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    Eleição à Câmara ganha prioridade em partidos por acesso a fundos públicos

    A eleição para deputados federais se consolidou como prioridade nos cálculos de boa parte dos principais partidos do país. O movimento se explica pelo desenho do financiamento público e pelo peso que a Câmara ganhou nos últimos anos, apontam especialistas. Leia mais (10/03/2026 - 15h04)

    Folha de S.Paulo
    3 de outubro de 2026 às 18:04
    Eleição à Câmara ganha prioridade em partidos por acesso a fundos públicos
    Grupo de deputados em plenário com expressões de comemoração, muitos com punhos erguidos. Um deputado segura placa amarela com texto "Piso para profissionais 6x1". Mesa principal com três deputados sentados, dois deles com microfones e docu — Foto: Folha de S.Paulo

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    A eleição para deputados federais se consolidou como prioridade nos cálculos de boa parte dos principais partidos do país. O movimento se explica pelo desenho do financiamento público e pelo peso que a Câmara ganhou nos últimos anos, apontam especialistas.

    Deputados federais e parlamentares comemoram aprovação do fim da escala 6x1 - Gabriela Biló - 27.mai.26/Folhapress · Gabriela Biló - 27.mai.26/Folhapress
    Deputados federais e parlamentares comemoram aprovação do fim da escala 6x1 - Gabriela Biló - 27.mai.26/Folhapress · Gabriela Biló - 27.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O resultado da eleição para a Casa ajuda a definir quanto cada sigla recebe dos fundos e quem supera a cláusula de desempenho —a regra condiciona o acesso ao fundo partidário e à propaganda no rádio e na TV a uma votação mínima. Neste ano, o patamar é de 13 deputados eleitos ou 2,5% dos votos válidos, distribuídos em pelo menos nove unidades da federação.

    No fundo partidário, que custeia sobretudo a manutenção das siglas, 95% dos recursos são divididos conforme os votos para deputado federal. O fundo eleitoral soma R$ 4,96 bilhões neste ano, mesmo valor nominal de 2022. Desse total, 35% são divididos conforme os votos de cada partido para a Câmara, 48%, conforme o número de deputados que o partido elegeu, e 15%, de acordo com o número de senadores.

    O PDT, que em 2022 lançou Ciro Gomes à Presidência, previu naquele ano 40% do fundo eleitoral às campanhas majoritárias e 30% às proporcionais. Neste ano, aliado a Lula (PT), o partido reservou 50% do fundo aos candidatos a deputados, sendo 80% desse valor para a disputa à Câmara, e 20% às campanhas para majoritárias.

    Manifestantes vão às ruas pelo Brasil contra Congresso e PL da Dosimetria
    Manifestantes vão às ruas pelo Brasil contra Congresso e PL da Dosimetria — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já o União Brasil, que concorreu ao Planalto com Soraya Thronicke há quatro anos, elevou de 65% para 80% a fatia destinada às candidaturas proporcionais.

    Segundo Joyce Luz, professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) de São Paulo, enquanto as campanhas presidenciais são mais custosas, especialmente para partidos de médio e pequeno porte, a eleição para a Câmara garante a maior parte dos recursos de que as siglas dependem para sobreviver.

    Em alguns casos, a cláusula aparece por escrito, sem especificar porcentagens. O MDB, neutro na disputa presidencial pela primeira vez em 20 anos, reservou R$ 170 milhões dos cerca de R$ 400 milhões que recebeu às candidaturas à Câmara e às Assembleias, "com prioridade para os deputados federais".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Já o Cidadania, que em 2022 não separava os recursos por cargo, passou a reservar ao menos 70% às candidaturas proporcionais, com prioridade aos candidatos a deputado federal "tendo em vista a necessidade de atingimento da cláusula de desempenho".

    No PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, 80% do fundo vai para candidatos a senador e a deputado federal, cargos que a resolução trata como "prioridade estratégica". O partido também condiciona o apoio às campanhas de governador e senador à força das chapas para a Câmara e dá preferência aos estados com nominatas proporcionais competitivas.

    A Rede lista a disputa por vagas de deputado federal como sua primeira prioridade, à frente do Senado e das Assembleias, em razão da necessidade de ampliar sua representação parlamentar.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A combinação entre as regras dos fundos e a cláusula faz da eleição para deputado federal peça central dos partidos, diz Lúcio Rennó, professor de ciência política da UnB (Universidade de Brasília). Disputas mais caras e concorridas, como as de presidente, governador e senador, ficam em segundo plano, afirma.

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    A estratégia não é nova. Em 2022, o Avante já determinava que o fundo seria usado prioritariamente em candidaturas a deputado federal para cumprir a cláusula. Joyce Luz avalia que a eleição para deputado federal ganha maior importância desde 2018, primeira eleição geral financiada pelo fundo eleitoral. Com o fim das doações de empresas, afirma, as campanhas passaram a depender sobretudo de dinheiro público.

    O caminho inverso ocorre no PSD, que lançou Ronaldo Caiado à Presidência. Em 2022, o partido previu 28% do fundo às campanhas majoritárias estaduais e 72% às proporcionais. Neste ano, fixou um teto de 80% para as majoritárias, que incluem a disputa presidencial, e um piso de 20% para as proporcionais.

    Partidos maiores fazem outra conta, segundo Luz, que considera a visibilidade do candidato, sua capacidade de arrecadar e as chances de vitória. No caso do PSD, afirma, a candidatura também serve para projetar a sigla para a eleição de 2030.

    Ficar fora da disputa presidencial, por outro lado, nem sempre resulta em mais dinheiro para deputados. O Republicanos , neutro na corrida ao Planalto, elevou de 20% para 30% o teto do fundo para candidatos a governador e senador, e reduziu de 95% para 90% o limite para as candidaturas proporcionais.

    Segundo Hilton Fernandes, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, não lançar candidato à Presidência permite às legendas concentrar recursos onde têm mais chances e negociar depois com quem vencer a eleição presidencial.

    Dentro das chapas para a Câmara, a prioridade recai sobre quem já tem mandato. MDB, PP, PDT, PSB, PV, PSOL e Cidadania citam a reeleição entre os critérios de distribuição. O PP elevou de R$ 2,5 milhões para até R$ 3,18 milhões o valor destinado a cada deputado federal que tenta um novo mandato. Para Luz, a lógica reduz o espaço de novatos, que tendem a receber menos recursos.

    O peso da eleição para deputado também acompanha o ganho de poder do Congresso sobre o Orçamento. Luz e Fernandes apontam como marco as emendas parlamentares de execução obrigatória, adotadas a partir de 2015, que permitem aos parlamentares destinar recursos a suas bases sem depender do governo.

    Para Fernandes, isso inverteu a relação de forças. Antes, o presidente podia reter recursos de um deputado que votasse contra o governo. Hoje, diz, os recursos estão "muito fortemente na mão dos deputados".

    Emerson Cervi, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná, associa a mudança ao chamado orçamento secreto, que ganhou força no governo Jair Bolsonaro, com Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara.

    Se antes os partidos disputavam ministérios para ter acesso a parte do Orçamento, hoje chegam a esse dinheiro diretamente pelo Congresso.

    Para Cervi, a prioridade à Câmara tem pouco a ver com a formulação de políticas públicas. "Partido que quer discutir política pública apresenta candidato ao Executivo", diz.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/eleicao-a-camara-ganha-prioridade-em-partidos-por-acesso-a-fundos-publicos.shtml.

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    Deputados federais e parlamentares comemoram aprovação do fim da escala 6x1 - Gabriela Biló - 27.mai.26/Folhapress · Gabriela Biló - 27.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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