Brasil

    Eleição sem debate

    Lula tende a não ir ao debate de quinta-feira na TV Globo . Com isso, o primeiro turno ficará sem debate entre os candidatos competitivos. É pena, mas os nomes de uma terceira via tiveram meses para romper a barreira do dígito e não conseguiram. Essa monotonia fez da eleição presidencial um evento burocrático, sem ideias, plataformas ou desafios. Lula 4.0 seria uma continuação de Lula 3.0 que nada foi além dos Lulas passados. Há um candidato do PT , outro contra o PT, e estamos conversados. Leia mais (09/29/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    30 de setembro de 2026 às 02:00
    Eleição sem debate
    Homem idoso de cabelos brancos e barba, vestido com terno preto, camisa branca e gravata vermelha, fala em púlpito branco com fundo azul e cinza. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, autor de cinco volumes sobre a história do regime militar, entre eles "A Ditadura Encurralada"

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    O presidente Lula (PT), então candidato ao Palácio do Planalto, em debate da TV Globo para a chefia do Executivo, no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 28.out.22/AFP · Mauro Pimentel - 28.out.22/AFP
    O presidente Lula (PT), então candidato ao Palácio do Planalto, em debate da TV Globo para a chefia do Executivo, no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 28.out.22/AFP · Mauro Pimentel - 28.out.22/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Lula tende a não ir ao debate de quinta-feira na TV Globo . Com isso, o primeiro turno ficará sem debate entre os candidatos competitivos. É pena, mas os nomes de uma terceira via tiveram meses para romper a barreira do dígito e não conseguiram. Essa monotonia fez da eleição presidencial um evento burocrático, sem ideias, plataformas ou desafios. Lula 4.0 seria uma continuação de Lula 3.0 que nada foi além dos Lulas passados. Há um candidato do PT , outro contra o PT, e estamos conversados.

    A ideia de faltar a mais esse debate é arriscada. Numa eleição apertada como essa, a imagem da cadeira vazia pode ter um efeito desastroso, mesmo para o segundo turno.

    Num debate com quatro candidatos, Lula será o principal alvo. Se as chances de cada um fossem semelhantes, tudo bem. Mas não: Lula e Flávio disputam uma eleição apertada, e os demais tornaram-se figurantes. Está na memória de todos a figura patética do padre Kelmon em 2022. Só com quatro candidatos esse risco estaria reduzido, mas não eliminado.

    Lula na campanha eleitoral de 2026
    Lula na campanha eleitoral de 2026 — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ir ao debate seria a melhor ideia. No caso de Lula, teria a vantagem adicional de espanar a ideia segundo a qual está cansado.

    Com Flávio Bolsonaro a situação se agrava. Ele é o pai, que por sua vez personifica pouco mais que um renitente sentimento antipetista. O Brasil é maior que essa mixaria, e os desafios estão aí.

    A novela da corrupção na alta magistratura continuará sendo assunto nos próximos meses e é bom que seja assim, mas o país de farofeiros deslumbrados está ofuscando outro país, que anda.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nele constroem-se novas linhas de metrô em São Paulo , mais o túnel Santos-Guarujá. Na semana passada zarpou do porto de Lüsi, na China , o maior bate-estacas marítimo do mundo. Ele vem para a obra da ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, com 12,4 quilômetros de extensão, um pouco maior que a Rio-Niterói.

    Com obras desse tamanho, os charutos do procurador-geral Paulo Gonet são apenas fumaça, produzida por um burocrata deslumbrado, escoltado por um banqueiro espertalhão.

    O Brasil é muito maior do que a arena onde pontificam esses doutores. Por isso é pena que a sucessão presidencial esteja num nível inédito de indigência. Parece até que a eleição é uma formalidade. Temas abundam, mas falta disposição aos candidatos, sobretudo a Lula e Bolsonaro, para debatê-los.

    Como não há debates, ideias nem propostas, Nossa Senhora Aparecida ocupou o espaço vazio .

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    Se algum político ou religioso quiser retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, terá uma surpresa: a fé popular manterá o título. A ideia de destronar Nossa Senhora é velha e inútil.

    Os poderosos da ocasião tomam carona na história da santa que atrai milhões de peregrinos a cada ano.

    Mexer com devoções populares nunca deu certo. A hierarquia católica tentou enquadrar a devoção dos napolitanos por San Gennaro ou a dos nordestinos por Padre Cícero. Pura perda de tempo.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/eliogaspari/2026/09/eleicao-sem-debate.shtml.

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    O presidente Lula (PT), então candidato ao Palácio do Planalto, em debate da TV Globo para a chefia do Executivo, no Rio de Janeiro - Mauro Pimentel - 28.out.22/AFP · Mauro Pimentel - 28.out.22/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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