Em busca de novas amizades, jovens recorrem a aulas de cerâmica e outras atividades manuais
Fazer cerâmica , bordar ou crochetar pode ser o pretexto para passar algumas horas longe das telas , mas também para sair de casa e conhecer gente nova . No último ano, ateliês de atividades manuais têm atraído adultos que buscam, além de aprender uma nova técnica, criar vínculos fora do trabalho e das redes sociais. Leia mais (09/02/2026 - 04h00)

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Fazer cerâmica , bordar ou crochetar pode ser o pretexto para passar algumas horas longe das telas , mas também para sair de casa e conhecer gente nova . No último ano, ateliês de atividades manuais têm atraído adultos que buscam, além de aprender uma nova técnica, criar vínculos fora do trabalho e das redes sociais.

Em 2026, as buscas por "cerâmica fria" —técnica de modelagem que usa uma massa que seca ao ar e dispensa a queima em forno— aumentaram mais de 140% em relação ao ano anterior, segundo dados do Google Trends .
O termo começou a ganhar força em 2024 e atingiu o maior patamar da série histórica neste ano. Já as buscas por "cerâmica" atingiram o maior patamar desde a pandemia .
O movimento também aparece em outras atividades. As buscas por "kit de bordado", que tiveram seu pico em 2020, voltaram a crescer e atingiram o maior nível desde maio daquele ano. Já as pesquisas por "agulha de crochê" e "linha de crochê" aumentaram 40% em relação a 2025.

No Ateliê Escola, em Santa Cecília , na região central de São Paulo, a cerâmica é a atividade mais procurada. Segundo Bel Ysoh, 34, proprietária do espaço, o público é formado principalmente por jovens adultos que trabalham em casa e passam boa parte do dia no computador.
A busca por um espaço de convivência aparece também entre os que acabaram de se mudar para a cidade. Há alunos que chegam interessados em aprender ou retomar uma atividade manual, mas também em conhecer pessoas e construir novas relações.
Foi o caso de Thayse Hoffmann, 33, diretora criativa de uma marca de cosméticos. Nascida em Porto Alegre , no Rio Grande do Sul, ela se mudou para São Paulo poucos meses antes da pandemia e conta que teve dificuldades para construir vínculos na cidade.

Ela encontrou o Ateliê Escola e começou a fazer aulas de cerâmica há cerca de um ano e meio. A princípio, procurava um passatempo e uma maneira de se desafiar a aprender algo do zero, mas também queria conhecer pessoas.
Durante as aulas, a gaúcha conheceu mulheres que se tornaram grandes amigas . "Hoje almoçamos juntas todos os sábados e já viajamos juntas algumas vezes", conta. "Eu poderia ter buscado uma atividade que aprendesse online e em casa, mas entendi que era importante criar novas amizades e vínculos nessa cidade", diz.
As aulas no Ateliê Escola duram cerca de três horas e reúnem os alunos em mesas compartilhadas. Mesmo quando a atividade exige concentração, como o trabalho no torno elétrico (máquina que gira para fazer a cerâmica), é comum que os alunos interajam e conversem sobre o processo.

Os participantes aproveitam o momento para organizar cafés, happy hours e pedir comida juntos, além de manter encontros fora do espaço, como viagens em grupo e aulas de esporte. "Hoje eu sinto que pertenço a uma comunidade, me sinto valorizada e reconhecida, cercada de pessoas legais e de amizades verdadeiras", diz Thayse.
A designer Júlia França, 29, também chegou ao ateliê procurando uma atividade que não tivesse relação com o trabalho. Nas aulas, vieram as amizades com outros alunos e até com o professor. "Meus ‘cerâmigos’ estão sempre por perto para se encontrar, tomar um cafezinho e trocar ideia", conta.
No Nosso Ateliê, no Parque São Jorge, na zona leste de São Paulo , a procura pelas oficinas de cerâmica fria, aquarela e bordado é marcada pelo desejo de diminuir o tempo de tela.
As proprietárias, Isabela Castro, 27, e Luana Melian, 27, estimam que mais de mil pessoas já tenham passado pelo espaço, criado há três anos. A maioria dos alunos é formada por mulheres de diferentes faixas etárias.
Segundo as professoras, quem chega sozinho costuma mencionar a dificuldade de conhecer pessoas na vida adulta e o interesse em encontrar alguém com quem tenha ao menos uma atividade em comum. Também há alunos que chegam acompanhados de amigos, familiares ou parceiros e usam a oficina como uma oportunidade de passar um tempo de qualidade juntos.
No espaço, a convivência também se estende para fora das oficinas. As proprietárias contam que já viram amizades se formarem entre alunos e alguns grupos continuam se encontrando depois das aulas.
"Percebemos que nossa sociedade está cada vez mais carente e extremamente individualizada. Ver o caminho contrário acontecer, de pessoas se abrirem para novas experiências e novas pessoas, muitas vezes bem diferentes delas mesmas, tem sido muito enriquecedor", diz Castro.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2026/09/em-busca-de-novas-amizades-jovens-recorrem-a-aulas-de-ceramica-e-outras-atividades-manuais.shtml.

Aulas de atividades artísticas e manuais ganham espaço entre pessoas que buscam novos hobbies e oportunidades de socialização - Bruno Santos/Folhapress · Bruno Santos/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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