Economia

    Eleições colocam real à prova e mercado troca aposta no Brasil por proteção cambial

    Um caixa conta notas de dólar americano em uma casa de câmbio 9 de abril de 2025 REUTERS/Willy Kurniawan " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/08/Captura-de-tela-2026-08-18-125421.png?fit=908%2C609&quality=70&strip=all" />Citi retirou o real de sua cesta de carry trade e trocou a moeda brasileira pelo rand sul-africano, enquanto Goldman Sachs, Itaú BBA e gestores alertam para aumento do prêmio de risco às vésperas da eleição presidencial The post Eleições colocam real à prova e mercado troca aposta no Brasil por proteção cambial appeared first on InfoMoney .

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    18 de agosto de 2026 às 18:00
    Eleições colocam real à prova e mercado troca aposta no Brasil por proteção cambial
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    Um caixa conta notas de dólar americano em uma casa de câmbio 9 de abril de 2025 REUTERS/Willy Kurniawan

    O real começou a perder parte do brilho que exibiu ao longo de 2026 e, para alguns dos principais bancos globais, com as eleições entrando no radar dos investidores.

    Nas últimas semanas, o câmbio passou a dar sinais de descolamento dos fundamentos que sustentaram a valorização da moeda brasileira ao longo do ano. Mesmo com o diferencial de juros ainda elevado, a queda do dólar global e a recuperação dos preços do petróleo, o real tem apresentado desempenho inferior ao de outras moedas emergentes, num movimento que muitos estrategistas interpretam como o início da incorporação do risco eleitoral aos ativos brasileiros.

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    O movimento levou o Citi a fazer uma mudança relevante em sua cesta de estratégias de carry trade para mercados emergentes. O banco decidiu encerrar sua posição comprada em real e substituí-la pelo rand sul-africano, citando explicitamente o aumento do risco associado à eleição presidencial de outubro.

    Segundo a equipe liderada por Dirk Willer, os mercados de previsão atribuem atualmente cerca de 67% de probabilidade de vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra 27% para Flávio Bolsonaro. Ainda assim, o banco acredita que os investidores devem exigir um prêmio adicional para permanecer expostos ao Brasil à medida que o primeiro turno se aproxima.

    “O mercado tende a reduzir exposição na proximidade das eleições, mesmo quando o resultado parece relativamente previsível”, avaliam os estrategistas do Citi.

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    A leitura do banco é baseada em experiências recentes de outros emergentes, como Colômbia e Hungria, onde ativos financeiros passaram por um processo de precificação de risco antes das eleições, mesmo diante de favoritos claros.

    Cabe destacar que, na última sexta-feira (14), o dólar encerrou a quinta sessão consecutiva de alta, fechando a R$ 5,2213, maior nível desde março. Na semana anterior, a divisa acumulou valorização de 2,7%.

    Para José Faria Júnior, sócio da Wagner Investimentos, um dos sinais mais importantes é justamente o comportamento relativo da moeda. “O real não tem respondido positivamente à alta do petróleo nem à queda do DXY (cesta com as principais moedas). Está negociando na direção oposta das principais moedas emergentes”, afirma.

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    Esse descolamento chama atenção porque o Brasil continua oferecendo uma das maiores taxas reais de juros do mundo, condição que tradicionalmente favorece fluxos para operações de carry trade .

    Na avaliação do Citi, justamente por causa desse diferencial elevado de juros, uma posição comprada em dólar contra o real tornou-se cara. Por isso, a melhor alternativa para muitos investidores pode ser simplesmente reduzir exposição ao Brasil até haver maior clareza sobre o cenário eleitoral.

    O Goldman Sachs também vê uma mudança importante na dinâmica da moeda. Em relatório recente, o banco afirmou que o real entrou em uma fase de volatilidade mais elevada e que o desempenho daqui para frente dependerá menos dos dados correntes da economia e mais das expectativas para a política fiscal após a eleição.

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    Segundo o Goldman, a valorização observada no primeiro semestre havia sido sustentada principalmente pelos fundamentos econômicos e pelo diferencial de juros. Porém, com a aproximação do pleito, o mercado passou a atribuir maior peso à incerteza política.

    O banco avalia que os investidores não estão preocupados apenas com quem vencerá a eleição, mas principalmente com o compromisso do próximo governo com a consolidação fiscal.

    Nesse contexto, a instituição revisou suas projeções para o câmbio e passou a estimar dólar a R$ 5,20 em três meses e R$ 5,10 em seis meses. Anteriormente, as projeções eram de R$ 4,90 e R$ 5,00, respectivamente.

    Ao mesmo tempo, o Goldman ressalta que a volatilidade implícita continua abaixo dos níveis registrados em ciclos eleitorais anteriores, sugerindo que o mercado ainda não precificou um cenário de forte estresse.

    O Itaú BBA tem expectativa do dólar a R$ 5,30 ao fim de 2026, citando um ambiente mais desafiador para a moeda brasileira. Segundo o Itaú, dois fatores devem ganhar peso nos próximos meses: a expectativa de aperto monetário adicional nos Estados Unidos e a manutenção de prêmios de risco elevados no mercado doméstico.

    O Morgan Stanley também apontou que o real já não parece tão atraente para posições compradas direcionais como esteve nos últimos meses. Na avaliação da instituição, o cenário de curto prazo se tornou mais equilibrado à medida que os fluxos para o Brasil perderam intensidade, parte das posições favoráveis ao real começou a ser desmontada e os ruídos eleitorais surgiram antes do esperado.

    Assim, a visão foco do mercado está se deslocando uma vez que, durante boa parte de 2026, a discussão girava em torno de inflação, Selic, balanços corporativos e fluxo estrangeiro. Com menos de dois meses para o primeiro turno, a narrativa começa a migrar para pesquisas eleitorais, probabilidades de vitória e, principalmente, o desenho da política fiscal a partir de 2027.

    Para os estrategistas do Citi, essa mudança tende a provocar redução tática de posições em ativos brasileiros nas próximas semanas.

    Já o Goldman considera que a moeda pode até apresentar movimentos pontuais de recuperação, mas dificilmente sustentará uma apreciação mais forte enquanto persistirem dúvidas sobre os rumos fiscais do próximo governo.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/eleicoes-colocam-real-a-prova-e-mercado-troca-aposta-no-brasil-por-protecao-cambial/.

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