Política

    Elon Musk é dono de 2/3 dos satélites artificiais em órbita

    Homem mais rico do mundo lidera corrida para ocupar órbita baixa com Starlink e SpaceX

    Poder360
    6 de setembro de 2026 às 11:00
    Elon Musk é dono de 2/3 dos satélites artificiais em órbita
    Foto: Poder360

    Homem mais rico do mundo lidera corrida para ocupar órbita baixa com Starlink e SpaceX

    Cerca de 2/3 dos satélites artificiais que orbitam a Terra pertencem a Elon Musk. Ele é o dono da SpaceX . A empresa envia foguetes ao espaço. Os veículos despejam, para cada um dos lançamentos, algumas dezenas de satélites de pequeno porte. Esses objetos formam a constelação de 10.985 satélites da Starlink , outra empresa de Musk, que envia sinal de internet para áreas remotas.

    Os dados são do GCAT (Catálogo Geral de Objetos Espaciais Artificiais) , mantido pelo astrônomo Jonathan McDowell, e foram atualizados até 20 de agosto. A contagem muda constantemente, conforme novos equipamentos são lançados e unidades antigas deixam de operar.

    Imagem da matéria
    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Musk lidera a corrida global para ocupar a órbita baixa da Terra. Cientistas chamam o movimento de Novo Espaço –expressão que vem do termo em inglês “ New Space ”. É uma maneira de definir a entrada de empresas privadas em um empreendimento historicamente estatal. São companhias que aproveitam o barateamento da operação espacial para fabricar e lançar satélites em grande escala.

    O modelo anterior concentrava as atividades em poucos satélites de grande porte, caros e projetados para operar durante muitos anos. Os novos equipamentos, geralmente utilizados para telecomunicações, são menores e distribuídos em constelações. Assim, a perda de uma unidade é compensada pelas demais. Em algumas redes, como a Starlink, os satélites também se comunicam entre si por sinais ópticos, formando uma espécie de malha no espaço.

    A expansão da SpaceX ganhou força nos últimos anos.

    Imagem da matéria
    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A empresa realizou 62 lançamentos em 2022, número que subiu para 98 em 2023, 138 em 2024 e 170 em 2025. De janeiro a agosto de 2026, foram mais 104 missões. O intervalo médio entre lançamentos, que era de 30 dias em 2019, caiu para cerca de 2 dias em 2025 e em 2026, em valores arredondados.

    Foram 412 lançamentos de 2024 a agosto de 2026, o equivalente a 57% das 718 missões contabilizadas pela companhia desde 2006. O ritmo permite à SpaceX ampliar a cobertura da Starlink e substituir rapidamente equipamentos antigos. Os satélites da constelação da empresa têm idade média de 2,2 anos.

    A concorrente mais próxima é a OneWeb , que tem 632 satélites, ou 3,8% do total –a Starlink tem uma frota 17 vezes maior. A rede pertence ao grupo francês Eutelsat e também oferece conexão de baixa latência por meio de mais de 600 equipamentos em órbita baixa. Em janeiro de 2026, a companhia encomendou outros 340 satélites para renovar e expandir a constelação.

    Imagem da matéria
    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A Amazon também tenta reduzir a distância. O projeto da companhia Kuiper Systems, que passou a ser chamada de Amazon Leo , aparece no levantamento com 392 satélites, ou 2,4% do total. O projeto tem uma constelação de 3.236 equipamentos para oferecer internet em órbita baixa.

    A corrida não se limita às telecomunicações.

    O NRO, órgão de inteligência dos Estados Unidos, opera 312 satélites; a Planet Labs tem 110 equipamentos de observação da Terra; e a agência de desenvolvimento espacial do governo norte-americano possui 96 voltados à defesa.

    Imagem da matéria
    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Para o pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Antonio Prado , a concentração em torno de Musk tende a diminuir.

    “ Eu acho que isso é um retrato do momento que vai ser mudado ao longo do tempo. Outros participantes aparecerão para disputar os mercados de internet e outros mercados que possam surgir ”, diz.

    O especialista afirma, no entanto, que esse novo cenário tem riscos, sobretudo em relação à quantidade de objetos circulando nas mesmas faixas de altitude: “ A órbita baixa vai ficando superpopulada. Você aumenta a quantidade de detritos, isso aumenta o risco de choque ”.

    Não há um número único que determine a capacidade máxima da órbita baixa, porque os equipamentos podem ser distribuídos em diferentes altitudes e inclinações. O limite prático aparece antes da ocupação integral do espaço: quanto menor a distância entre os objetos, maior o número de aproximações e de manobras necessárias para evitar acidentes.

    “ Muito antes de você encher o espaço com satélites, porque acabou o espaço, você vai ter colisões em cadeia, um batendo nos outros e todos eles se destruindo ”, disse o pesquisador.

    Ele explica que esse risco se amplifica no fim da vida útil desses satélites. Os objetos ficam menos capazes de realizar manobras e o controle é perdido com mais facilidade.

    Uma colisão pode produzir uma nuvem de fragmentos que atinge outros equipamentos, levando a novos detritos. É o processo conhecido como síndrome de Kessler. A Nasa afirma que, depois de determinada concentração de objetos, a cascata de colisões pode continuar mesmo sem novos lançamentos e tornar algumas órbitas inutilizáveis.

    “ A própria Estação Espacial Internacional já teve várias vezes que fazer manobras evasivas para fugir de detritos espaciais e isso com a quantidade que a gente tem hoje ”, declarou Prado.

    Segundo ele, a escalada também ameaça satélites maiores e mais importantes para a ciência e para a sociedade como um todo, como aqueles usados para previsão do tempo, acompanhamento de desastres e sensoriamento remoto. “ Você vai ganhar uma internet melhor, mas, se você exagerar nessa quantidade, vai começar a ter outras dificuldades .”

    A liderança de empresas norte-americanas no Novo Espaço tem como seu principal concorrente a China. Os Estados Unidos concentram 12.834 satélites, ou 77% do total –86% deles são da SpaceX. A China aparece em um distante 2º lugar, com 1.395 equipamentos e participação de 8,4%. A frota chinesa, entretanto, é recente: seus satélites têm idade média de 3 anos.

    O avanço chinês é liderado principalmente por duas constelações. A estatal China SatNet opera 224 satélites, enquanto a Shanghai Spacecom tem 217 equipamentos da Qianfan, também chamada de SpaceSail. A idade média das duas redes é inferior a um ano. Ambas operam no setor de telecomunicações e projetam constelações na ordem das dezenas de milhares nos próximos anos.

    O Brasil ocupa a 23ª posição, com 20 satélites vinculados a empresas, universidades ou órgãos públicos sediados no país. Representam 0,1% do total e têm idade média de 11,5 anos. O dado não significa que todos tenham sido integralmente produzidos no Brasil, mas indica o país associado ao proprietário ou operador de cada equipamento.

    O programa espacial brasileiro inclui equipamentos desenvolvidos no país, mas lançados por veículos estrangeiros. O 1º satélite brasileiro, o SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados), foi projetado e construído pelo Inpe e colocado em órbita em 1993 por um foguete Pegasus, da empresa norte-americana Orbital Sciences com atuação da Nasa. Já o satélite brasileiro mais jovem, o Carcará 4, da FAB (Força Aérea Brasileira), foi lançado em 2024 pela SpaceX.

    Parte da capacitação brasileira foi construída por meio do programa CBERS , parceria firmada com a China em 1988 para desenvolver satélites de sensoriamento remoto. O Brasil respondeu por 30% dos investimentos e dos componentes dos CBERS-1, 2 e 2B. A participação subiu para 50% nos CBERS-3, 4 e 04A, com a indústria brasileira responsável por itens como estrutura, fornecimento de energia, telemetria, transmissores e câmeras. Os equipamentos foram lançados da China.

    De acordo com Prado, a parceria está sendo “intensificada”, o cientista cita 2 projetos em estudo para colocar mais 2 satélites em órbita. Para ele, ampliar o programa e investimentos nesse setor é necessário. Mencionou o uso para monitorar o território, antever desastres e mapear recursos naturais.

    “ Você pode comprar serviços até certo ponto, mas, em alguns momentos politicamente mais complexos, você precisa ter a sua independência ”, afirmou.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-tech/elon-musk-e-dono-de-2-3-dos-satelites-artificiais-em-orbita/.

    Imagem 1
    1 / 4

    Foto: Poder360

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)