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    Eleitor não é idiota, ainda que o algoritmo diga que sim

    O início da campanha eleitoral coloca gostos musicais e coreografias virais à prova nas redes sociais . Já que o algoritmo define vidas, não é raro encontrar a música que embala o candidato de direita também nas páginas de nomes da esquerda. Mesmo sendo políticos "diferentes", por que essa música passa toda hora? Leia mais (08/23/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    24 de agosto de 2026 às 01:00
    Eleitor não é idiota, ainda que o algoritmo diga que sim
    Cinco homens aparecem em retratos verticais lado a lado, cada um com expressão neutra. O primeiro usa chapéu preto e camisa azul clara, o segundo veste terno escuro e camisa branca, o terceiro tem cabelo grisalho e camisa azul clara, o quar — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos​

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    Montagem com os candidatos à Presidência (da esq. p/ dir.): Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão)
    Montagem com os candidatos à Presidência (da esq. p/ dir.): Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Jornalista, apresentadora e analista de política

    O início da campanha eleitoral coloca gostos musicais e coreografias virais à prova nas redes sociais . Já que o algoritmo define vidas, não é raro encontrar a música que embala o candidato de direita também nas páginas de nomes da esquerda. Mesmo sendo políticos "diferentes", por que essa música passa toda hora?

    Não é por falta de opção, ou fim das divergências entre as visões de mundo deles, mas por escolha mesmo daquilo que tem mais alcance .

    Urna eletrônica é exaltada em memes nas redes
    Urna eletrônica é exaltada em memes nas redes — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tirando as músicas autorais que contam a vida do candidato, e chegaram agora na disputa pelo engajamento, o que já está no hype das redes faz o eleitor de 2026 achar que vários candidatos são iguais —ou que, no mínimo, gostam das mesmas músicas.

    O refrão do "a mulher" ou "o homem disparou", que em outras eleições parecia ser a única música da internet , ganhou um rival à altura que insiste em dizer "acordei, hoje é sexta-feira, assim não tem nada que me pare". Levando em consideração que o primeiro turno é sempre no primeiro domingo de outubro, serão seis sextas-feiras até lá, isso sem contar as que teriam até um eventual segundo turno. Abrir o feed nesses dias será da música que todo mundo sabe qual é.

    O eleitor não é idiota. Mas o algoritmo transforma em fenômeno o conteúdo da idiotização. Entre ser didático e falar rebuscado existe um limbo de dancinhas repetidas, frases sem sentido, interações de uma porta, brincadeiras que pouco conversam com governar um país, um estado ou fazer parte do Poder que cria as leis. Executivo e Legislativo podem, plenamente, estar mais perto da sociedade sem cooperar com um conteúdo que não ajuda a pensar.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Alguns políticos flagrados pela operação do Banco Master já perderam a conexão com o mundo dos fatos e têm reforçado postagens em que destacam detalhes de suas rotinas, com músicas e brincadeiras em takes bem iluminados. Eles aproveitaram as investigações para sair de cena mais cedo, ainda no primeiro semestre, e apostar tudo na campanha das redes. Talvez um mundo paralelo com passaporte direto para as eleições, onde decisões do Supremo Tribunal Federal e atuações da Polícia Federal não atrapalhem.

    Mais importante virou acordar e ver qual a "trend" do dia, "aquilo" que o eleitor certamente vai ver e rir. Todos da campanha confiam que também ajude a esquecer da denúncia. Mais emoção, menos razão: é o voto que buscam.

    Há que se observar o pensamento do eleitor que passará os próximos meses rolando o feed em busca de seu candidato para curtir e/ou do adversário para criticar. É praticamente unânime entre especialistas em redes que a internet premia o que é excessivamente simples, estereotipado e repetitivo.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Um espaço entre a verdade e a mentira, onde as regras de equilíbrio eleitoral hoje postas não chegam, já que não estamos falando exatamente de fake news , no modo clássico. Mas de uma estratégia que distrai o eleitor da realidade e o leva para um baile. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/eleitor-nao-e-idiota-ainda-que-o-algoritmo-diga-que-sim.shtml.

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    Montagem com os candidatos à Presidência (da esq. p/ dir.): Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) — Foto: Folha de S.Paulo

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