Eleições têm 107 candidatos trans; 20 concorrem em partidos de centro e direita
A maioria das candidaturas trans nas eleições de 2026 está em partidos de esquerda, mas há quem tente chegar ao Congresso ou às assembleias por legendas de centro e de direita. Leia mais (09/19/2026 - 23h00)

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A maioria das candidaturas trans nas eleições de 2026 está em partidos de esquerda, mas há quem tente chegar ao Congresso ou às assembleias por legendas de centro e de direita.

Levantamento da Folha a partir dos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que 20 dos 107 candidatos que se declararam transgêneros concorrem por partidos desses campos ideológicos. A declaração de identidade de gênero não é obrigatória no registro eleitoral, o que significa que o total de candidatos trans pode ser maior.
A campanha da candidata à deputada federal pelo PL (Partido Liberal) de São Paulo Sophia Barclay, por exemplo, não declarou a identidade de gênero ao TSE. Nas redes, ela se declara "trans de direita antiwoke".
"Não foi uma escolha minha [não declarar a identidade de gênero]. Nem me questionei sobre isso, e também não é relevante ter essa informação lá. Não é algo escondido: quem me acompanha sabe, e os que não acompanham irão saber ao começar a acompanhar", afirmou.

Considerando aqueles que informaram a identidade de gênero, o PSDB conta com seis candidatos trans, MDB , com quatro, Avante , Solidariedade e PP (Progressistas) têm dois, cada.
Também aparecem na lista Cidadania, União Brasil , PRD e Democrata, com uma candidatura cada.
O levantamento classificou as siglas a partir do GPS Partidário , análise que situa os partidos brasileiros da esquerda à direita a partir da vida prática da política, não do que cada legenda declara ser.

Para a pesquisadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Giulia Gouveia, a presença de pessoas trans em legendas da direita, que costumam ser contrárias aos direitos LGBTQIA+ , não é necessariamente uma contradição.
"Partidos políticos não são atores homogêneos. Embora uma legenda apresente identidade política e programa próprios, sua organização interna é composta por diferentes grupos, lideranças, correntes e candidatos, que podem apresentar posições distintas sobre determinados temas", explica.
Gouveia lembra que a identidade de um candidato não permite presumir suas posições políticas. "Ser uma pessoa trans não significa ter a pauta trans como prioridade, assim como ser mulher não implica necessariamente defender pautas relacionadas às mulheres."

Leo Krét do Brasil é outra candidata trans de partido de direita. A baiana disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo União Brasil. Em 2008, foi eleita a primeira vereadora trans de Salvador (BA), pelo PR, legenda que deixou de existir em 2019 e deu origem ao PL.
"Eu me identifico com o centro porque acredito que política precisa ter diálogo e capacidade de transitar por diferentes lados", afirma. "O União Brasil me acolheu desde a minha primeira eleição, em 2008, quando apoiei ACM Neto para prefeito."
Krét ficou conhecida como dançarina do grupo de pagode baiano Saiddy Bamba. A candidata diz que a campanha prioriza projetos sociais de esporte, assim como saúde e defesa dos direitos LGBTQIA+.

Outra candidata trans que tenta vaga de deputada federal é Gilvan Masferrer, que concorre pelo PSDB de Minas Gerais. Em sua terceira eleição, Masferrer foi vereadora pelo DC (Democracia Cristã) em Uberlândia (MG) em 2020. Nas eleições de 2024, saiu como candidata à Câmara Municipal pelo PSB, mas não se elegeu.
"Partidos de esquerda não contribuem com as nossas candidaturas. Infelizmente, nos usam e acabamos não sendo eleitas. Acredito que não importa o partido e sim a conjuntura partidária com apoio e subsídio aos corpos LGBT", diz.
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Masferrer diz que faltaram recursos do PSB para a campanha de 2024. "Acredito que o único partido de esquerda que dá apoio às pessoas trans seja o PSOL. Mas estou feliz no PSDB."
Entre os partidos, o PSOL lidera as candidaturas de pessoas trans, com 39 nomes. Na sequência, aparecem PT , com 16 candidaturas trans, e PDT, com 15. Em 2022, a Câmara elegeu pela primeira vez duas mulheres trans , Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSOL-MG). As duas tentam a reeleição este ano.
As candidaturas trans estão concentradas nas disputas para cargos legislativos. São 53 nomes que concorrem a deputado estadual e 50 a deputado federal. Há ainda dois candidatos a deputado distrital e duas candidaturas para vice-governador.

Leo Balbi (PSOL), que é um homem trans, concorre pela primeira vez nas eleições. Ele é vice na chapa de Isael Munduruku para o governo do Amazonas, filiado à Rede. Pedagogo, Balbi chama atenção para a defesa da educação pública na campanha nas redes.
O outro nome é Seu Alex, candidato a vice-governador no Pará pelo PSTU, na chapa de Well Macêdo (PSTU). Homem trans, ele é operário da construção civil e dirigente do sindicato em Belém. É a segunda vez que concorre a vice-governador no estado. Em 2018, fez parte da chapa de Cleber Rebelo, do mesmo partido.
São Paulo é o estado com maior número de candidatos trans (12), seguido por Rio Grande do Sul (10). Ceará e Minas Gerais empatam em terceiro lugar, com nove cada.
Essa é a segunda eleição em que dados sobre identidade de gênero dos candidatos são divulgados pelo tribunal. O TSE começou a colher essa informação nas eleições municipais de 2024.
A Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) faz um levantamento próprio sobre quantidade de candidaturas trans, a partir dos registros eleitorais e de outras fontes. O total levantado pela associação em 2026 foi de 116 candidaturas, número maior do que o registro do TSE.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/eleicoes-tem-107-candidatos-trans-20-concorrem-em-partidos-de-centro-e-direita.shtml.

Sophia Barclay, candidata à deputada federal pelo PL que se declara 'trans de direita antiwoke', em manifestação pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes - Arquivo pessoal · Arquivo pessoal — Foto: Folha de S.Paulo
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