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    Elo do PCC com políticos teria sido “laranja” em negócio de R$ 40 milhões

    Segundo investigações, José Daniel Satilite teria usado o próprio nome na compra de uma distribuidora de derivados de petróleo e atuado em articulações políticas

    CNN Brasil
    18 de setembro de 2026 às 16:08
    Elo do PCC com políticos teria sido “laranja” em negócio de R$ 40 milhões
    Foto: CNN Brasil

    Investigações do MPSP (Ministério Público de São Paulo) e da Polícia Civil apontam José Daniel Satilite, conhecido como “Alemão”, como um dos principais elos entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) e empresários, advogados e políticos.

    As suspeitas deram origem à Operação Vectura Corrupta, realizada nesta quinta-feira (17), que cumpriu mandados contra empresários, advogados, políticos e servidores públicos apontados como integrantes ou participantes da rede investigada. Satilite está entre os alvos de mandado de prisão.

    Segundo os autos, ele teria atuado como “laranja” na compra de uma distribuidora de derivados de petróleo por R$ 40 milhões e participado de articulações envolvendo financiamento eleitoral e contratos públicos de transporte.

    Quem são os alvos de operação contra infiltração do PCC no transporte de SP
    Quem são os alvos de operação contra infiltração do PCC no transporte de SP — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Com antecedentes por roubo, Satilite teria sido registrado como comprador formal da Fanal São Paulo Comércio de Derivados de Petróleo Ltda. A negociação teria sido feita por meio de contratos de gaveta com Victor Sandini Scarlate, filho do antigo proprietário da empresa.

    A operação contou, segundo as investigações, com a atuação do advogado Cícero José dos Santos Filho, apontado como integrante da estrutura jurídica da facção.

    Os relatórios policiais e decisões do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) indicam que Satilite não possuía patrimônio ou capacidade financeira compatíveis com a aquisição de uma empresa desse porte .

    Entenda como funciona a infiltração do PCC no transporte público de SP
    Entenda como funciona a infiltração do PCC no transporte público de SP — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Para os investigadores, ele teria sido usado como intermediário para ocultar a origem de recursos ligados ao PCC.

    A atuação atribuída a Satilite não teria ficado restrita ao setor empresarial. Interceptações telefônicas analisadas pelas autoridades mostram contatos frequentes com Marlon José Souza do Prado Rosa, conhecido como “MR” ou “Hungria”, apontado como líder da chamada “Sintonia dos Gravatas”.

    Segundo os investigadores, os diálogos tratavam de repasses em dinheiro vivo para apoiar a campanha de Danilo Marco Morgado Silva à Prefeitura de Praia Grande nas eleições de 2024.

    "Vou provar minha inocência", diz Milton Leite, alvo de operação em SP
    "Vou provar minha inocência", diz Milton Leite, alvo de operação em SP — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    José Ronaldo Alves de Sales, conhecido como “Ronaldo Cuba”, também aparece nas investigações. Suplente de vereador e ex-assessor parlamentar na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), ele é apontado como uma ponte entre integrantes da facção e políticos locais.

    De acordo com os autos, Ronaldo Cuba teria negociado apoios, facilidades em órgãos públicos e a participação de empresas ligadas ao grupo em licitações municipais.

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    Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apontam ainda que o grupo criminoso controlava ou exercia influência sobre pelo menos 12 das 22 empresas concessionárias do transporte coletivo da capital paulista.

    Os autos também citam o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União). Ele é apontado em apurações e declarações de policiais militares como suposto operador e dono de fato da Transwolff, uma das empresas investigadas por vínculos com o PCC.

    Outro nome citado é o de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Interceptações mostram, segundo os investigadores, conversas entre Satilite e o advogado Cícero sobre reuniões com integrantes da direção do órgão municipal e a transição de garagens após operações policiais.

    Entenda como funciona a infiltração do PCC no transporte público de SP
    Entenda como funciona a infiltração do PCC no transporte público de SP — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A investigação também identificou suspeitas de fraudes em contratos de transporte em municípios como Cubatão, Leme, Diadema e Itanhaém.

    Em Cubatão, segundo os autos, as empresas Translider e A2 Transportes eram administradas pelo empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como “Paulo Korek”.

    Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz teriam sido incluídos no quadro societário como “laranjas” e recebido pagamentos periódicos por meio de intermediários.

    Quem são os alvos de operação contra infiltração do PCC no transporte de SP
    Quem são os alvos de operação contra infiltração do PCC no transporte de SP — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Advogados como Milton Mello Milreu, conhecido como “Ancião”, e Cícero José dos Santos Filho também são investigados por supostamente utilizar escritórios e contas bancárias para operacionalizar reuniões e movimentações financeiras atribuídas à facção.

    “A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça.

    Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.

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    “Precisamos deter a presença do crime organizado na política”, diz professor | CNN NOVO DIA — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

    A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.”

    Além disso, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) determinou a criação de um grupo formado por representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município, da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para analisar os elementos e apurar uma possível intervenção no contrato com a empresa A2.

    “A Prefeitura fará um levantamento rigoroso de contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com o sistema municipal de transporte, adotando imediatamente todas as medidas administrativas e judiciais que forem necessárias para proteger o interesse público e assegurar a continuidade dos serviços à população. A Prefeitura de São Paulo reafirma que não compactua com qualquer irregularidade e continuará colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelas investigações”.

    “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas.

    Nego veementemente todas as acusações e vou provar minha inocência.

    A minha atuação em relação ao setor de transportes se deu a pedido do então prefeito Bruno Covas, em 2019, já que naquela ocasião, como presidente da Câmara, eu ocupava também a função de vice-prefeito na linha sucessória. É público, inclusive, que eu atuei em negociações envolvendo greves no setor.”

    “O escritório Fernando José da Costa Advogados, que representa o Dr. Levi dos Santos Oliveira, foi surpreendido, na manhã desta quinta-feira, com a notícia de sua prisão. Levi dos Santos Oliveira, primário e sem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área. A defesa ainda não teve acesso aos autos, nem às circunstâncias que fundamentaram a medida. Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação.”

    A reportagem t enta contato com os outros citados . O espaço segue aberto.

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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/elo-do-pcc-com-politicos-teria-sido-laranja-em-negocio-de-r-40-milhoes/.

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