El Niño muito forte e precoce
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), agência federal dos Estados Unidos , atualizou -para pior- suas projeções para o El Niño . Leia mais (08/20/2026 - 22h00)

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A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), agência federal dos Estados Unidos , atualizou —para pior— suas projeções para o El Niño .
Em junho, quando se confirmou o início do fenômeno, a probabilidade de que ele atingisse a categoria muito forte era de 63% entre novembro e janeiro; em julho, a cifra passou a 81% entre outubro e dezembro. Já na última semana, a estimativa foi a 93% de setembro a novembro , com 90% de risco de que a condição extrema perdure até janeiro.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento da superfície do oceano Pacífico equatorial, é considerado muito forte quando a temperatura supera 2ºC em relação à média histórica.

Desde o início da série, em 1950, tal patamar foi superado em cinco episódios. O último foi em 2023-24, e o mais intenso, em 2015-16 (2,6ºC). Atualmente, a alta da temperatura está em 1,4º.
Há ainda calor elevado abaixo da superfície, com áreas até 10°C mais quentes, número muito acima do que já foi registrado anteriormente —em 2015-16, essa zona ficou 6ºC acima da média.
Assim, a Noaa projeta que o fenômeno deste ano pode ser um dos mais fortes desde 1950.

Os efeitos de um "El Niño de início precoce" , como descreve Chris Funk, diretor do Centro de Riscos Climáticos da Universidade da Califórnia, já se fazem sentir.
Partes do Panamá, país com grandes precipitações, não registram chuvas intensas desde o início de maio. A Etiópia enfrenta um dos verões mais secos em quatro décadas. A seca chega a partes do Sudeste Asiático, atrasando a semeadura de arroz e de outras culturas agrícolas.
No Brasil também há risco de comprometimento de safras, impactando a inflação. Aqui, os efeitos do El Niño são estiagens no Norte e Nordeste e chuvas fortes no Sul; o Sudeste pode apresentar as duas condições.
Urge a mobilização do poder público. Na quarta (19), o Ministério do Meio Ambiente se reuniu com secretários estaduais da área para definir atuação coordenada.
Além de medidas para conter incêndios e reforçar infraestrutura , é preciso atenção redobrada no sistema de saúde .
Em julho, a Organização Pan-Americana da Saúde lançou um alerta regional de risco elevado de estresse térmico, desidratação, agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias e de arboviroses, como a dengue.
Em 2024, no último El Niño, o Brasil não tratou com seriedade alertas similares da OMS , e mais pessoas morreram por dengue no país (5.873) do que a soma dos oito anos anteriores (4.992).
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/el-nino-muito-forte-e-precoce.shtml.

Vista aérea do leito seco do rio Solimões próximo à comunidade indígena Porto Praia, em Tefé (AM) - Lalo de Almeida - 13.out.23/Folhapress · Lalo de Almeida - 13.out.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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