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    Eleições em território ocupado: por que a votação russa de 18 a 20 de setembro é juridicamente inválida

    Entre 18 e 20 de setembro, a Rússia realiza eleições para a Duma Estatal também nas partes ocupadas das regiões ucranianas de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson. Do ponto de vista jurídico, não se trata de um processo eleitoral convencional, mas de um procedimento sem fundamento legal desde a origem: uma potência ocupante organiza eleições para seu próprio Parlamento em um território que não lhe pertence. Leia mais (09/17/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    18 de setembro de 2026 às 02:00
    Eleições em território ocupado: por que a votação russa de 18 a 20 de setembro é juridicamente inválida
    Dois murais grandes retratam militares russos em uniformes decorados em fachadas de prédios residenciais altos. Entre eles, outdoor azul exibe três homens em trajes formais com texto em russo, promovendo unidade política. Céu nublado e vege — Foto: Folha de S.Paulo

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    Outdoors promovem candidatos do partido Rússia Unida, de Vladimir Putin, em frente a murais de comandantes militares soviéticos em Simferopol, na Crimeia ocupada - Alexey Pavlishak - 15.set.26/Reuters · Alexey Pavlishak - 15.set.26/Reuters
    Outdoors promovem candidatos do partido Rússia Unida, de Vladimir Putin, em frente a murais de comandantes militares soviéticos em Simferopol, na Crimeia ocupada - Alexey Pavlishak - 15.set.26/Reuters · Alexey Pavlishak - 15.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Analista político ucraniano, coordenador do Programa de Cooperação para a Espanha e a América Latina no Centro de Diálogo Transatlântico (Ucrânia)

    Entre 18 e 20 de setembro, a Rússia realiza eleições para a Duma Estatal também nas partes ocupadas das regiões ucranianas de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson. Do ponto de vista jurídico, não se trata de um processo eleitoral convencional, mas de um procedimento sem fundamento legal desde a origem: uma potência ocupante organiza eleições para seu próprio Parlamento em um território que não lhe pertence.

    A posição jurídica é inequívoca. A Convenção de Genebra sobre proteção de civis proíbe a potência ocupante de alterar o status jurídico do território ocupado, inclusive impondo seu sistema eleitoral ou sua cidadania à população local. Os pseudorreferendos de 2022, usados por Moscou para justificar a "incorporação" dessas regiões , foram declarados ilegais pela Assembleia-Geral da ONU e não reconhecidos por nenhum Estado democrático. Logo, os procedimentos eleitorais russos posteriores nesses territórios são juridicamente nulos, independentemente da forma que assumam na legislação russa.

    A vida nas regiões anexadas pela Rússia, em 2024
    A vida nas regiões anexadas pela Rússia, em 2024 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O problema não se limita ao status do território, mas atinge o próprio procedimento. A votação ocorre sob guerra e administração de ocupação: não há competição partidária efetiva , candidatos e observadores independentes não têm acesso, e a votação fora das seções é frequentemente acompanhada por forças de segurança. Boa parte da população pré-guerra está deslocada ou refugiada; quem ficou vota sob pressão direta. Nesse contexto, verificar de forma independente a participação ou os resultados é impossível, e os índices de comparecimento perdem valor probatório.

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    A prática de convidar "observadores" estrangeiros merece atenção especial. O mandato oficial de monitoramento internacional cabe ao Escritório de Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE (ODIHR), que há anos não tem acesso a esses territórios. Em seu lugar, convidam um grupo restrito de estrangeiros —políticos de segundo escalão, ativistas marginais e blogueiros— sem mandato de seus governos ou de organismos internacionais reconhecidos. Sua função é comunicacional: após visita breve e controlada, confirmam publicamente a suposta "transparência" do processo, e essas declarações são reproduzidas pela mídia como prova de reconhecimento internacional. Projetos independentes documentam essa prática em eleições de regimes autoritários: não é observação independente, mas simulação de legitimidade.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A questão deve ser vista em contexto mais amplo. A ausência de padrões democráticos caracteriza o próprio processo eleitoral russo: a oposição efetiva é excluída já no registro, a mídia permanece sob controle estatal, e a observação independente dentro do país é dificultada por pressão administrativa e criminal. Nos territórios ocupados, essas falhas não são exceção —são agravadas pela violação direta do direito internacional humanitário , que por si só exclui qualquer manifestação livre da vontade popular.

    A conclusão é simples: a votação de 18 a 20 de setembro nos territórios ocupados não produz efeitos jurídicos nem pode ser considerada um processo eleitoral legítimo —independentemente do comparecimento, dos resultados oficiais ou do número de estrangeiros dispostos a chamá-la de democrática. Tratá-la de forma neutra, sem ressalvas, contribui indiretamente para a legitimação da ocupação. Por isso, meios de comunicação profissionais e instituições internacionais devem qualificá-la, de forma consistente, como juridicamente inválida.

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    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/eleicoes-em-territorio-ocupado-por-que-a-votacao-russa-de-18-a-20-de-setembro-e-juridicamente-invalida.shtml.

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    Outdoors promovem candidatos do partido Rússia Unida, de Vladimir Putin, em frente a murais de comandantes militares soviéticos em Simferopol, na Crimeia ocupada - Alexey Pavlishak - 15.set.26/Reuters · Alexey Pavlishak - 15.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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