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    Em estado precário, cemitério da Consolação aguarda restauração

    Já virou lugar-comum dizer que o cemitério da Consolação , inaugurado em 1858 e o mais antigo de São Paulo em funcionamento, é um museu ao ar livre. Seus túmulos são decorados com esculturas de artistas consagrados, como Victor Brecheret, Galileo Emendabili e Luigi Brizzolara . Só no ano passado, o lugar recebeu mais de 4.000 pessoas em suas visitas guiadas, todas interessadas nos ilustres personagens ali enterrados e nas suas inúmeras obras de arte. Leia mais (09/11/2026 - 12h54)

    Folha de S.Paulo
    11 de setembro de 2026 às 15:54
    Em estado precário, cemitério da Consolação aguarda restauração
    Pórtico do cemitério da Consolação — Foto: Folha de S.Paulo

    As camadas de história encobertas em construções, ruínas e paisagens, por Vicente Vilardaga

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    Contrato de concessão do cemitério da Consolação prevê restauro dos pórticos, hoje deteriorados - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga
    Contrato de concessão do cemitério da Consolação prevê restauro dos pórticos, hoje deteriorados - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já virou lugar-comum dizer que o cemitério da Consolação , inaugurado em 1858 e o mais antigo de São Paulo em funcionamento, é um museu ao ar livre. Seus túmulos são decorados com esculturas de artistas consagrados, como Victor Brecheret, Galileo Emendabili e Luigi Brizzolara . Só no ano passado, o lugar recebeu mais de 4.000 pessoas em suas visitas guiadas, todas interessadas nos ilustres personagens ali enterrados e nas suas inúmeras obras de arte.

    Apesar de todos os seus atrativos, a necrópole tem um problema sério. Ela precisa ser restaurada com urgência. Seus muros estão em mau estado de conservação, assim como seus pórticos, a capela, o vestiário, o prédio da administração e o arruamento. Ainda não há um memorial dos mortos políticos nem foram implantados novos depósitos, vestiários e copa, como estava previsto no edital de concessão. Desde 2023, o cemitério é administrado pela concessionária Consolare , a quem cabe fazer todas essas melhorias.

    A restauração não avança por dois motivos. O primeiro é burocrático. Por se tratar de um bem tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) e pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), qualquer obra depende de uma avaliação rigorosa —que se estende há três anos— e de autorização da SP Regula , órgão que cuida das concessões na cidade.

    Mais de 20% dos 6.500 túmulos da necrópole estão completamente abandonados ou em ruínas - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga
    Mais de 20% dos 6.500 túmulos da necrópole estão completamente abandonados ou em ruínas - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O segundo motivo é financeiro. Segundo o diretor-executivo da Consolare, Leandro Bazzoni, quando o edital de concessão foi assinado se estimava o custo da restauração em R$ 3,2 milhões, mas hoje se sabe que esse valor foi subestimado e para deixar o cemitério do jeito que se espera serão necessários R$ 16 milhões, segundo cálculo da própria concessionária.

    "Restaurar o cemitério da Consolação é algo muito complexo", diz Bazzoni. "Os custos são cinco vezes maiores do que os previstos e o nosso objetivo é juntar todos os órgãos envolvidos nesse processo e executar o orçamento pelo menos em parte." Ele espera iniciar as primeiras obras em 2027.

    A SP Regula informou em nota que o restauro da necrópole exige procedimentos específicos justamente por se tratar de um bem tombado e que as medidas estão sendo tomadas. "Todas as etapas previstas para as intervenções estão sendo cumpridas e, portanto, o processo está em andamento", afirma. "No ano passado, o Condephaat expediu autorização para o restauro e em agosto deste ano, o Conpresp deu parecer favorável ao plano geral de intervenções e restauro, que está em análise pelo DPH (Departamento do Patrimônio Histórico) ."

    Vários trechos do arruamento do cemitério da Consolação requerem uma reforma urgente - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga
    Vários trechos do arruamento do cemitério da Consolação requerem uma reforma urgente - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O cemitério da Consolação tem 6.500 túmulos e outro grande problema é que cerca de 20% deles estão abandonados, de acordo com a concessionária Consolare. Um rápido passeio pela área revela essa condição precária. As famílias proprietárias não mostram interesse em preservá-los e eles ficam cobertos de mato ou em ruínas. Tampouco há um esforço para se comunicar com a concessionária a fim de encaminhar alguma solução.

    Enquanto permanece esse impasse, a Consolare não pode cobrar a tarifa anual de manutenção dos donos das sepulturas . Para isso, segundo as regras da concessão, é preciso cumprir três etapas: recadastrar todos os túmulos (só 25% passaram pelo processo), digitalizar os livros com os registros de sepultamento no cemitério e realizar as obras de restauração.

    Por enquanto, segundo Bazzoni, a receita do cemitério se restringe aos repasses do serviço funerário, aos enterros, cerca de 30 por mês, às exumações, às execuções de lápides e à venda de túmulos. Neste momento, há apenas sete deles em condições de comercialização e outros 63 estão passando por melhorias. Como se vê, ainda deve demorar para o cemitério da Consolação ter o tratamento que merece.

    Túmulo interditado no Cemitério da Consolação
    Túmulo interditado no Cemitério da Consolação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Rua no Cemitério da Consolação
    Rua no Cemitério da Consolação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/andancas-na-metropole/2026/09/em-estado-precario-cemiterio-da-consolacao-aguarda-restauracao.shtml.

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    Contrato de concessão do cemitério da Consolação prevê restauro dos pórticos, hoje deteriorados - Vicente Vilardaga · Vicente Vilardaga — Foto: Folha de S.Paulo

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