Eleições 2026 e o protagonismo jovem contra a desinformação
A democracia enfrenta um de seus maiores desafios: o avanço desenfreado da desinformação, potencializado ainda mais pela IA (inteligência artificial) . Leia mais (08/20/2026 - 16h55)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A democracia enfrenta um de seus maiores desafios: o avanço desenfreado da desinformação, potencializado ainda mais pela IA (inteligência artificial) .

Ferramentas tecnológicas avançadas tornaram a produção de conteúdos duvidosos extremamente fácil, rápida e de baixo custo. Imagens, textos, áudios e vídeos manipulados são criados em minutos, alimentando bolhas informacionais e reforçando a polarização política, em que narrativas que tratam o oponente como inimigo a ser aniquilado ganham espaço e escala.
Essa dinâmica nociva fere os princípios democráticos da pluralidade e da diversidade de ideias, exigindo uma postura ativa e renovada de toda a sociedade.
O ecossistema digital funciona sob a lógica da disputa pela atenção, onde algoritmos frequentemente impulsionam publicações que geram reações emocionais intensas , como o medo, a raiva e a indignação.

Nesse ambiente de excesso de estímulos, o viés de confirmação faz com que boatos e mentiras grosseiras ganhem tração e engajamento antes que qualquer desmentido possa circular. Por isso, nesse cenário, a tradicional checagem de fatos, embora fundamental, já não basta.
O eleitor precisa desenvolver uma consciência crítica profunda, compreendendo as intenções por trás das mensagens recebidas e questionando ativamente por quais motivos determinados conteúdos chegam até suas telas.
Para enfrentar essa realidade, a imprensa e a educação digital e midiática emergem como pilares essenciais. O jornalismo profissional, feito a partir de critérios e apuração rigorosos, oferece um contraponto crucial às montagens, aos cortes de vídeo descontextualizados e à avalanche de conteúdo sintético produzidos em larga escala.

Paralelamente, a educação midiática atua como escudo preventivo, fornecendo ferramentas para avaliar fontes, buscar evidências e identificar interesses ocultos, e oferecendo instrumentos para que cada pessoa forme sua opinião com liberdade e autonomia.
É nesse contexto que ações como o EducaMídia e o FakeTôFora, iniciativas do Instituto Palavra Aberta, revelam sua imensa relevância. Em paralelo ao período eleitoral, o Prêmio FakeTôFora, já em sua segunda edição, estimula a criação de coletivos de checagem nas escolas, preparando estudantes para atuarem como embaixadores e verificadores de conteúdos. Essa abordagem deixa de ver os jovens como meros alvos de mentiras e os posiciona como parte da resposta.
Ao investigar imagens, comparar fontes e consultar veículos jornalísticos no ambiente escolar, os estudantes desenvolvem habilidades críticas valiosas. O impacto mais profundo reside no efeito multiplicador: esse aprendizado ultrapassa os muros da escola e chega às famílias e comunidades, auxiliando pais, avós e amigos a identificarem boatos, conteúdos fraudulentos e fora de contexto.
Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha
Assim, os jovens assumem a liderança na disseminação de práticas de letramento midiático , fortalecendo o combate à desinformação. É a educação midiática rompendo muros da escola e fortalecendo diretamente as comunidades.
Para Ronney Marcos, professor da rede pública estadual de Sergipe e um dos ganhadores da primeira edição do prêmio com a criação do Observa (coletivo de checagem composto por alunos), "o mais bonito foi ver os estudantes assumindo o protagonismo, investigando, checando informação, produzindo conteúdo e percebendo que também podem contribuir para um ambiente digital mais responsável".
Embora pareça pouco, o impacto de ações como essas muda completamente a forma como o jovem passa a encarar o seu papel no ambiente democrático . Ao incentivar e valorizar programas que engajam a juventude no combate à desinformação, plantamos sementes para um futuro democrático mais robusto em que a informação de qualidade prevaleça sobre a manipulação digital e sobre a desinformação.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/08/eleicoes-2026-e-o-protagonismo-jovem-contra-a-desinformacao.shtml.

Sebastien Bozon - 20.fev.25/AFP · Sebastien Bozon - 20.fev.25/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

