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    Elon Musk é tema de documentário que promete mostrar o que existe por trás do bilionário

    Filme levou cerca de três anos para ser produzido e começou como uma investigação sobre o homem mais rico do mundo O post Elon Musk é tema de documentário que promete mostrar o que existe por trás do bilionário apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    6 de outubro de 2026 às 22:26
    Elon Musk é tema de documentário que promete mostrar o que existe por trás do bilionário
    Foto: Olhar Digital

    Um novo documentário de quatro horas sobre Elon Musk promete ir além da imagem pública do bilionário para investigar o homem por trás de algumas das empresas mais importantes do setor de tecnologia e da crescente influência política que ele conquistou nos últimos anos.

    Dirigido pelo premiado documentarista Alex Gibney , Musk estreou no Festival de Cinema de Veneza e será posteriormente dividido em dois episódios de duas horas para exibição pela HBO.

    O filme levou cerca de três anos para ser produzido e começou como uma investigação sobre o homem mais rico do mundo. Ao longo das gravações, porém, a trajetória de Musk ganhou uma dimensão política cada vez maior, especialmente após sua aproximação com Donald Trump.

    Proximidade com Donald Trump também é citada no documentário – Imagem: YousufDean / Shutterstock
    Proximidade com Donald Trump também é citada no documentário – Imagem: YousufDean / Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O próprio Gibney conta que inicialmente não queria fazer um filme sobre Musk. A ideia lhe parecia apenas mais um documentário sobre um homem poderoso e moralmente ambíguo. A percepção mudou quando surgiu a possibilidade de tratar a história como um retrato do poder no século XXI .

    Segundo o diretor, a combinação de poder financeiro, inovação e dados permitiu que um novo tipo de indivíduo acumulasse uma influência que antes estava reservada principalmente aos Estados nacionais.

    Depois da estreia em Veneza, Musk passou a publicar ataques contra a produção. Gibney afirmou que o bilionário estava reagindo de maneira mais organizada do que outros personagens retratados em seus documentários, utilizando advogados e uma rede de contas automatizadas.

    Elon Musk
    Elon Musk — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para o diretor, enfrentar Musk também significa lidar com alguém que possui enorme poder financeiro, proximidade com a Casa Branca e uma influência extraordinária sobre o setor espacial.

    Parte do filme revisita acontecimentos conhecidos da trajetória do bilionário, mas apresenta uma interpretação diferente para alguns deles.

    Um dos episódios examinados é a história do quarto lançamento da SpaceX, depois de três fracassos consecutivos. A narrativa tradicional apresenta aquele voo como um momento decisivo em que Musk estaria próximo da falência caso o foguete não funcionasse.

    Donald Trump
    Donald Trump — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Segundo o documentário, porém, essa versão seria um mito: a NASA já estava aprovando bilhões de dólares em financiamento, independentemente do resultado daquele lançamento.

    O filme também aborda a relação de Musk com a Tesla e questiona alguns dos elementos que ajudaram a construir sua imagem de engenheiro visionário.

    Outro episódio envolve o sistema de assistência ao motorista da Tesla. O documentário apresenta imagens de um acidente no qual um veículo atravessa uma interseção e atinge um carro estacionado, matando uma mulher que estava deitada próxima ao veículo. A produção também questiona a maneira como dados relacionados ao acidente teriam sido tratados pela empresa.

    Rodrigo Mozelli
    Rodrigo Mozelli — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A produção também mergulha em aspectos menos conhecidos da vida pessoal do bilionário.

    Justine Musk, primeira esposa de Elon, fala sobre a maneira como pessoas do círculo do empresário se referiam às mães de seus filhos e descreve uma espécie de “linha de montagem” para a geração de crianças.

    O documentário também apresenta o relato de Ashley St Clair, que teve um filho com Musk. Segundo ela, um representante do bilionário a teria incentivado a assinar um acordo de confidencialidade em troca de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 214 milhões) em pagamentos relacionados ao sustento da criança.

    Proximidade com Donald Trump também é citada no documentário – Imagem: YousufDean / Shutterstock
    Proximidade com Donald Trump também é citada no documentário – Imagem: YousufDean / Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Em uma mensagem de voz apresentada no filme, ela teria sido alertada de que as coisas não terminavam bem para mulheres que escolhiam recorrer à Justiça contra Musk.

    Um dos argumentos centrais de Musk é que a guinada política do bilionário teria sido motivada também por interesses pessoais e empresariais. Segundo o filme, Musk e suas empresas eram alvo de pelo menos 32 investigações conduzidas por 11 órgãos governamentais .

    Nesse contexto, a aproximação com Trump é apresentada como parte de uma estratégia para proteger seus negócios.

    Musk destinou US$ 300 milhões (aproximadamente R$ 1,6 bilhão) à campanha presidencial de Trump em 2024 e posteriormente entrou no governo, liderando o Departamento de Eficiência Governamental, o DOGE.

    A passagem pelo governo durou poucos meses, mas, nesse período, Musk participou de cortes profundos na USAID e na ajuda externa dos Estados Unidos.

    Para Gibney, a relação entre os dois acabou formando uma espécie de simbiose: Musk tinha dinheiro para ajudar a manter Trump no poder, enquanto Trump tinha poder para proteger os interesses financeiros de Musk.

    O documentário também investiga a justificativa que Musk costuma apresentar para seus projetos.

    O bilionário afirma repetidamente que suas ações têm como objetivo ampliar a presença da humanidade além da Terra e preservar a chamada “luz da consciência” mesmo diante de uma eventual destruição do planeta.

    Gibney questiona até que ponto essa visão é genuína ou conveniente.

    O diretor compara Musk ao magnata do aço Andrew Carnegie, que morreu em 1919. Segundo Gibney, ambos compartilham a crença de que estão excepcionalmente posicionados para salvar a civilização.

    A ideia, argumenta o cineasta, também funciona como uma justificativa para a acumulação de riqueza e poder: se alguém acredita estar trabalhando por uma causa superior, seus próprios interesses podem ser apresentados como parte de uma missão maior.

    O documentário não ignora as conquistas de Musk.

    Gibney reconhece que empresas associadas ao bilionário produziram tecnologias importantes, citando os satélites da Starlink, os foguetes da SpaceX e os próprios carros da Tesla.

    O problema, segundo ele, está na distância entre essas realizações e algumas das promessas feitas por Musk.

    Como exemplos, temos a promessa de carros totalmente autônomos, a ideia de estabelecer uma população humana em Marte dentro de uma década, robôs para todas as casas e até centros de processamento de dados instalados no espaço.

    Para Gibney, é justamente essa combinação de conquistas concretas e promessas que ajuda a explicar o poder financeiro de Musk.

    “É a mentira que faz ele ganhar dinheiro”, afirma o diretor, resumindo sua interpretação de que Musk teria desenvolvido uma habilidade extraordinária para convencer o mercado a financiar projetos baseados em promessas que nem sempre se concretizam.

    A imagem apresentada pelo documentário também é a de um Musk progressivamente mais agressivo. O bilionário passou de discursos sobre a preservação da humanidade para manifestações cada vez mais focadas na defesa da civilização europeia e estadunidense contra uma suposta “invasão”.

    O filme também aborda o apoio de Musk ao partido alemão de extrema direita AfD e sua participação em eventos ligados ao ativista britânico Tommy Robinson.

    Enquanto isso, Musk passa horas atacando adversários reais e imaginários — e, mais recentemente, o próprio Gibney, diz o The New World Substack .

    Depois de três anos tentando entender o bilionário, o diretor chegou a uma conclusão particularmente dura.

    Um investidor do Vale do Silício, entrevistado em caráter reservado, teria descrito Musk como “o homem mais miserável que já conheci”.

    Para Gibney, a combinação de riqueza e poder não parece ter produzido felicidade. Ao contrário, o documentário termina sugerindo que, por trás da imagem do bilionário capaz de transformar setores inteiros da economia, existe um homem profundamente infeliz.

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    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/10/06/cinema-e-streaming/elon-musk-e-tema-de-documentario-que-promete-mostrar-o-que-existe-por-tras-do-bilionario/.

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