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    Em depoimento, tenente-coronel fala em armação da perícia para incriminá-lo

    CNN Brasil obteve acesso à integra do interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto, ocorrido na última segunda-feira (5) no Fórum Criminal da Barra Funda (SP)

    CNN Brasil
    13 de outubro de 2026 às 21:26
    Em depoimento, tenente-coronel fala em armação da perícia para incriminá-lo
    Foto: CNN Brasil

    A CNN Brasil obteve acesso à íntegra do interrogatório de mais de oito horas do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana . No relato, ele alega ter sido vítima de armação das peritas que atuaram no caso para incriminá-lo.

    O depoimento foi prestado na última segunda-feira (5), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Na audiência, estiveram presentes representantes do Ministério Público, o advogado da família de Gisele e a defesa do oficial.

    Neto acusou a equipe da perícia de ter manipulado a cena do crime durante a reconstituição dos fatos para prejudicar a visbilidade da vítima em sua versão, já que afirma ter encontrado a esposa caída na sala .

    Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto em depoimento à Justiça • Reprodução/CNN Brasil · • Reprodução/CNN Brasil
    Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto em depoimento à Justiça • Reprodução/CNN Brasil · • Reprodução/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “No dia da reconstituição, as peritas deslocaram o sofá 50 cm para cá, para que ele tampasse a minha visão do chão da sala.” Assista ao trecho:

    Na época do ocorrido, um policial relatou ter visto uma árvore de natal em cima da cama. Neto teria questionado a presença do item em cima da cama e afirmado que alguém teria mexido em seu quarto.

    No depoimento, o tenente-coronel afirmou que a árvore de Natal foi remontada e posicionada no cômodo pelas peritas para obstruir seu campo de visão.

    "Não sou assassino", diz tenente-coronel em depoimento à Justiça em SP
    "Não sou assassino", diz tenente-coronel em depoimento à Justiça em SP — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “As peritas foram… remontaram a árvore, demoraram ali quase 10 minutos para remontar a árvore só para me acusar”, declarou o militar.

    Entre as críticas feitas à perícia, o réu relatou que, antes da reconstituição, uma das peritas teria dito que estava convicta da culpa dele.

    “Antes de começar a perícia, a perita falou assim para mim: ‘O senhor pode falar o que for, pode fazer o que for… Eu já tenho minha convicção que o senhor é culpado. Eu sei que o senhor matou ela”, afirmou Geraldo.

    Caso Gisele: defesa de tenente-coronel pede revogação de prisão preventiva
    Caso Gisele: defesa de tenente-coronel pede revogação de prisão preventiva — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A arma usada no crime, segundo Geraldo, estava em cima de um guarda-roupas de 1,90m de altura, contrariando a altura de 2,10m apontada no laudo.

    Ele afirma que a medida teria sido alterada para criar uma falsa narrativa de que Gisele não alcançaria a arma sobre o guarda-roupas.

    Neto apontou outras supostas irregularidades na preservação das provas. Ele conta que, ao lado desse mesmo armário, ficava uma bolsa preta, que a vítima poderia ter usado como degrau para alcaçar o topo , e que foi removida do quarto antes da perícia.

    Caso Gisele: interrogatório de tenente-coronel ocorre nesta segunda (5)
    Caso Gisele: interrogatório de tenente-coronel ocorre nesta segunda (5) — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ele relata que deixou a bermuda que vestia na manhã do ocorrido em cima da pia do banheiro, já que estava suja de sangue, e que não teria guardado a peça no armário , onde foi encontrada.

    Segundo o réu, o fluxo desordenado de pessoas no apartamento comprometeu a veracidade dos fatos.

    Durante o interrogatório , ele foi questionado pela promotora de Justiça sobre as provas do processo, incluindo as mensagens extraídas do celular dele e da vítima.

    Caso Gisele: defesa de tenente-coronel pede revogação de prisão preventiva
    Caso Gisele: defesa de tenente-coronel pede revogação de prisão preventiva — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Em uma das mensagens, Gisele manifestou a vontade de se separar do marido, e Geraldo respondeu que ela jamais seria solteira.

    O tenente-coronel, no entanto, afirma que tentava se separar de Gisele há meses devido ao comportamento supostamente agressivo dela, e que as mensagem divulgadas eram “blefes”.

    Para sustentar a alegação de agressividade por parte da esposa, ele conta que a soldado teria criado uma conta falsa nas redes sociais , para discutir com mulheres que se interessassem pelo companheiro.

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    Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Neto afirmou que não confia na Polícia Civil , duvidando da veracidade das conversas anexadas ao inquérito policial.

    O oficial foi preso preventivamente no dia 18 de março, um mês após a morte de Gisele Alves. Ele segue sob custódia no Presídio Militar Romão Gomes, localizado na zona Norte de São Paulo.

    Durante o interrogatório, Neto relata sua rotina na prisão e diz que “todo dia parece um pesadelo”. Segundo o oficial, ele está há 202 dias preso injustamente por um crime que não cometeu.

    Caso Gisele: interrogatório de tenente-coronel ocorre nesta segunda (5)
    Caso Gisele: interrogatório de tenente-coronel ocorre nesta segunda (5) — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Eu não matei a minha esposa […] E eu estou aqui, preso, sem ter feito isso”, diz.

    Durante o depoimento, o tenente-coronel reforça, diversas vezes, que não matou a esposa e que a soldado tirou a própria vida . No dia dos fatos, ele afirma que havia comunicado a decisão de separação, que, conforme depoimento, Gisele era controversa.

    A soldado Gisele foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual.

    Caso Gisele: defesa de tenente-coronel pede revogação de prisão preventiva | LIVE CNN
    Caso Gisele: defesa de tenente-coronel pede revogação de prisão preventiva | LIVE CNN — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Um laudo recente, obtido pela CNN Brasil , concluiu que a soldado não cometeu suicídio , descrevendo a impossibilidade de Gisele ter atirado contra a própria cabeça.

    De acordo com o MP, após o crime o oficial teria tentado simular um suicídio ao posicionar a arma na mão da vítima e alterar a cena para induzir a investigação a erro.

    As investigações identificaram vestígios de sangue nas roupas do acusado e indícios de que ele teria tomado banho após o crime para eliminar provas.

    Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe , relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, circunstância que qualifica o crime.

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    Vídeo: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Vídeo: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/em-depoimento-tenente-coronel-fala-em-armacao-da-pericia-para-incrimina-lo/.

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    Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto em depoimento à Justiça • Reprodução/CNN Brasil · • Reprodução/CNN Brasil — Foto: CNN Brasil

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