Economia

    Eleição pode mexer forte com juro, dólar e Bolsa – Goldman destaca sua “maior aposta”

    Painéis de mercado inspirados na B3 mostram oscilações de preços e queda, em referência à volatilidade e à gestão de risco no day trade. " data-image-caption=" Imagem conceitual representa a volatilidade no mercado brasileiro em períodos eleitorais e os impactos sobre operações de day trade. Imagem gerada com uso de IA. " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/ChatGPT-Image-14-de-set.-de-2026-19_09_19.jpg?fit=1280%2C720&quality=70&strip=all" />Banco avalia que os juros locais carregam prêmios elevados diante dos fundamentos macroeconômicos e podem apresentar f

    InfoMoney
    1 de outubro de 2026 às 16:00
    Eleição pode mexer forte com juro, dólar e Bolsa – Goldman destaca sua “maior aposta”
    Foto: InfoMoney

    Painéis de mercado inspirados na B3 mostram oscilações de preços e queda, em referência à volatilidade e à gestão de risco no day trade.

    Imagem conceitual representa a volatilidade no mercado brasileiro em períodos eleitorais e os impactos sobre operações de day trade. Imagem gerada com uso de IA.

    A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, o Goldman Sachs vê espaço para movimentos relevantes nos ativos brasileiros, mas considera que a melhor assimetria está hoje na curva de juros.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Em relatório sobre o posicionamento do Brasil antes da votação de domingo (4), o banco avalia que os juros locais carregam prêmios elevados diante dos fundamentos macroeconômicos e podem apresentar forte fechamento caso o resultado eleitoral seja interpretado pelo mercado como favorável a uma maior disciplina fiscal.

    O comportamento seria assimétrico, já que um resultado entendido como fiscalmente negativo também poderia provocar venda de ativos e abertura das taxas, mas, nas contas da instituição, a magnitude desse movimento tende a ser menor do que o potencial de queda dos juros em um cenário benigno.

    “Vemos os juros locais oferecendo a melhor assimetria entre os ativos brasileiros antes da eleição”, resume o relatório.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Por isso, a preferência do banco é por posições aplicadas no miolo da curva de DI, isto é, apostas na queda das taxas intermediárias. Uma posição mais distante na curva também permite reduzir parte da exposição à volatilidade de curto prazo provocada pelos preços de energia.

    Essa preferência ocorre uma vez que o déficit fiscal total brasileiro está próximo de 10% do PIB, aponta o Goldman, maior entre os mercados emergentes de juros locais acompanhados pela instituição. O déficit primário é consideravelmente menor, em torno de 0,6% do PIB.

    Mais da metade da dívida pública doméstica está diretamente indexada à Selic, enquanto o prazo médio da dívida é relativamente curto. Isso significa que mudanças na taxa básica chegam relativamente rápido ao custo financeiro do governo.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Essa característica, hoje negativa porque os juros estão elevados, poderia funcionar na direção contrária caso um resultado eleitoral aumentasse a credibilidade fiscal.

    Na avaliação da equipe de estratégia, maior disciplina fiscal permitiria juros menores; juros menores reduziriam a conta financeira do governo; e essa economia reforçaria novamente a trajetória fiscal, criando um círculo virtuoso entre política monetária e contas públicas.

    Dependendo do nível para o qual os juros convergissem no médio prazo, o Goldman Sachs estima economia acumulada com despesas financeiras entre 2 e 3,7 pontos percentuais do PIB. O banco calcula ainda que existe atualmente um prêmio residual médio de aproximadamente 80 pontos-base entre os vértices de dois a dez anos da curva de DI, além do que seus modelos explicam por inflação, crescimento, fiscal e fatores externos.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Um resultado eleitoral favorável ao mercado poderia funcionar como o catalisador para retirar parte desse prêmio.

    Já para o câmbio, o Goldman Sachs destaca que o real vem sendo sustentado pelos juros elevados e pela melhora nos termos de troca. Os juros reais brasileiros antes desta eleição são maiores do que antes de qualquer outro pleito presidencial desde 2010, segundo o relatório.

    No cenário fiscal positivo, o banco considera o dólar a R$ 4,80 compatível com a eliminação completa do prêmio fiscal residual que surgiu durante a desvalorização do real em 2024.

    Painéis de mercado inspirados na B3 mostram oscilações de preços e queda, em referência à volatilidade e à gestão de risco no day trade.
    Painéis de mercado inspirados na B3 mostram oscilações de preços e queda, em referência à volatilidade e à gestão de risco no day trade. — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Com melhora fiscal mais forte e ambiente externo favorável, haveria espaço para valorização adicional. O relatório considera uma faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 plausível em um resultado amigável ao mercado.

    No sentido oposto, uma deterioração fiscal que devolvesse o prêmio de risco aos níveis de dezembro de 2024 seria consistente com dólar perto de R$ 5,80. Se o prêmio retornasse para níveis semelhantes aos observados em setembro daquele ano, a referência seria aproximadamente R$ 5,40.

    O banco faz, contudo, uma ressalva importante: eleições passadas mostram que movimentos cambiais imediatamente posteriores ao primeiro turno podem ser grandes, mas não necessariamente duradouros.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Em 2022, por exemplo, o real avançou 4,5% no primeiro pregão posterior ao primeiro turno. Já em 2018, o movimento acumulado antes do segundo turno chegou a aproximadamente 10%.

    A conclusão é que rapidamente o mercado deixa de negociar apenas o resultado eleitoral e passa a cobrar nomes para a equipe econômica e implementação efetiva das políticas anunciadas.

    Para a Bolsa, o Goldman Sachs também enxerga oportunidades, especialmente fora das empresas exportadoras de commodities.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    O Ibovespa havia subido cerca de 10% desde as mínimas de meados de agosto na data do relatório, puxado principalmente pelos setores domésticos sensíveis aos juros. No ano, o índice acumulava alta de 13%.

    Mas o banco vê diferenças importantes. Mesmo depois do rali, as ações domésticas, excluindo exportadoras de commodities, estavam estáveis no acumulado do ano. A cesta de empresas sensíveis aos juros do Goldman Sachs recuava 5%, mesma queda do índice de small caps.

    Esses segmentos apresentam sensibilidade às taxas aproximadamente duas a três vezes maior que o índice cheio e são negociados a 10,3 vezes os lucros projetados, aproximadamente 0,9 desvio-padrão abaixo da média dos últimos dez anos.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    A combinação cria, segundo o banco, uma assimetria interessante se a eleição provocar melhora fiscal suficientemente forte para reduzir os juros.

    Além das ações sensíveis às taxas, o Goldman Sachs aponta estruturas de call spread de curto prazo em índices como uma das formas mais atraentes de posicionamento para um eventual rali eleitoral. O interesse aberto em opções de compra do EWZ aumentou significativamente nas semanas anteriores ao relatório.

    Olhando para eleições anteriores, o banco ainda encontrou movimentos relevantes entre os dois turnos, embora sem um padrão único.

    Imagem da matéria
    Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Em 2006, 2018 e 2022, o MSCI Brazil avançou entre 4% e 7% em reais entre primeiro e segundo turnos. Em dólares, os ganhos ficaram entre 6% e 9%. Em 2014, porém, houve queda de 5%.

    Utilities, energia, instituições financeiras e consumo discricionário estiveram entre os segmentos que historicamente tiveram maior sensibilidade no período eleitoral.

    Contudo, os movimentos depois da eleição foram mais importantes. Em 2006 e 2018, as ações brasileiras chegaram a acumular altas entre 10% e 20% nos seis meses seguintes. Depois da eleição de 2022, o movimento foi inverso, com correção de aproximadamente 15%. A diferença residiu justamente nas políticas implementadas após a votação.

    Embora as entradas estrangeiras tenham aumentado recentemente, os fluxos acumulados continuam baixos na comparação com outros ciclos eleitorais. O banco considera que isso pode mudar quando a incerteza sobre a eleição desaparecer, sobretudo diante de um resultado interpretado como positivo pelo mercado.

    A leitura reforça a possibilidade de uma segunda etapa do movimento de valorização. O investidor macro já começou a construir posições por meio de opções, enquanto uma entrada estrangeira mais disseminada ainda não ocorreu.

    No crédito soberano, porém, a assimetria é menos atraente. Os spreads dos títulos brasileiros em dólares estão historicamente apertados e vêm superando o desempenho do índice de emergentes high yield desde julho. Assim, há menos espaço para compressão adicional e maior risco de abertura se o resultado das urnas for interpretado negativamente.

    A mensagem central do relatório é que o domingo pode provocar movimentos abruptos, mas o resultado eleitoral isoladamente dificilmente determinará onde juros, dólar e Bolsa estarão meses depois.

    Para os juros, o Goldman Sachs vê a melhor assimetria imediata, porque a curva já carrega prêmio elevado e poderia iniciar um movimento mais profundo de fechamento em caso de melhora fiscal.

    No câmbio, a faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 ganha relevância em um cenário fiscal benigno, enquanto R$ 5,40 a R$ 5,80 serve como referência para diferentes graus de deterioração. Na Bolsa, ações domésticas e sensíveis aos juros permanecem como os segmentos com maior potencial de reação.

    The post Eleição pode mexer forte com juro, dólar e Bolsa – Goldman destaca sua “maior aposta” appeared first on InfoMoney .

    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/eleicao-pode-mexer-forte-com-juro-dolar-e-bolsa-goldman-destaca-sua-maior-aposta/.

    Imagem 1
    1 / 9

    Foto: InfoMoney

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)