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    Em ano de recordes climáticos, meio ambiente desaparece da campanha eleitoral no Brasil

    As eleições de 2026 ocorrem em um ano marcado por enchentes e ciclones no sul e sudeste do país, enquanto o risco de uma nova seca extrema ameaça o norte . No mundo, recordes de temperaturas foram registradas no hemisfério norte e desastres como a enchente no Nepal e no Tibete dão mais uma amostra da desregulação do clima. Leia mais (09/21/2026 - 05h00)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 08:00
    Em ano de recordes climáticos, meio ambiente desaparece da campanha eleitoral no Brasil
    Colagem vertical com seis retratos próximos de homens adultos, cada um em um painel separado. Eles usam roupas formais, incluindo camisas sociais e gravatas, e alguns falam em microfones. Os fundos variam em cor e iluminação, sugerindo dife — Foto: Folha de S.Paulo

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    As eleições de 2026 ocorrem em um ano marcado por enchentes e ciclones no sul e sudeste do país, enquanto o risco de uma nova seca extrema ameaça o norte . No mundo, recordes de temperaturas foram registradas no hemisfério norte e desastres como a enchente no Nepal e no Tibete dão mais uma amostra da desregulação do clima.

    Montagem com os candidatos à Presidência da República (da esq. p/ dir.): Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury - Folhapress/AFP/Reuters · Folhapress/AFP/Reuters
    Montagem com os candidatos à Presidência da República (da esq. p/ dir.): Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury - Folhapress/AFP/Reuters · Folhapress/AFP/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mesmo assim, a pauta ambiental desapareceu da campanha eleitoral , a poucas semanas do encontro dos eleitores brasileiros com as urnas.

    O vazio é reflexo dos próprios programas de governo apresentados pelos candidatos. Dos seis principais nomes, apenas o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), traz uma proposta à altura do desafio climático. Para os demais cinco aspirantes a presidente — Flávio Bolsonaro ( PL ), Augusto Cury ( Avante ), Renan Santos ( Missão ), Ronaldo Caiado ( PSD ) e Romeu Zema ( Novo )—, a questão é colocada de forma vaga, sem detalhes sobre aspectos importantes como a redução de emissões de gases de efeito estufa.

    A campanha eleitoral ocorre em meio à maior crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal , que monopoliza as atenções da imprensa no país. Mas isso não significa que o eleitor brasileiro menospreze a importância do combate às mudanças climáticas . Pesquisas acadêmicas já demonstraram que os fenômenos extremos influenciam o voto.

    Em 2026, incêndios florestais tomaram a Europa devido a calor extremo
    Em 2026, incêndios florestais tomaram a Europa devido a calor extremo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    "O que está faltando para aumentar a convicção do voto ‘verde' é esse candidato que incorporou a questão colocar a discussão no cotidiano das pessoas. As chuvas, os eventos extremos, etc., fazem parte do nosso cotidiano e isso tem que estar na boca dos candidatos a presidente do Brasil", diz Leila da Costa Ferreira, professora de sociologia ambiental da Unicamp.

    "Quando se fala disso, fica uma coisa que parece estratosférica, parece que é em outro planeta. Não é: é aqui no seu quintal, na sua cidade e no seu estado, no seu país —e é global", afirma.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um levantamento realizado pelo instituto Ipsos a pedido do Observatório do Clima, rede de quase 200 organizações socioambientais, mostra que 91% dos brasileiros consideram "importante" que os candidatos façam propostas para enfrentar as mudanças climáticas. Para 62%, essa é uma questão "muito importante".

    "Com todas as crises políticas que tivemos, e também as atuais, houve um desvio da preocupação do eleitor em relação a essa questão. Só que esse desvio é péssimo, porque essa discussão é política, é social e tem a ver com as questões da nossa vivência contemporânea", frisa Ferreira.

    O Observatório do Clima passou um pente fino nos programas de governo dos principais candidatos à Presidência e na atuação parlamentar dos que já exerceram no Legislativo. O resultado é que não apenas a pauta ambiental é quase inexistente, como a maioria dos presidenciáveis trabalha no sentido contrário, de negar ou rejeitar a importância do assunto .

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "A maioria das candidaturas são ligadas ao campo da direita ou da extrema direita. Muitos candidatos acham que a crise climática , o furacão, a seca, a enchente, é uma questão ideológica, que eles podem negar e que, ao negar, não vai acontecer", sublinha o secretário-executivo da organização, Márcio Astrini. "Quando o presidente da República vira as costas para a realidade, ele não toma medidas para proteger a população, que fica totalmente entregue às circunstâncias."

    O principal opositor de Lula no pleito, o senador Flávio Bolsonaro, nem mesmo reconhece a existência de uma crise do clima. Segundo a análise do OC, seu plano de governo traz sete propostas " antiambientais ", como liberar a controversa técnica do fracking para a extração de petróleo e gás.

    Em sua participação na série de entrevistas com os candidatos no Jornal Nacional, da TV Globo, o filho do ex-presidente minimizou a ação humana como causadora dos "eventos climáticos extremos", como preferiu se referir às mudanças do clima.

    A pesquisa Ipsos revelou que 87% dos eleitores concordam que a crise climática está provocando secas, chuvas intensas e ondas de calor. Para 79%, o tema deve ser uma prioridade do próximo governo, "mesmo que implique custos econômicos".

    A narrativa de Flávio Bolsonaro antecipa um eventual governo focado em desregulamentações ambientais para facilitar atividades como agricultura, pecuária e mineração —muitas vezes em detrimento do meio ambiente e das populações locais.

    "Não me surpreenderia se ele seguisse os passos do pai e que o Brasil amanhã se veja fora do Acordo de Paris , virando as costas para qualquer agenda de clima", diz Astrini. "É extremamente preocupante: refazer o que o Bolsonaro exercitou durante o seu período presidencial é decretar que nós vamos, por exemplo, empurrar a amazônia para uma situação de colapso."

    O próximo presidente terá o desafio de manter os compromissos internacionais assumidos pelo país, a começar pelo Acordo de Paris. Caberá ao futuro mandatário assegurar o corte de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa e o fim do desmatamento ilegal em todos os biomas até 2030, além de restaurar ao menos 12 milhões de hectares de vegetação nativa.

    Para esses e outros objetivos essenciais para que o país proteja a população, a biodiversidade e os ecossistemas, a nova configuração do Congresso Nacional também será decisiva. "Não existe nenhum outro grupo de pessoas no Brasil hoje que trabalhe de forma tão intensa contra o meio ambiente do que o Congresso brasileiro. É dia e noite retrocessos sendo votados lá", ressalta Astrini.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/09/em-ano-de-recordes-climaticos-meio-ambiente-desaparece-da-campanha-eleitoral-no-brasil.shtml.

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