Brasil

    El Niño muito forte e precoce

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), agência federal dos Estados Unidos , atualizou -para pior- suas projeções para o El Niño . Leia mais (08/20/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    21 de agosto de 2026 às 01:00
    El Niño muito forte e precoce
    A imagem mostra uma vista aérea de um rio na Amazônia, com águas de cor marrom e uma margem coberta por vegetação densa. À direita, há uma pequena comunidade com casas simples, enquanto o rio apresenta um padrão de leito exposto, com áreas — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Vista aérea do leito seco do rio Solimões próximo à comunidade indígena Porto Praia, em Tefé (AM) - Lalo de Almeida - 13.out.23/Folhapress · Lalo de Almeida - 13.out.23/Folhapress
    Vista aérea do leito seco do rio Solimões próximo à comunidade indígena Porto Praia, em Tefé (AM) - Lalo de Almeida - 13.out.23/Folhapress · Lalo de Almeida - 13.out.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), agência federal dos Estados Unidos , atualizou —para pior— suas projeções para o El Niño .

    Em junho, quando se confirmou o início do fenômeno, a probabilidade de que ele atingisse a categoria muito forte era de 63% entre novembro e janeiro; em julho, a cifra passou a 81% entre outubro e dezembro. Já na última semana, a estimativa foi a 93% de setembro a novembro , com 90% de risco de que a condição extrema perdure até janeiro.

    O El Niño, caracterizado pelo aquecimento da superfície do oceano Pacífico equatorial, é considerado muito forte quando a temperatura supera 2ºC em relação à média histórica.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Desde o início da série, em 1950, tal patamar foi superado em cinco episódios. O último foi em 2023-24, e o mais intenso, em 2015-16 (2,6ºC). Atualmente, a alta da temperatura está em 1,4º.

    Há ainda calor elevado abaixo da superfície, com áreas até 10°C mais quentes, número muito acima do que já foi registrado anteriormente —em 2015-16, essa zona ficou 6ºC acima da média.

    Assim, a Noaa projeta que o fenômeno deste ano pode ser um dos mais fortes desde 1950.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os efeitos de um "El Niño de início precoce" , como descreve Chris Funk, diretor do Centro de Riscos Climáticos da Universidade da Califórnia, já se fazem sentir.

    Partes do Panamá, país com grandes precipitações, não registram chuvas intensas desde o início de maio. A Etiópia enfrenta um dos verões mais secos em quatro décadas. A seca chega a partes do Sudeste Asiático, atrasando a semeadura de arroz e de outras culturas agrícolas.

    No Brasil também há risco de comprometimento de safras, impactando a inflação. Aqui, os efeitos do El Niño são estiagens no Norte e Nordeste e chuvas fortes no Sul; o Sudeste pode apresentar as duas condições.

    Urge a mobilização do poder público. Na quarta (19), o Ministério do Meio Ambiente se reuniu com secretários estaduais da área para definir atuação coordenada.

    Além de medidas para conter incêndios e reforçar infraestrutura , é preciso atenção redobrada no sistema de saúde .

    Em julho, a Organização Pan-Americana da Saúde lançou um alerta regional de risco elevado de estresse térmico, desidratação, agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias e de arboviroses, como a dengue.

    Em 2024, no último El Niño, o Brasil não tratou com seriedade alertas similares da OMS , e mais pessoas morreram por dengue no país (5.873) do que a soma dos oito anos anteriores (4.992).

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/el-nino-muito-forte-e-precoce.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Vista aérea do leito seco do rio Solimões próximo à comunidade indígena Porto Praia, em Tefé (AM) - Lalo de Almeida - 13.out.23/Folhapress · Lalo de Almeida - 13.out.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)