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    'Ela também é uma vítima': quem é Christa Pike, que pode ser a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos

    Quem é Christa Pike Tennesse Department of Corrections/BBC Ashlee Sellars teve notícias de sua amiga Christa Pike pela última vez no início desta semana, quando Pike lhe enviou uma mensagem de texto de sua cela no corredor da morte, enquanto se prepara para ser executada por injeção letal pelo estado americano do Tennessee. Pike disse a Sellars que não quer que nenhum de seus entes queridos esteja presente na quarta-feira, dia de sua execução. "Ela não quer que passemos por isso", diz Sellars. LEIA TAMBÉM China e EUA concordam em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias Governo Trum

    G1
    29 de setembro de 2026 às 08:00
    'Ela também é uma vítima': quem é Christa Pike, que pode ser a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos
    Foto: G1

    Quem é Christa Pike — Foto: Tennesse Department of Corrections/BBC

    Ashlee Sellars teve notícias de sua amiga Christa Pike pela última vez no início desta semana, quando Pike lhe enviou uma mensagem de texto de sua cela no corredor da morte, enquanto se prepara para ser executada por injeção letal pelo estado americano do Tennessee.

    Pike disse a Sellars que não quer que nenhum de seus entes queridos esteja presente na quarta-feira, dia de sua execução.

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    "Ela não quer que passemos por isso", diz Sellars.

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    Sellars tem dificuldade em conciliar essa mulher, que ela só conhecia como gentil e protetora, com a pessoa que cometeu um crime hediondo há 31 anos.

    Pike, agora com 50 anos, tinha 18 quando ela e seu namorado da época, Tadaryl Shipp, espancaram, torturaram e assassinaram Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos que conheceram em um acampamento de treinamento profissional para adolescentes problemáticos.

    O assassinato causou um frenesim na mídia em Knoxville, Tennessee, em 1995, quando Colleen foi encontrada com um pentagrama, símbolo de ritual satânico, esculpido em seu peito.

    Pike acusou Colleen de insultá-la e tentar roubar seu namorado. Dois outros moradores do acampamento testemunharam posteriormente que Pike se gabou do assassinato antes e depois, e mostrou-lhes um pedaço do crânio de Colleen.

    Um ano depois, ela foi condenada à morte, enquanto Shipp - que tinha 17 anos na época - recebeu uma sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional.

    Após anos de apelações sem sucesso, a execução de Pike foi marcada para quarta-feira. Se ocorrer, ela será a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Apenas 18 mulheres foram executadas nos EUA desde a década de 1970, em comparação com 1.663 homens.

    A mãe de Colleen disse que deseja que a execução de Pike aconteça para que sua filha "finalmente possa descansar em paz".

    A estudante Colleen Slemmer foi torturada e brutalmente assassinada em 1995. — Foto: Foto cedida pela família/BBC

    Mas os advogados de Pike, que apresentaram um pedido de clemência de 226 páginas, ainda esperam por um adiamento de última hora, e especialistas em direitos humanos da ONU também pediram que a execução seja suspensa.

    Pike possui um histórico documentado de abuso sexual infantil, abandono e negligência. Seus advogados acreditam que, se ela fosse considerada culpada do mesmo crime hoje, como adolescente, não receberia a pena de morte.

    Nos anos que se seguiram à sua condenação, a sua equipe de defesa descobriu detalhes sobre a sua infância que, segundo eles, o júri nunca teve a oportunidade de considerar.

    "É incompreensível que eles não tenham apresentado nenhum detalhe do histórico de abuso e estupro dela, mesmo sabendo disso", diz Sandra Babcock, especialista em questões de gênero e pena de morte da Faculdade de Direito de Cornell, que trabalhou na defesa de Pike.

    "O caso dela é tão singularmente fascinante, não apenas por causa de seu histórico realmente incompreensível de violência sexual, mas pela combinação disso com sua juventude e sua doença mental."

    Em 1995, a psicóloga forense Dra. Diana McCoy foi contratada pela equipe de defesa de Pike e constatou que ela havia sido gravemente negligenciada por ambos os pais.

    O relatório de McCoy revelou que Pike sofreu abusos físicos e sexuais por parte de vários maridos e namorados de sua mãe, e foi estuprada diversas vezes, uma vez aos 11 anos e novamente aos 17. Posteriormente, descobriu-se que ela havia sido estuprada repetidamente quando criança pelo namorado de sua avó.

    McCoy afirmou que a mãe de Pike não acreditava que esses estupros tivessem ocorrido.

    Mas o advogado de defesa de Pike não colocou McCoy no banco das testemunhas nem convocou muitas das pessoas que ela recomendou.

    Esses detalhes vieram à tona mais de uma década depois, em uma audiência judicial que revisava o caso, quando uma nova equipe de advogados alegou assistência jurídica ineficaz, alegação que foi negada pelo juiz.

    Em 2021, Pike foi diagnosticado com transtorno bipolar na prisão e está medicado desde então.

    Mais tarde, outra psicóloga forense que trabalhava na defesa de Pike, a Dra. Bethany Brand, que avaliou Pike em 2023, disse que o caso dela era extremamente raro porque ela foi abusada por muitas pessoas que deveriam tê-la protegido.

    "Sua infância foi repleta de abusos físicos, sexuais e emocionais. Ela foi violentada sexualmente por vários homens, começando antes mesmo de entrar na escola", diz ela.

    Brand afirma que Pike tinha episódios maníacos não tratados devido ao transtorno bipolar e transtorno de estresse pós-traumático não tratado. "A combinação desses dois fatores influenciou significativamente o nível de ameaça que ela sentiu pela garota que acabou matando e sua falta de controle emocional naquela situação."

    Babcock acrescenta: "Se a deixarem ser executada, isso mostra que a pena de morte neste país é uma piada. Não é para os piores dos piores. É para as pessoas que recebem a pior representação legal e que são as mais vulneráveis e prejudicadas."

    Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/09/29/ela-tambem-e-uma-vitima-quem-e-christa-pike-que-pode-ser-a-primeira-mulher-executada-no-tennessee-em-200-anos.ghtml.

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    Pena de morte nos EUA: entenda medida do governo Trump sobre pelotão de fuzilamento — Foto: G1

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