“Eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem”, diz Esteves
Chairman do BTG Pactual vê 2º turno praticamente empatado, com “likely vote” ligeiramente favorável à direita; banqueiro defende ajuste fiscal para levar juros de 14% para 7%

Chairman do BTG Pactual vê 2º turno praticamente empatado, com “likely vote” ligeiramente favorável à direita; banqueiro defende ajuste fiscal para levar juros de 14% para 7%
O chairman do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta 2ª feira (14.set.2026) que a eleição presidencial será decidida por uma margem estreita no 2º turno. Segundo ele, a disputa está “virtualmente empatada”, porém há uma leve vantagem da direita entre os eleitores mais propensos a votar.
“ Eu acho que a eleição vai ser 51 a 49. A gente só não sabe para quem. A gente tem uma eleição empatada, virtualmente ”, afirmou durante o seminário Brasil Hoje, promovido pelo Esfera Brasil, em São Paulo.

Esteves disse que pequenas variações podem alterar o resultado e que a quantidade de eleições estaduais resolvidas no 1º turno poderá influenciar a disputa nacional, especialmente por causa do impacto sobre a abstenção.
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“ Nesse momento, eu vejo esse likely vote, como se chama nisso, ligeiramente favorável à direita” , afirmou, citando o termo em inglês para o “voto favorável”. Segundo ele, esse foi também o padrão observado nas 3 últimas eleições presidenciais brasileiras.

Na avaliação de Esteves, independentemente de quem vencer a eleição, o Brasil já reúne condições econômicas melhores do que em outros momentos de transição presidencial. O principal desafio, segundo ele, é completar a consolidação da estabilidade econômica com a redução dos juros.
“ O Brasil, nós como sociedade, nós temos amadurecido ”, disse. “ Existe um último passo a ser dado na consolidação da estabilidade econômica brasileira: chegar a juros civilizatórios. ”
“ Nós não temos juros civilizatórios. Esse juro de 14% é sufocante para qualquer empresa, incluindo bancos, é ruim para todo mundo ”, afirmou.
Esteves disse que uma redução da Selic de 14% para 7% seria possível e teria impacto maior sobre a economia do que programas específicos de governo.
Segundo ele, o caminho para isso passa pelo equilíbrio fiscal. Esteves comparou a política fiscal e a monetária a um carro em que o motorista acelera e freia ao mesmo tempo.
“ Se você dirigir um carro e apertar o acelerador e o freio ao mesmo tempo, você vai ter que pisar muito mais no freio. É mais fácil você pisar o pé do acelerador, porque aí você precisa pisar menos no freio .”
Ele classificou como “ negacionismo econômico ” acreditar que exista uma alternativa ao ajuste das contas públicas. E pregou o respeito à responsabilidade fiscal.
“ Esse é o caminho cientificamente comprovado. Essa direção é que a gente tem que ir. E se a gente fizer uma justiça não precisa ser fiscal é forte, a gente vai nos levar para o lugar civilizatório da taxa de juros .”
Esteves afirmou que o próximo presidente terá condições de promover um ajuste fiscal relativamente simples, desde que haja disposição política. Para ele, não há necessidade de uma fórmula inédita.
“ Tem aí 50 economistas no Brasil qualificados para dar essas 3, 4 medidas que precisam ser feitas. Não tem segredo .”
O banqueiro defendeu que o ajuste combine redução de despesas e medidas pelo lado das receitas, mas sem ampliar a carga tributária.
Entre as medidas, citou a revisão do volume de títulos isentos de impostos e mudanças para tornar o gasto público mais eficiente.
Esteves defendeu que o próximo governo não espere janeiro para começar a implementar sua agenda econômica. Para ele, uma nova “PEC de transição” deveria ser apresentada ainda em novembro, durante a formação do novo governo.
“ O presidente que for não precisa nem esperar janeiro do ano que vem. A minha sensação é que está na hora da gente fazer a PEC da transição em novembro desse ano .”
O banqueiro afirmou que as medidas necessárias seriam economicamente viáveis e também poderiam ser aprovadas politicamente pelo Congresso. “ Quando a direção é certa, eu acho que o Congresso entrega .”
Ele citou as reformas trabalhista, previdenciária e tributária como exemplos de mudanças estruturais aprovadas mesmo em cenários de baixa popularidade presidencial ou de pouca representação do governo no Congresso.
Apesar de defender que a questão fiscal tenha solução conhecida, Esteves afirmou que o principal risco para o Brasil atualmente é institucional. Ele não citou a crise no STF, mas se disse atento. “ O aspecto institucional me preocupa mais ”, disse.
Para ele, a disputa pela preservação das instituições é mais importante do que a batalha econômica.
“ A batalha econômica está mais fácil. A batalha institucional é que eu acho que é todo mundo que está aqui nesse debate, é a guerra que a gente não pode perder .”
Segundo Esteves, o Brasil precisa preservar um ambiente institucional capaz de dar segurança para investimentos e para o funcionamento do setor privado.
Esteves também afirmou que o Brasil precisa aumentar sua taxa de investimento, mas disse que o Estado sozinho não será capaz de produzir essa mudança.
“ Agora, se as condições econômicas, políticas e institucionais tiverem dadas, o setor privado pode passar de 20% de investimento ”, disse. Hoje, está perto de 16%.
Para o banqueiro, juros menores, previsibilidade e regulação técnica podem destravar esse movimento.
“ Eu acho que cabe ao Estado você regular bem de forma técnica e transparente, que dá as condições para o setor privado fazer investimentos .”
Questionado sobre a necessidade de um grande corte de gastos ou de uma revisão mais cirúrgica das despesas públicas, Esteves defendeu medidas de eficiência.
“ Eu acho que, de novo, para qualquer um que sente na cadeira, existem medidas que são otimizadoras .”
Ele citou como exemplo regras que obrigam governos locais a destinar recursos para determinadas áreas mesmo quando as necessidades da população são outras.
“ Tem coisas tão simples para aumentar a eficiência do gasto público que são não ideológicas, são não partidárias, não são nem de esquerda, nem de direita .”
Para ele, a prioridade deve ser a competência na gestão pública. “ Então, para qualquer um dos 2, eu espero que o que vence é a competência .”
Ao falar sobre o futuro do país até 2030, Esteves rejeitou a ideia de uma transformação econômica imediata e defendeu a continuidade de avanços graduais.
Para ele, a principal transformação econômica necessária é a redução estrutural dos juros.
“ Agora, vai surpreender a gente levar esse juro para 7, é a transformação que o Brasil precisa .”
Esteves comparou a mudança à estabilização promovida pelo Plano Real nos anos 1990.
“ A gente viveu uma grande transformação nos anos 90, que nem todo mundo compreendeu, foi o fim da hiperinflação. Foi uma enorme transformação. Agora, a gente precisa ter o fim do juro .”
Para o banqueiro, a redução dos juros seria capaz de alterar o patamar de investimento e crescimento do país.
“ Se a gente seguir isso aqui que eu falei, nós vamos continuar decolando, vamos continuar melhorando .”
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-economia/eleicao-sera-51-a-49-so-nao-sabemos-para-quem-diz-esteves/.

O banqueiro afirmou que as medidas necessárias seriam economicamente viáveis e também poderiam ser aprovadas politicamente pelo Congresso — Foto: Poder360
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