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    Eleição no Brasil pode decidir futuro de relações com Israel e Ucrânia

    Relações diplomáticas entre Brasil, Ucrânia e Israel estão rebaixadas, após tensões envolvendo as guerras na Europa e Oriente Médio

    Metrópoles
    22 de agosto de 2026 às 07:30
    Eleição no Brasil pode decidir futuro de relações com Israel e Ucrânia
    Foto: Metrópoles

    Além da definição política interna, as eleições brasileiras deste ano também podem determinar o futuro das relações diplomáticas do Brasil com Ucrânia e Israel — cujos laços estão prejudicados após desentendimentos causados pelas guerras na Europa e no Oriente Médio.

    A posição pode ser alterada a depender de qual dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas vença a disputa: o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou o senador Flávio Bolsonaro (PL).

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protagonizou ruídos públicos com os dois países após críticas sobre a forma como ambos conduziam seus respectivos conflitos. No caso da Ucrânia, Lula chegou a dizer que o presidente Volodymyr Zelensky seria tão responsável pela guerra quanto Vladimir Putin, que ordenou a invasão a Kiev.

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    Arte/Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Lula também fez críticas à contraofensiva israelense ao Hamas na Faixa de Gaza. O presidente brasileiro chegou a atuação do país ao Holocausto promovido por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial, que matou milhões de judeus.

    A postura de Lula diante os conflitos afetou a relação diplomática entre os dois países, que há mais de um ano não têm embaixadores no Brasil.

    No mundo da diplomacia, manter uma embaixada sem embaixador é visto como uma forma de diminuir o nível de importância na relação entre dois países . A retirada de um embaixador pode acontecer ainda como uma forma de protesto político, indicando insatisfação.

    Imagem colorida mostra eleições, Ucrânia, Brasil e Israel - Metrópoles
    Imagem colorida mostra eleições, Ucrânia, Brasil e Israel - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Já Flávio Bolsonaro tem uma posição mais próxima a Israel. Ele visitou o país em janeiro de 2026 para se encontrar com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e tem prometido alinhar a política externa brasileira a Israel a partir de 2027, caso seja eleito.

    A crise entre Brasil e Israel começou em fevereiro 2024, quando o presidente Lula comparou as ações israelenses na Faixa de Gaza com o Holocausto de judeus, durante a Segunda Guerra Mundial, a mando de Adolf Hitler.

    Na época, o líder brasileiro criticou os assassinatos em massa de civis palestinos durante as respostas das Forças de Defesa de Israel (FDI) ao ataque do Hamas contra o território israelense. Lula afirmou que as cenas em Gaza “não existiu em nenhum outro momento histórico”, exceto quando “Hitler resolveu matar os judeus”.

    Eleição no Brasil pode decidir futuro de relações com Israel e Ucrânia - destaque galeria
    Eleição no Brasil pode decidir futuro de relações com Israel e Ucrânia - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A declaração gerou respostas imediatas do governo israelense, que declarou Lula como persona non grata em Israel. Além disso, o então embaixador brasileiro no país, Frederico Meyer, foi convocado para reprimendas no Museu do Holocausto.

    Ao enxergar o gesto israelense como uma humilhação, o governo do Brasil chamou Meyer de volta ao país. Meses depois, em maio, o diplomata foi retirado do cargo de forma definitiva. O governo Lula ainda decidiu retirar o país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), e aderiu a ação movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (ICJ).

    Mesmo em meio à crise, a diplomacia de Israel manteve o embaixador Daniel Zonshine no Brasil por alguns meses. O diplomata, no entanto, tinha data marcada para deixar o posto em Brasília, já que iria se aposentar em agosto de 2025.

    Lula e Netanyahu
    Lula e Netanyahu — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Por isso, a diplomacia israelense indicou, em janeiro do último ano, o ex-embaixador de Israel na Colômbia, Gali Dagan, para assumir o cargo no Brasil. O governo brasileiro, contudo, não respondeu ao pedido de agrément — o aval para a indicação — e irritou o governo de Israel.

    Com a saída de Zonshine, e a falta de resposta do Itamaraty, a chancelaria israelense retirou o pedido de agrément e decidiu manter a relação diplomática com o Brasil em um nível diplomático inferior.

    Para fontes ligadas à diplomacia israelense, ouvidas pelo Metrópoles sob condição de reserva, a expectativa é de que o cenário pode mudar no próximo ano, após as eleições.

    Flávio Bolsonaro e Netanyahu
    Flávio Bolsonaro e Netanyahu — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Mas, caso Lula seja reeleito para um quarto mandato, interlocutores temem que a relação continue no estágio atual — onde membros da diplomacia brasileira costumam faltar, até mesmo, em celebrações oficiais e eventos promovidos pela embaixada israelense em Brasília.

    Para fontes diplomáticas do governo ucraniano consultadas pelo Metrópoles , a relação entre os dois países poderia até mudar depois das eleições. De toda forma, a situação é menos clara politicamente do que Israel. Tanto que nem Lula e nem Flávio Bolsonaro adotaram posturas públicas em relação ao conflito Rússia x Ucrânia.

    O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem defendido que o país tenha uma postura neutra, ainda que, de início, tenha elogiado a resistência ucraniana e criticado o alinhamento de Lula à Rússia no Brics. Neste último caso, trata-se mais de uma questão para se alinhar com Donald Trump, um crítico do bloco.

    Lula x Flávio
    Lula x Flávio — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Mas a posição sobre a guerra, para o bolsonarismo, é uma questão dúbia, inclusive familiar. O próprio Jair esteve na Rússia, no início de 2022, durante o conflito, disse entender o lado russo e manifestou apoio a Putin.

    Atualmente, já no governo Lula, a Ucrânia gostaria que o Brasil fosse mais enfático nas críticas à Rússia e anseia por um apoio do governo brasileiro diante o conflito – algo que, preferencialmente, pudesse resultar em ajuda ou até mesmo apoio militar, o que a gestão Lula se recusa a fornecer .

    A avaliação é uma mudança de postura em relação à guerra não deve ocorrer enquanto Lula for o presidente do Brasil . Membros do governo ucraniano relatam pouco espaço para diálogo com o Executivo enquanto apostam no relacionamento com parlamentares do Congresso , especialmente políticos da oposição, que demonstram maior apelo à causa ucraniana.

    Mas o roteiro em um possível futuro governo de Flávio Bolsonaro também é incerto.

    O pano de fundo para a crise diplomática entre Brasil e Ucrânia são as rusgas entre o presidente Lula e o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky . Os dois passaram a se desentender após a guerra no Leste Europeu, travada entre Rússia e Ucrânia. As duas nações estão em conflito desde fevereiro de 2022 , quando Vladimir Putin ordenou que tropas russas invadissem o país vizinho .

    Em comentários sobre a guerra, Lula deu declarações controversas e, em uma das oportunidades, chegou a dizer que Zelensky era tão responsável pelo conflito quanto Putin . As manifestações renderam críticas por parte do líder ucraniano. Lula, por outro lado, manteve a proximidade com Putin neste período e chegou a visitar a Rússia em maio de 2025 .

    Lula tem uma relação próxima com a Rússia de Putin que remete aos seus primeiros mandatos. Essa relação se transformou em profundos laços políticos e econômicos com a criação dos Brics (bloco de nações emergentes originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) — fundado após iniciativa de Brasília e Moscou. As relações entre Brasil e Ucrânia ganharam novos contornos após um encontro entre Lula e o presidente ucraniano, ocasião em que discutiram a guerra em curso na Ucrânia. Em oportunidade posterior, Zelensky chegou a pedir que o presidente brasileiro utilizasse a proximidade com Vladimir Putin para incentivá-lo a negociar diretamente com Kiev um fim para o conflito.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/eleicao-no-brasil-pode-decidir-futuro-de-relacoes-com-israel-e-ucrania.

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