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    Eletroacupuntura pode ajudar a aliviar dor persistente após herpes-zóster

    Em estudo, técnica dobrou a proporção de pessoas com redução moderada da dor

    UOL
    11 de outubro de 2026 às 22:00
    Eletroacupuntura pode ajudar a aliviar dor persistente após herpes-zóster
    Foto conceitual de uma mulher de costas, apresentando manchas vermelhas na pele. Enfermidade. — Foto: UOL

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    Um tratamento com eletroacupuntura pode ajudar a aliviar a dor provocada pela neuralgia pós-herpética, complicação do herpes-zóster que pode persistir por meses ou até anos. É o que indica um ensaio clínico realizado com 448 pacientes, publicado no JAMA Neurology. Após quatro semanas, 46,7% dos participantes submetidos à técnica apresentaram redução de pelo menos 30% na intensidade da dor, enquanto no grupo que recebeu o procedimento simulado esse percentual foi de 24,3%.

    Lesões causadas pelo hérpes-zoster, popularmente conhecido como cobreiro - SecondSide/Adobe Stock · SecondSide/Adobe Stock
    Lesões causadas pelo hérpes-zoster, popularmente conhecido como cobreiro - SecondSide/Adobe Stock · SecondSide/Adobe Stock — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Uma redução de 30% é considerada clinicamente relevante em estudos de dor crônica, porque representa uma melhora moderada que o paciente consegue perceber", avalia o neurologista Marcel Simis, do Einstein Hospital Israelita. "Mas isso não significa que 47% dos participantes ficaram sem dor: eles tiveram uma redução de pelo menos 30% na dor em relação ao que sentiam no início. Também chama a atenção que cerca de 24% dos pacientes submetidos ao procedimento simulado alcançaram esse mesmo nível de melhora."

    A neuralgia pós-herpética é uma das principais complicações do herpes-zóster, popularmente conhecido como cobreiro, afetando entre 10% e 18% das pessoas que desenvolvem a doença. Causado pelo mesmo vírus da catapora, o zóster ocorre quando esse vírus, que permanece adormecido no organismo após a primeira infecção, volta a se manifestar anos depois, principalmente com o envelhecimento ou a queda da imunidade.

    Em alguns casos, mesmo depois que as lesões na pele desaparecem, a dor persiste. "O vírus provoca inflamação e pode danificar as fibras nervosas. A pele cicatriza em algumas semanas, mas o nervo pode levar muito mais tempo para se recuperar ou pode não se recuperar completamente, daí surge a neuralgia", explica Simis.

    Médica realiza acupuntura em mulher durante evento do Festival da Primavera no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro
    Médica realiza acupuntura em mulher durante evento do Festival da Primavera no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Algumas fibras lesionadas passam a produzir sinais elétricos anormais e outras são destruídas, alterando assim o processamento sensitivo pelo sistema, fazendo o cérebro interpretar a informação como dor. "Por isso, o paciente pode sentir queimação, pontadas ou choques e, ao mesmo tempo, apresentar perda de sensibilidade. Em alguns casos, até o contato da roupa ou do lençol provoca dor intensa", diz o neurologista.

    O tratamento da neuralgia pós-herpética busca controlar a dor e reduzir seu impacto sobre o sono, o humor e as atividades cotidianas. O problema é que a resposta varia de uma pessoa para outra e, muitas vezes, o alívio é apenas parcial. Entre as opções estão medicamentos como gabapentina e pregabalina, alguns antidepressivos e tratamentos aplicados diretamente na pele, como lidocaína e capsaicina. Os efeitos adversos podem limitar o uso dessas terapias, especialmente entre idosos, que são os mais afetados e que frequentemente têm outras doenças e já tomam vários medicamentos.

    É diante dessas limitações que outras estratégias para controlar a dor, como a eletroacupuntura, vêm sendo investigadas. Diferentemente da acupuntura convencional, em que as agulhas são estimuladas manualmente, na eletroacupuntura pares de agulhas são ligados a um aparelho que libera pequenos pulsos elétricos. No estudo, os pacientes receberam uma corrente de baixa frequência durante 30 minutos, cinco vezes por semana, totalizando 20 sessões em um mês. A intensidade era ajustada até provocar uma contração muscular discreta na região estimulada.

    Movimento antivacina cresce no Texas mesmo após mortes por sarampo
    Movimento antivacina cresce no Texas mesmo após mortes por sarampo — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O mecanismo responsável pelo possível efeito analgésico ainda não está completamente esclarecido. Uma hipótese é de que a estimulação elétrica pode interferir na transmissão dos sinais dolorosos e ativar mecanismos naturais de controle da dor. "Isso não significa que a eletroacupuntura regenere o nervo. Os resultados sugerem um efeito maior sobre a maneira como o sistema nervoso processa a dor do que sobre a lesão nervosa propriamente dita", explica o neurologista do Einstein.

    Na análise, os benefícios da eletroacupuntura permaneceram durante o mês de acompanhamento após o tratamento, e não foram registrados eventos adversos clinicamente importantes. Contudo, o seguimento foi curto e os participantes eram todos chineses, reforçando a necessidade de novos trabalhos em outras populações.

    Portanto, a eletroacupuntura não substitui os tratamentos convencionais. "Hoje, o papel mais razoável da eletroacupuntura é como tratamento complementar, principalmente para pacientes em que os medicamentos não controlam suficientemente a dor ou provocam efeitos adversos. Isso pode ser interessante entre idosos, que têm maior risco de tontura, quedas e confusão mental com alguns remédios", afirma Marcel Simis.

    Mulher com blusa preta recebe exame ocular de profissional com luvas e jaleco branco. Ambiente interno com outras pessoas ao fundo.
    Mulher com blusa preta recebe exame ocular de profissional com luvas e jaleco branco. Ambiente interno com outras pessoas ao fundo. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    No estudo, os pacientes tratados com eletroacupuntura usaram menos analgésicos e uma proporção maior reduziu ou suspendeu algum medicamento. "Mas ainda não temos estudos suficientes comparando diretamente a eletroacupuntura com medicamentos para dizer que ela tenha eficácia semelhante ou superior. Por enquanto, deve ser vista como mais uma possibilidade em um tratamento que precisa ser individualizado", reforça o neurologista.

    A principal forma de prevenir o herpes-zóster é a vacinação . No Brasil, a vacina recombinante é indicada para pessoas a partir dos 50 anos e indivíduos maiores de 18 anos com comprometimento da imunidade ou maior risco de desenvolver a doença. O imunizante está disponível apenas na rede particular.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/10/eletroacupuntura-pode-ajudar-a-aliviar-dor-persistente-apos-herpes-zoster.shtml.

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