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