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    El Niño já mexe com preços no mercado livre de energia e deixa cenário futuro incerto

    Geradores, comercializadores e clientes que atuam no mercado livre de energia já têm sentido os primeiros efeitos do El Niño no Brasil. O aumento das chuvas no Sul e a piora das expectativas sobre a gravidade do fenômeno mexeram com os preços dos contratos de fornecimento nas últimas semanas.

    UOL
    10 de agosto de 2026 às 10:00
    El Niño já mexe com preços no mercado livre de energia e deixa cenário futuro incerto
    Usina hidrelétrica com estrutura de concreto e comportas abertas liberando grande volume de água em rio. Edifício industrial e equipamentos visíveis no topo da barragem sob céu claro. — Foto: UOL

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    Geradores, comercializadores e clientes que atuam no mercado livre de energia já têm sentido os primeiros efeitos do El Niño no Brasil. O aumento das chuvas no Sul e a piora das expectativas sobre a gravidade do fenômeno mexeram com os preços dos contratos de fornecimento nas últimas semanas.

    Usina hidrelétrica binacional de Itaipu, no rio Paraná - Daniel Duarte - 3.abr.25/AFP · Daniel Duarte - 3.abr.25/AFP
    Usina hidrelétrica binacional de Itaipu, no rio Paraná - Daniel Duarte - 3.abr.25/AFP · Daniel Duarte - 3.abr.25/AFP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Dados da BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia) obtidos pela Folha mostram que os preços no mercado de curto prazo —agosto e setembro— chegaram a cair 44% em relação ao que era praticado no fim de maio.

    Já os contratos com entrega a partir de 2027 reagiram no sentido oposto e tiveram valorização na casa de 1%. Ainda que essa alta seja modesta, o padrão de flutuação dos preços chamou a atenção de especialistas.

    Segundo eles, é raro ver os mercados de curto e longo prazos andarem em direções distintas. Essa "torção de curva" (uma para cima, outra para baixo) pode indicar um receio dos agentes sobre os efeitos que o El Niño terá na geração futura de energia.

    Como funciona a matriz elétrica brasileira
    Como funciona a matriz elétrica brasileira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O mercado livre de energia é a modalidade em que consumidores negociam prazos e volumes de fornecimento diretamente com as comercializadoras, sem depender da distribuidora local. Hoje, há cerca de 80 mil clientes nesse modelo, respondendo por 42% de toda a energia consumida no Brasil.

    Por enquanto, apenas consumidores de média e alta tensão —como indústrias, shoppings e aeroportos— podem participar do mercado livre. A abertura completa, inclusive para clientes residenciais, acontecerá até 2028.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    A BBCE é hoje um dos principais ambientes de compra e venda desses contratos de energia. Segundo a empresa, cerca de 30% das negociações do mercado livre passam pela plataforma —em 2025, foram R$ 90 bilhões.

    Os contratos com fornecimento em setembro na região Sudeste fecharam o mês a R$ 138,32 o MWh (megawatt-hora), queda de 14% ante junho e de 44% em relação ao último dia útil de maio.

    Os ativos com vencimento em agosto, que acumulam queda de 23% nos dois últimos meses, encerraram julho a R$ 188,86/MWh.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "O sistema brasileiro depende de água, então se chove mais o preço cai; se chove menos o preço sobe", diz Eduardo Rossetti, diretor-executivo de produtos e relações institucionais da BBCE. "No vértice em que o preço está caindo, há o efeito das chuvas no Sul, onde choveu 256% da média histórica em julho", acrescenta.

    Apesar da abundância de água no Sul agora, há um receio no mercado sobre outro efeito característico do El Niño: a intensificação da seca no Nordeste e no Norte do país.

    Por isso, os preços para o ano de 2027 chegaram a subir levemente, refletindo uma percepção maior de risco. Contratos que abrangem o período entre fevereiro de 2027 e janeiro de 2028 subiram 1% na comparação com maio e 4% na comparação com junho.

    "Com a entrada das usinas de Jirau e Santo Antônio [em Rondônia] e de Belo Monte, o Norte passou a ter uma relevância maior. Essa mudança é especialmente importante para 2027", diz Eduardo.

    Percepção semelhante é compartilhada por Maikon Del Ré Perin, executivo da área de risco e inteligência de mercado da Ludfor, empresa de geração, comercialização e gestão de energia.

    "O Centro-Norte claramente terá chuvas abaixo da média, e os reservatórios devem sofrer", diz.

    Segundo Maikon, outras fontes de energia também podem ser prejudicadas pelos efeitos do El Niño. As eólicas são um exemplo.

    "No fim do ano, que é a safra das eólicas, a previsão é ter menos ventos. O El Niño enfraquece a chamada alta subtropical do Atlântico Sul, reduzindo a força dos ventos no Nordeste", afirma.

    Isso resulta em uma geração menor do que o esperado, pressionando os preços para cima.

    Não é só o mercado livre de energia que está exposto ao El Niño. No mercado cativo, o setor já se movimenta antecipando impactos fortes. A diferença é que os efeitos demoram mais para aparecer na conta de luz.

    A expectativa é de maior uso de térmicas e, como consequência, aumento das tarifas , já que o acionamento dessas usinas eleva o custo de operação do sistema elétrico.

    Em julho, o CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, se movimentou para garantir segurança e continuidade do suprimento de energia com o El Niño. Uma das iniciativas foi antecipar o suprimento de cinco usinas termelétricas que venceram o leilão de reserva de capacidade do começo do ano e que estavam previstas para começar a operar em 2027 e 2028.

    Ao antecipar a entrada em operação, elas passam a ser remuneradas antes, e os consumidores pagam essa conta por meio dos encargos.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/el-nino-ja-mexe-com-precos-no-mercado-livre-de-energia-e-deixa-cenario-futuro-incerto.shtml.

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    Usina hidrelétrica binacional de Itaipu, no rio Paraná - Daniel Duarte - 3.abr.25/AFP · Daniel Duarte - 3.abr.25/AFP — Foto: UOL

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