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    El Niño forte deve pressionar inflação até fevereiro, diz economista

    IPCA sobe 0,82% em setembro; alimentos e bebidas puxam alta e fenômeno climático preocupa especialistas

    CNN Brasil
    10 de outubro de 2026 às 20:47
    El Niño forte deve pressionar inflação até fevereiro, diz economista
    Foto: CNN Brasil

    A inflação brasileira registrou alta de 0,82% em setembro, conforme dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

    O resultado acendeu o alerta para os efeitos do El Niño sobre os preços, especialmente no grupo de alimentação e bebidas, que avançou 0,83% no período — uma reversão expressiva em relação ao recuo de 0,34% registrado em agosto.

    Ao CNN Money , o economista Flávio Serrano destacou que o fenômeno climático é o principal destaque da leitura do índice. Segundo ele, o El Niño vem ganhando intensidade e deve se configurar como um episódio bastante forte, com desvio de temperatura em relação à média no Pacífico próximo a 3 graus ou mais.

    IPCA-15: alimentos ficam mais baratos pelo 3º mês, mas leite sobe 23% no an
    IPCA-15: alimentos ficam mais baratos pelo 3º mês, mas leite sobe 23% no an — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Provavelmente vai ser o recorde histórico para a diferença de temperatura naquela região”, afirmou.

    A inflação de alimentos no domicílio, que chegou perto de 1% em setembro (0,96%), contrasta com os recuos registrados nos meses anteriores: deflação de 1,14% em julho e queda de 0,60% em agosto.

    Produtos como tomate e batata registraram altas superiores a 20% e 30%, respectivamente, refletindo uma pressão intensa sobre os itens in natura.

    Preço dos alimentos cai 0,67% em julho e ajuda a conter inflação
    Preço dos alimentos cai 0,67% em julho e ajuda a conter inflação — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Serrano alertou que essa dinâmica deve persistir. “Toda essa parte de alimentação no domicílio deve ficar pressionada pelo menos até fevereiro do ano que vem por conta desses efeitos climáticos”, declarou.

    Apesar do avanço da inflação, Flávio Serrano avalia que ainda há espaço para o Banco Central realizar um novo corte de 25 pontos-base na taxa básica de juros .

    No entanto, ele ressaltou que a inflação de serviços continua pressionada — rodando entre 4,5% e 5% nas últimas leituras e em 5,3% nos últimos 12 meses — o que indica que não se trata apenas de um choque de oferta. “A gente também observa alguns elementos que mostram um pouco de pressão pelo lado da demanda”, ponderou.

    Preço dos alimentos cai 0,67% em julho e ajuda a conter inflação
    Preço dos alimentos cai 0,67% em julho e ajuda a conter inflação — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O economista destacou que o comportamento do câmbio — que recuou de cerca de R$ 5,20 para próximo de R$ 5 — e uma eventual melhora nas tensões geopolíticas internacionais poderiam favorecer a continuidade do ciclo de alívio monetário.

    Ele também mencionou que a desaceleração da economia contribui para reduzir o risco de contaminação do choque de alimentos para outros preços.

    Caso o cenário externo e fiscal se mostre favorável, Flávio Serrano não descartou a possibilidade de o Banco Central até acelerar o ritmo de cortes nas reuniões de março ou abril do ano seguinte.

    IPCA-15: alimentos ficam mais baratos pelo 3º mês, mas leite sobe 23% no an
    IPCA-15: alimentos ficam mais baratos pelo 3º mês, mas leite sobe 23% no an — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “O juro no Brasil é muito alto”, reforçou, acrescentando que um ajuste fiscal por parte do próximo governo seria fundamental para estender e eventualmente intensificar o ciclo de flexibilização monetária.

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    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/mercado/el-nino-forte-deve-pressionar-inflacao-ate-fevereiro-diz-economista/.

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